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Síndrome do pânico será a doença do ano por causa do coronavírus

Mulher sentada na cama do quarto, abraçando seus joelhos, de cabeça baixa.
123RF/Rafael Ben-Ari
Fabiano de Abreu
Escrito por Fabiano de Abreu

Como superar a tristeza para não chegar à síndrome? Vivemos em uma época em que o pânico vira cenário e a realidade pode trazer consequências, por vezes graves, à saúde dos indivíduos.

“O pânico cria realidades alternativas que dificultam a racionalidade. Embora não estejamos, por enquanto, a viver uma situação de pânico generalizada, essa situação pode vir a acontecer. Tal cenário pode resultar em efeitos adversos tanto num modo global quanto de um modo muito pessoal”, alerta Fabiano.

O filósofo esclarece que a conjuntura atual favorece o aparecimento de síndromes relacionadas ao pânico e que o isolamento pode ser a ignição desses transtornos. Vejamos: “Por essa razão, a síndrome do pânico será uma doença que irá afetar muitas pessoas, dada a realidade atual.

Menina sentada em uma cadeira na sala, olhando pela janela.
Unsplash/Anthony Tran

A ideia de isolamento causa transtorno e mais ainda se nós depararmos a incerteza de quando terminará. A liberdade global que vinha sendo construída choca com essa nova vivência. As plataformas de mídias sociais lançam alertas a todo o momento, saturam de informações que aos poucos começam a angustiar, a colocar em nós um mal-estar permanente e uma tristeza instalada. Se a isso juntarmos outras condições das quais já somos portadores, como é o caso das pessoas hipocondríacas, todo o panorama geral piora. Conseguimos imaginar o que será o mundo neste momento para quem sofre com esse tipo de síndrome. Nesses casos, o pânico pode chegar a extremos, ultrapassando a barreira, o limite e pode resultar até mesmo em tragédias.”

A forma como cada um responderá perante essa situação está relacionada com a personalidade e o percurso de vida, como nos explica Fabiano: “Cada um tem o comportamento reflexivo de acordo com a sua personalidade, resultado da sua história de vida, suas experiências e suas nuances psicológicas. Há quem, em pânico, vá saquear; outros tentem atingir o próximo de alguma maneira e uns até poderiam se matar. A cultura do indivíduo implica nas suas consequências e a cultura vem de uma união de fatores na sua vida. Na Espanha, teve casos de pessoas pedindo para serem presas.

Haverá pessoas que, quando confrontadas com algo alarmante, veja seu nível de fobia e de pânico crescer tanto, a ponto de experienciar sintomas físicos de doenças. Pessoas podem ficar com náuseas, mesmo sem chegar ao vômito, sentir dormência nos membros, dificuldade de locomoção, formigamento, entre outras. Convém relembrar que mesmo que os sintomas não estejam relacionados a uma doença mais séria e concreta, estão de fato a acontecer naquele indivíduo. É o pânico a tomar conta dele, ganhando o terreno da racionalidade. Já estou a receber inúmeros casos de pessoas que chegaram a desmaiar nesta semana. ”

Outro importante aspecto é a consequência que o pânico tem a nível mental e como pode se traduzir numa doença mais grave. O psicanalista explica o processo: “O pânico também pode ocasionar problemas mentais, como acionar uma doença pré-existente que precisava de um um pico no sistema nervoso para aparecer. Também pode ocasionar problemas cardíacos e traumas psicológicos que afetarão a vida da pessoa. Uma coisa é certa: o pico de pânico resultará em uma mudança do indivíduo, seja leve ou mais forte, e não há ninguém que não possa alterar algo na própria vida devido a essa experiência. Somos o resultado dos impactos da história da humanidade, como guerras e surtos de doenças. Esse impacto fica impresso no nosso código genético e é passado de geração a geração. Nada, absolutamente nada, que acontece em nossas vidas passa despercebido para nossa vida presente ou de futuras gerações.”

Mulher sentada do lado da cama, no chão, chorando.
Unsplash/Claudia Wolff

Apesar dos tempos difíceis e da incerteza em que vivemos, ceder não deve nunca ser uma opção. Devemos, antes, nos adaptarmos à nova realidade e tirar o maior partido possível dela. Fabiano aconselha: “Partindo dessa conjunção, há pequenas coisas que podemos começar a fazer para que a rotina diária se torne mais leve e proveitosa. Primeiramente, para controlar o pânico, devemos buscar informações de maneira consciente, avaliar possibilidades e utilizar nossa inteligência emocional para que, com o uso da razão e da racionalidade, possamos avaliar o conteúdo da informação e buscar sempre o lado positivo, mesmo em uma tragédia. Por exemplo: o coronavírus é perigoso? Sim, mas mata menos do que muitas outras doenças. Se nos mantivermos imunes, sobreviveremos. O mundo não vai acabar. No trabalho, a crise preocupa? Faça uma gestão de crise e a utilize a seu favor. Busque o ponto de equilíbrio para meditar sobre o que precisará ser feito e como buscar soluções para que seja menos afetado por esses males. Crie outras estratégias, use o tempo livre para fazer um balanço da sua vida profissional e faça os ajustes necessários. Procure novas opções de negócios e esteja atento às medidas e às leis que o país vai emitindo. Isso vai lhe dar a sensação de que a sua vida laboral não está parada e de que você está lutando por ela. Use o tempo para reforçar laços familiares, conversem sem pressa, façam atividades juntos, discutam em conjunto planos do que fazer quando tudo terminar. Aproveite esse tempo para se desligar um pouco do virtual e viva o real com a sua família. Procure lugares nos quais possa se conectar com a natureza, como o jardim da sua casa ou um pequeno parque. Estar em contato com a natureza é calmante, relaxante e nos enche de esperança. A maioria das pessoas não tem tempo no seu dia a dia para aproveitar momentos assim.”

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A atitude positiva em relação às adversidades é sempre a melhor opção e confere mais força à luta! É preciso fazer com que cada dia conte e tenha significado.

“Vamos encarar essas circunstâncias como dias de fazer um reset e colocar tudo no lugar, mas sem ceder à preguiça. Devemos nos manter ativos para que a rotina a que estávamos habituados não desapareça totalmente. Lembre-se de que para tudo na vida há um jeito, só não há para a morte. Nós, humanos, passamos por crises e pandemias ao longo da história, mas sobrevivemos. Dessa vez não será diferente. Somos altamente resistentes e adaptativos.

Tantos superaram a Primeira e Segunda Guerra Mundial, tantos passaram pela lepra, pela tuberculose, pela peste bubônica…

A vida sempre se reinventa e se renova.

Pois assim será: resistência, resiliência e sobrevivência!”, remata o especialista em estudos da mente humana Fabiano de Abreu.

Sobre o autor

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu

Fabiano de Abreu Rodrigues é um jornalista, psicanalista, neuropsicanalista, empresário, escritor, filósofo, poeta e especialista em neurociência cognitiva e comportamental, neuroplasticidade, psicopedagogia e psicologia positiva.

Proprietário da agência de comunicação e mídia social MF Press Global, é também um correspondente e colaborador de várias revistas, sites de notícias e jornais de grande repercussão nacional e internacional.

Atualmente detém o prêmio do jornalista que mais criou personagens na história da imprensa brasileira e internacional, reconhecido por grandes nomes do jornalismo em diversos países. Como filósofo, criou um novo conceito que chamou de poemas-filosóficos para escolas do governo de Minas Gerais no Brasil.

Lançou os livros “Viver Pode Não Ser Tão Ruim”, “Como Se Tornar Uma Celebridade”, “7 Pecados Capitais Que a Filosofia Explica” no Brasil, Angola, Paraguai e Portugal. Membro da Mensa, associação de pessoas mais inteligentes do mundo, Fabiano foi constatado com o QI percentil 99, sendo considerado um dos maiores do mundo.

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