Convivendo Setembro Amarelo

Setembro Amarelo – Um outro olhar sobre o suicídio

Carolina Zambelo
Escrito por Carolina Zambelo
Bom, cá estamos nós na campanha da prevenção ao suicídio, que se intensifica neste mês, conhecida como Setembro Amarelo. E o que eu proponho aqui é contar um pouco da minha história, expor algo que entendi dentro de mim, que nunca dividi com ninguém e trazer um outro olhar a esse ato tão extremo de tirar a própria vida.

Quero começar com algumas informações que vi no canal do Youtube da Dora Figueiredo (ela é muito boa, procurem) essa semana, que traduziu muita coisa que estava aqui dentro. Ela desmistifica o padrão depressivo conhecido pela maioria da população, que os enxerga como aquelas pessoas literalmente na merda, com roupas escuras, que não saem de casa, não comem, não tomam banho, totalmente apáticas. E mostra que, sim, existem esses casos, mas que as pessoas com esse diagnóstico também podem ser ativas, sociáveis, alegres e vez ou outra vivenciarem recaídas.

Por que eu estou falando isso? Porque é algo que acontece muito comigo, passo por períodos super animada, com projetos, autoestima lá no teto, mas de repente, menos que de repente, sinto um vazio existencial enorme, tudo aquilo que ontem estava me movimentando parece não fazer sentido algum, todas aquelas certezas que eu tinha, de que vai dar certo, são substituídas por pensamentos negativos e eu não tenho vontade nenhuma de sair da cama. É simplesmente absurdo, avassalador e inexplicável! E como se já não bastasse tudo isso, acabo me colocando como vítima e me questionando o porquê isso acontece comigo… Oh, Deus! (rsrsrs vitimização para descontrair). A minha cabeça entra em uma dinâmica tão intensa que, para não entrar em colapso, eu durmo. E durmo muito! Já comprovei que em momentos de grandes estresses eu simplesmente desligo, cai o disjuntor sabe!?

E durante muito tempo nessas crises, eu não percebia que existia algo errado, ficava me julgando ser preguiçosa, aquela que desistia de tudo sempre, a sem força de vontade, mas isso só piorava o quadro, pensava: “Caralho, sou uma bosta de pessoa mesmo! A culpa de nada dar certo é só minha!”. Quem convive de pertinho comigo sabe o quanto eu sou uma pessoa palhaça, otimista, que sempre ri das próprias presepadas e enxerga o copo meio cheio, então, esses rompantes não combinam nada com o meu jeito de ser.

Em 2013, eu fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade e fiz tratamento durante 8 meses, com remédios controlados e terapia
Foi uma fase muito difícil, que, hoje tenho certeza, contribuiu diretamente para o fim do meu casamento de quase 7 anos. Nem eu, nem meu ex-marido soubemos lidar com aquele momento. Essa é outra questão, normalmente as pessoas próximas não sabem muito bem como ajudar. Assunto para outro artigo. Só sei que me senti bem, tive alta e a vida seguiu.

Recentemente comecei a reviver alguns episódios de crises que tive lá em 2013 e isso me preocupou muito. Mas toda a minha bagagem desses 5 anos me fez olhar para as coisas com um pouco mais de calma e clareza. Estou vivendo de uma forma cada vez mais ativa a jornada do autoconhecimento e isso tem me dado uma certa autonomia para identificar situações. E com essa história de Setembro Amarelo, de casos de suicídio que chegaram a mim recentemente e uma conversa sobre o tema com a minha mãe, que olhou para mim com aquela carinha amorosa querendo disfarçar a preocupação e disse: “Filha, pelo amor de Deus, se algum dia passar algo desse tipo na sua cabeça, por favor, fala comigo, me pede ajuda!” (uma pausa para: CARA, MINHA MÃE É FODA!), minha cabeça ficou a milhão e cheguei em algumas conclusões.


Desde a adolescência, eu já tive tantos momentos de dores emocionais intensas, aquelas de faltar ar, o coração acelerar ao ponto de achar que eu ia enfartar, com a cabeça parecendo que ia explodir, que a minha vontade era mesmo simplesmente sumir, desaparecer e fazer algo para acabar com aquela dor, é um desespero surreal. E eu fazia! Eu ia dar um rolê e, quando ganhei autonomia, viaja ou me mudava de cidade. Nunca tive vontade de acabar com a minha vida, mesmo porque aquele otimismo todo sempre me fez acreditar que tudo passaria e que eu seria feliz vivendo como eu queria, mas de alguma forma eu achava que, se estivesse em um lugar longe do que eu acreditava estar vivendo, o sofrimento acabaria.

E isso durou por muito tempo, muito mesmo. Até eu finalmente entender que tudo o que acontece está dentro de mim e que não importa o lugar do mundo que eu escolha recomeçar, sempre vou levar tudo junto. Doeu me deparar com isso, porque é sempre mais fácil colocar a culpa dos nossos problemas nos outros. Aquela famosa projeção. Hoje, vejo o quão “imatura” eu fui, o quão adormecida eu estava, quantas brigas e lágrimas poderiam ter sido poupadas e quantas mágoas evitadas. Mas também sem elas, hoje, muito provavelmente, eu não estaria aqui escrevendo este texto.

Então, o que eu quero dizer é que existem muitas formas de cometer suicídio sem necessariamente matar o corpo físico. Alguns exemplos mais comuns que vemos por aí são: se distanciar daqueles que amamos, aceitar relacionamentos abusivos, trabalhar com algo que não gostamos, não viver a nossa verdade…

Entenda, está tudo aqui dentro da gente e não somos obrigados a resolver sozinhos, não. Podemos e devemos pedir ajuda quando as coisas não estiverem indo bem. Mas ter a clareza de que tudo será usado como ferramenta para que tenhamos força e autonomia de transformar todo sofrimento em felicidade é fundamental. E, sim, leva tempo e será uma tarefa para o resto da sua linda e magnífica vida!

Eu ainda tenho dias de não querer levantar da cama, ainda tenho dias de vitimização. Sinceramente, não sei se é transtorno de ansiedade, depressão ou alguma outra coisa, só sei que jamais vou desistir e escrevi este texto (que não foi fácil, só registrando) para pedir para que você também não desista. Não importa como, apenas continue… Eu escolho todos os dias dizer sim para a minha vida! E você?


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Sobre o autor

Carolina Zambelo

Carolina Zambelo

Jornalista, aquariana, mãe do Dudu (um maltês de 6 anos), tia da Bella e do Matheus, otimista por vocação, muita fé em Deus e na vida e sempre em busca da minha melhor versão.

Desde pequena sou ligada aos assuntos que envolvem esse mundo “oculto”, sempre acreditei em forças superiores e que a vida é algo muito além do que nossos olhos são capazes de enxergar, pelo menos, os olhos físicos.

Como um ser que ainda não se iluminou, coleciono tropeços, lágrimas, recomeços, mas também acertos lindos, sorrisos e muito amor!

Meu desejo é que meus conhecimentos humanos, espirituais e profissionais possam levar muita coisa boa para o maior número de pessoas possível e transformar vidas. Inclusive, foi por esse motivo, que ainda criança, decidi ser jornalista. Sempre acreditei que a informação revoluciona e é capaz de mudar o mundo.

Que essa missão perpetue e que seja incrivelmente linda para todos nós.

Gratidão. Namastê!

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