Autoconhecimento

Ritalina: a droga que ameaça o futuro

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Algumas pessoas vivem em busca de milagres. Emagrecer sem esforço, por exemplo, é um deles. Dieta balanceada e exercícios físicos dão muito trabalho. Por isso, encaram as cirurgias plásticas como um recurso rápido e fácil para atingirem seus objetivos. Mas, nada nessa vida vem de graça. Emagrecimento saudável exige muita disciplina. Dessa forma leva mais tempo para perder peso, entretanto, é infinitamente mais consistente.

Nessa nova onda de “milagres” está a ritalina. O remédio é amplamente prescrito para casos de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade – TDAH). O transtorno é um distúrbio psiquiátrico provocado por alterações na região frontal do cérebro, responsável pela inibição do comportamento e atenção. O TDAH atinge de 3% a 5% das crianças em idade escolar, principalmente os meninos. Dessas, 60% continuarão com a doença na idade adulta.

Desatenção, hiperatividade e impulsividade são os sintomas.
Uma criança com o distúrbio fala excessivamente, interrompe ou fala ao mesmo tempo em que outras pessoas, se contorce quando está sentada e perde coisas com frequência. Meninas apresentam alguns sintomas diferentes: sonhar acordada, ser “bobinha” são os diferenciais do TDAH feminino. Os pais, não sabendo mais o que fazer, levam o filho ao psiquiatra. O diagnóstico é complexo. Exames de sangue e raio-X podem confirmar ou excluir doenças ou lesões. Se os exames não apontarem nada, a confirmação do transtorno é feita se os sintomas começarem antes dos 7 anos, estarem presentes a mais de 6 meses, se o comportamento causar problemas de relacionamento e se houver atraso no desenvolvimento escolar.

Porém, o TDAH está banalizado. Muitos médicos não possuem pleno conhecimento da doença. Por não saberem diferenciar o que é uma criança inquieta e uma criança com desordem psiquiátrica, indiscriminadamente receitam ritalina. O medicamento pertence ao grupo das anfetaminas. A ritalina (ou metilfenidato), assim como a cocaína, eleva o nível de dopamina nas sinapses, áreas ativas entre uma terminação nervosa e outros neurônios. A criança fica “tranquila” assim que começa a tomar o remédio. Os pais ficam aliviados e acreditam que o problema acabou. Mas, esse “sossego” tem um preço. O comportamento da criança é zombie like. Ela vira um robô sem nenhuma expressão e emoção.

O Brasil é o vice campeão mundial no consumo de ritalina, perde para os Estados Unidos.
Estamos diante de uma questão delicada. A pediatra  Maria Aparecida Affonso Moysés afirma: “A gente corre o risco de fazer um genocídio do futuro”. A profissional não indica o medicamento para o tratamento do TDAH. Além, do zombie like, a criança pode ter insônia. Quando se torna dependente, encara crise de abstinência. O medicamento, segundo a pediatra afeta no sistema endócrino e interfere na hipófise. Os hormônios sexuais e do crescimento sofrem alterações. As crianças “amansadas” com a ritalina crescem menos e ficam abaixo do peso.

A ritalina não é receitada apenas para crianças com TDAH. O medicamento caiu no gosto dos jovens. Por inibir o apetite e está sendo usado por quem busca emagrecimento rápido. Os usuários sentem que podem fazer várias coisas ao mesmo tempo. Tamanha animação leva os adeptos tomarem duas doses do remédio antes das baladas. Eles passam a noite toda dançando e pulando.

A droga da inteligência?

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A ritalina foi descoberta pelos vestibulandos, universitários e concurseiros. Quem possui dificuldade em ler textos longos, encontram a “solução” na droga. Para passarem a noite estudando, muitos estudantes também utilizam o medicamento. Existem relatos de estudantes que tomaram ritalina por quatro dias seguidos junto com café e energético. A ritalina ganhou os apelidos de “pílula da inteligência” e “droga dos concurseiros” por supostamente melhorar a função cognitiva. Não é difícil encontrar o medicamento. Em uma rápida pesquisa em sites de busca, você encontra fornecedores.

A psicologia Silmara Batistela, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) comprova que a fama é indevida. A ritalina não aumenta a atenção, memória nem as funções executivas (capacidade de planejar e executar tarefas). Silmara estudou 36 jovens saudáveis entre 18 a 30 anos. Os voluntários foram divididos em quatro grupos. O primeiro tomou placebo, uma preparação neutra em relação a efeitos farmacológicos, no objetivo de suscitar ou controlar as reações. Os outros receberam dose única de 10 mg, 20 mg ou 40 mg da medicação.

Após o medicamento, os voluntários fizeram testes de atenção, memória operacional e de longo prazo e funções executivas. O desempenho foi idêntico em todos os grupos. A única diferença identificada foi que no grupo que tomou a dose de 40 mg relatou uma sensação maior de bem-estar. A pesquisa comprovou que a ritalina não aumenta o desempenho dos estudantes.

A luta contra a ritaliana

O uso da ritalina por estudantes é muito grave. As universidades adotam medidas para combater isso. A Universidade de Santa Cruz (Unisc), na cidade de Santa Cruz do Sul, no interior do Rio Grande do Sul, por exemplo, alterou regras do edital do vestibular. Giana Diesel Sebastiany, coordenadora pedagógica do curso de medicina da instituição relata que os candidatos somente podem tomar remédios se apresentarem receita. A universidade ainda promove discussões sobre a utilização de medicamentos para melhorar o desempenho nos estudos. A preocupação não é à toa. A ritalina causa vários problemas.

Os perigos da ritalina

Utilizar a ritalina para “turbinar” o cérebro é uma atitude infeliz, conforme estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo. Os riscos são vários. O estudante que afirmou ter tomado ritalina por quatro dias seguidos e associado café e energético passou esse período praticamente sem comer. O Food and Drug Administration (FDA) órgão americano responsável por controlar alimentos, suplementos alimentares e remédios relata os seguintes riscos:

  • Hipertensão
  • Problemas renais e hepáticos
  • Surtos de insônia ou sonolência
  • Morte súbita
  • Arritmias cardíacas
  • Infarto
  • Derrame cerebral
  • Glaucoma
  • Diminuição da atenção e cognição
  • Surtos psicóticos e alucinações, com risco de suicídio

Vigília prolongada

O medicamento deixa a pessoa acordada por mais tempo. Contudo, o usuário pode ter insônia. Assim como qualquer droga, o corpo se acostuma e pede mais.

Mais efeitos colaterais

Ansiedade, nervosismo e perda de apetite estão relacionados ao medicamento. Nos portadores da Síndrome de Tourette, distúrbio neuropsiquiátrico caracterizado por tiques múltiplos, motores ou vocais, a ritalina intensifica os sintomas. A droga também agrava os quadros convulsivos de pessoas que sofrem com este problema.

Utilizar remédios para aumentar o desempenho nos estudos é uma ilusão. Você fica horas acordado, porém, não é produtivo. Imagine ficar a noite inteira acordado, dormir duas horas e fazer uma prova de quatro ou cinco horas. Não precisa ser médico para saber que o resultado será desastroso. Para ser um aluno nota 10 é preciso muita disciplina. Confira nossas dicas para tornar você um verdadeiro campeão:

  • Cuidado com a procrastinação: ela colocará você em maus lençóis.
  • Conheça seu estilo de aprendizado. Algumas pessoas aprendem lendo, outras fixam melhor o conteúdo ouvindo. O autoconhecimento aumentará seu desempenho.
  • Organize sua rotina de estudos com uma agenda, assim você não esquece a data de entrega de trabalhos, nem as datas das provas.
  • Faça anotações durante as aulas, você fixa o conteúdo com mais facilidade. O professor pode citar coisas que não estão nos livros e apostilas.
  • Converse com seu professor. Não fique com vergonha de procurá-lo e tirar suas dúvidas.
  • Adote o sistema de cores para classificar as atividades.
  • Tenha um local exclusivo para realizar suas atividades e guardar seus materiais.
  • Saiba equilibrar o tempo. Provas que tenham testes e redação, você precisa dosar o tempo para não deixar nenhuma questão ou a redação em branco.
  • Não se descuide da saúde. Pratique exercícios físicos, durma bem e tenha uma alimentação saudável. Você terá disposição para os estudos e para tudo em sua vida.

  Para os concurseiros…

  1. Muitos concurseiros cometem o pecado de não ler o edital do concurso. O material reúne informações como o período e valor da inscrição, número de vagas, tipo de prova (múltipla escolha, certo ou errado), discursiva, se terá redação e conteúdo da prova.
  2. A preparação tem que começar com antecedência. Procure autores sobre os conteúdos que cairão na prova.
  3. Foque nos assuntos que você tem mais dificuldade.
  4. Estudar é importante, mas, relaxar também é preciso. Atividade física, cinema e exposições arejam a cabeça e diminuem a pressão.

Para “turbinar” o cérebro, alimentação saudável e dormir 8 horas por dia. Estudantes devem investir na fisetina, a substância presente no tomate, espinafre, cebola, morango, kiwi, pêssego, uva, maçã, que aumenta a formação de conexão entre os neurônios. A fisetina melhora a comunicação entre os neurônios. Para ter mais facilidade em se concentrar, memorizar e aprender reveja seu cardápio.

Consciência. Isso é o que falta. As pessoas precisam se conscientizar que são seres humanos. Humanos precisam se alimentar e dormir. Boa alimentação e descanso são importantes para o perfeito funcionamento do corpo. Energéticos, ritalina ou qualquer tentativa artificial de aumentar o desempenho nos estudos é uma ilusão que cedo ou tarde cai por terra. Às vezes, a pessoa acorda da ilusão sem sofrimento. Outras vezes, é preciso uma temporada no hospital para fazer o indivíduo sair dessa.

Este doping intelectual traz outras discussões. Mesmo que o aluno consiga fazer um trabalho brilhante sob efeito da ritalina, ele não é ético, portanto, não poderá ser visto com respeito.
Quem precisa recorrer a ritalina para “turbinar” o cérebro, na verdade é um rato de laboratório. Assim como os ratos que são dopados para comprovar os efeitos de um remédio, os usuários deste medicamento também estão a serviço da ciência. Os adeptos da ritalina respaldam os estudos sofre os malefícios da droga. Os que não conseguem acordar para os perigos e partem para o sono eterno, tornam-se um modelo a não ser seguido.

O que você quer ser, um ser humano que respeita seus limites ou uma pessoa desonesta, movida a drogas? Médicos, por favor, sejam mais conscientes. Adquiram mais conhecimentos sobre o TDAH. Crianças são naturalmente inquietas. Contudo, isso não faz de todas elas portadoras deste transtorno psiquiátrico.

Consciência. É isso que falta aos médicos e adeptos do uso recreativo da ritalina. Alguns médicos são despreparados, ou então, não querem ter muito trabalho. Estudantes e jovens festeiros querem desafiar os limites do corpo e ficar dias sem dormir. Consciência. É isso que falta.


  • Texto escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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