Autoconhecimento Sagrado Feminino

Resgate do Feminino

Mulher de olhos fechados em ambiente aberto, sob a chuva.
Foto de Anastasiya Lobanovskaya no Pexels
Andrews Rodrigues
Escrito por Andrews Rodrigues

Todo homem já nasce com medo, toda mulher não. No início, a vida se revela em sua faceta feminina. Dentro do ventre nos sentimos mulher e flores nos dão as boas-vindas.

Nos sentimos completos, pois na natureza já é bem sabido que o Princípio da vida é Feminino. O Feminino gera e nutre, cuida e mantém. Logo, no início da vida, ainda no ventre, todo ser se sente bem, se sente nutrido, cuidado, seguro. A segurança vem dela, do Feminino, da Mãe.

A Mãe é a grande onça, que protege, que defende sua cria, pois é tudo que lhe é caro. Seu rosnado, suas presas e suas garras são a força de seu Amor que mantém em bom cuidado essa cria tão querida.

Quando no ventre, como mulher, nos sentimos bem, como já dito. A Mãe está em nós, o Princípio Feminino está em nós, e nos lembra sempre que estamos seguros, que estamos cuidados. Sempre.

Bebê beijando sua mãe na bochecha na praia.
Foto de Tatiana Syrikova no Pexels

Quem tem medo, no colo seguro da Mãe?

Quando nasce, a mulher nasce então com a Mãe em si, pois a Mãe é seu ventre. O Princípio Feminino vibra latente e pulsante em seu corpo. Tudo está bem.

Já para os homens a coisa é um pouco diferente, ao menos no começo. Começamos mulher, mas em algum momento tudo pode mudar e os cromossomos nos levam para o outro lado de nossa faceta. Nesse lado, a energia é latente, potente, e chega assustando o pequeno ser, que até então conhecia apenas a suavidade das flores. Agora sente o trovão batendo forte em seu peito.

Mas então o susto de primeiro momento passa. O amor da Mãe que lhe abriga em seu ventre logo lhe preenche. Está tudo bem, ele sente.

Amor.

Assim a gestação continua.

Porém quando o bebê homem nasce, o medo lhe invade. Arrancado em um susto da segurança do ventre, ele chora. Sente o frio do mundo e a distância do lar. O lar é a Mãe, o lar é o Feminino.

O medo passa quando é devolvido à Mãe, não mais em seu ventre, mas em seu colo seguro e quente. Nos seios encontra a tão valiosa nutrição e nos braços a proteção.

A mulher sente o mesmo no colo da Mãe, porém ela se sente preenchida pela própria energia nutritiva que lhe aquece e lhe oferece no mundo o sentimento de proteção.

Assim nasce o homem com medo, e a mulher não.

Em nossa criação, o homem deveria ser guiado para logo nos primeiros anos sentir de novo o contato com a Mãe que nele habita. Pois não importa se seja homem, temos em nós os dois princípios, o Masculino e Feminino. Esses termos não são em si gêneros, mas as duas energias complementares que criam, mantêm e transformam o mundo. O anima e animus de Jung, ou Yin Yang oriental, são outros nomes comuns a essas energias.

O que nos foi perdido é o conhecimento de que o Feminino é o princípio, toda vida se origina dele. Assim o Feminino é o Princípio da vida; o Masculino é o Meio, pelo qual a vida advém ao núcleo; e a União de Feminino e Masculino é o Fim, que é um Novo Começo, o começo de uma nova vida.

Mãe, pai e criança caminhando por um parque, vistos de costas.
Foto de Vidal Balielo Jr. no Pexels

Amor.

Desse modo a Tríade real é Mãe, Pai e Filho.

Assim pode ser que o Espírito Santo, da tão falada Trindade, seja nada mais do que a Mãe.

Voltando à criação dos homens.

Em seus primeiros anos o homem devia ser guiado pela Mãe, de modo que essa lhe apresentasse o mundo, lhe assentasse com zelo e cuidado no chão. Que ele, antes de pôr-se a se mover com suas perninhas e com suas pequenas mãos explorar o mundo, aprendesse a sentir este mundo no coração.

Depois que o bebê passa a andar, entra então a figura do Pai, e é com ele que o filho aprenderá a experimentar o mundo, pois o Feminino mostra e o Masculino vai pegar. (Lembrando que o Pai é o Princípio Masculino e não o gênero, podendo a mãe fazer esse papel.)

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Seguindo assim, o filho não sentiria uma desconexão com seu Feminino e perderia o medo da solidão que assola um ser que não se sente inteiro. A solidão vem porque apenas uma de suas metades está ativa, o Masculino, e o Feminino está amortecido, e com o tempo e a criação que se recebe na sociedade o aspecto Feminino se torna moribundo neste, e mesmo quando ativo está tão depreciado que o homem se sente apático. Para a mulher vale o mesmo.

Todavia, na menina, o princípio de criação seria o mesmo. A Mãe (o Princípio Feminino) lhe mostra o mundo e o Pai (Masculino) lhe ensina a experienciar. O bebê menina tem uma facilidade inicial, ela não se sente só, pois o Princípio Feminino está ativo em seu corpo lhe mantendo naturalmente conectada ao sentimento de inteireza.

Porém o que acontece com a mulher é que o Feminino em nossa sociedade foi apedrejado. A mulher se tornou criada.

Assim a menina mesmo que amada tem de um modo ou de outro sua essência deprimida, ela é nada e deve apenas esperar, sem voz deve se calar. Ela não mais mostra o mundo e, sem o aconselhamento natural da Mãe, o homem pega tudo para si, sem respeito e desmedido.

Homens discutindo com uma mulher, que segura a cabeça com as mãos, em uma mesa de reunião de esritório.
Foto de Aleksandr Davydov no 123RF

Se o mundo estivesse de fato doente, estaria aí a doença.

Mas não há doença, só a crença.

No passado, a mulher passou a ser renegada, jogada para dentro do lar, onde de fato ela tem o domínio (o Feminino é o lar), mas mesmo este domínio lhe arrancaram, deixando apenas a obrigação de zelar. O Feminino é fraco e incapaz — esta é a crença vigente, e tanto homem quanto mulher vivem nela em algum grau.

O sexo frágil como se diz. Gracioso sim, mas frágil não.

Se temos um dos polos doentes, o outro de imediato também se adoece. Se a sociedade depredou a Mãe a colocando como reles serviçal, o homem adoeceu, e o princípio ativo nele em desequilíbrio doentio traz a agressividade incessável.

Daí as guerras.

O homem só quer pegar, nem sabe por que, ainda se encontra preso ao comportamento do bebê que tudo o que vê toma nas mãos, e se lhe tomam, este chora. No entanto, homem não pode chorar, mas pode matar.

O homem quando se distancia do Princípio Feminino, se sente sem a Mãe, e sem a Mãe o bebê está só, daí o medo. Na natureza, um animal acuado ou se enfia em um buraco ou mostra os dentes. O homem em seu medo ou agride ou se esconde.

Aqueles que inconscientemente se sentem abandonados pela Mãe passam a odiar. E o ódio é incitado de preferência contra a mulher. Mas a mulher cheira a flores e as flores carregam o perfume que lhes faltam, buscam-na então incansavelmente. Porém como a mulher é mera posse, só buscam-na para tê-la. Claro que nem todos são assim, há aqueles que respeitam a mulher, estes não entraram no ódio contra a Mãe, mas esta ainda lhes falta, e de algum modo eles se escondem atrás da Mãe que ainda há neles. Mas esse Feminino está calado, foi depredado, e está doente, logo está debilitado, então não vibra. E, com o Masculino escondido atrás de um Feminino engessado, o homem nunca sai do lugar.

Homem e mulher de costas um para o outro, ambos com expressão séria e preocupada.
Foto de Andriy Popov em 123RF

E o mesmo com a mulher.

Não enxergam mais o seu poder natural. O Feminino aprendeu a esconder e mesmo as que mostram não sabem o que têm. Na tenra infância aprenderam a servir. Algumas se rebelam, mas sem apoio, guia e amor, se perdem, e o ódio surge de seu Masculino também ferido.

Todos doentes, todos feridos. Tudo crença.

Todos solitários buscando no outro um alívio. Tantas perguntas, tantas respostas, nenhum sentido.

Por isso, para a cura do mundo, é apenas preciso o resgate do Feminino.

O resgate da Mãe, da grande Mãe. A Mãe natureza, Gaia Mãe Terra.

Quem mais sofre com a fome voraz do homem doente é a própria Mãe. O Princípio Feminino é destruído, consumido em brasa e carvão. O homem se nutre, se abriga, se regozija com os privilégios da Mãe.

A Mãe tem amor, cuida do filho, mesmo do filho ingrato.

Mas a Mãe sabe corrigir e se for preciso ela mostrará a verdade do mundo.

Então para cada um de nós fica um caminho: aceitar a Mãe, o Feminino. Seja homem ou mulher, aceitar em si o Feminino, toda sua glória, graça e poder. Assim se cura também o Masculino, e no equilíbrio se alinha de novo a harmonia do mundo. Feminino e Masculino de novo unidos, e dessa união o Filho nasce.

O Novo Começo. O Filho é o Amor.

De uma lição que aprendi com a Grande Mãe. Gratidão!

Sobre o autor

Andrews Rodrigues

Andrews Rodrigues

Há anos atrás surgia por estas terras um pequeno garoto, um garoto que amou logo de cara o que viu. Um pequeno sonhador, explorador do quintal de casa, curioso pelas coisas a fora. Este pequeno amava desde cedo criar, e explorava sua criatividade com uma folha e lápis na mão, desenhando seus personagens preferidos.

Os anos passaram e o pequeno esticou em tamanho, porém a curiosidade e ânsia em criar se mantiveram as mesmas. Hoje o garoto tem novas ferramentas e conhecimento para explorar mais e mais. Hoje o quintal é maior, relativamente maior. As experiências muito mais desafiadoras e as vezes assustadoras, mas o desafio maior é manter viva a alegria do garoto, mesmo em meio a tantos obstáculos.

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