Budismo Espiritualidade

Termo budista: Os oito ventos (Happu)

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

O termo Happu, ou oito ventos, foi elucidado por Nitiren Daishonin no século 12 aos seus discípulos e as pessoas que estivessem interessadas em ouvir seus incentivos e sabedoria.

Foi uma carta escrita com esse termo para um discípulo em especial chamado Shijo Kingo, posteriormente abrangido para todas as pessoas.

Parte do conteúdo da carta

“…Um homem verdadeiramente sábio não será arrebatado por nenhum dos oito ventos: prosperidade, declínio, desgraça, honra, elogio, censura, sofrimento e prazer. Ele não se inflama com a prosperidade nem se desespera com o declínio. Os deuses celestes seguramente protegerão aquele que não se curva diante dos oito ventos”

(As Escrituras de Nitiren Daishonin, v. III, p. 201–202.).

Os oito ventos é uma metáfora que o buda Nitiren que diz sobre oito condições que impedem o avanço da vida das pessoas, que as impedem de alcançar a felicidade absoluta.

Podemos interpretar cada uma delas da seguinte forma:

  • Prosperidade: prosperar por meio de ganhos ou vantagens.
  • Honra: receber elogios ou ser clamado pelas pessoas.
  • Louvor: ser louvado pelas pessoas à sua volta. 
  • Prazer: experimentar prazer físico e mental.
  • Declínio: sofrer diversos tipos de perdas ou desvantagens.
  • Desprezo: ser desprezado pelas pessoas.
  • Censura: ser difamado pelas pessoas.
  • Sofrimento: experimentar sofrimento físico e mental.

1 – A prosperidade
São todas as formas de lucros e ganhos. Representa a busca incessante pelo progresso material, profissional ou financeiro. A prosperidade torna-se negativa no momento em que cega a pessoa para uma vida de acordo com a “conduta correta”.

2 –  Declínio
Significa enfraquecimento e perda. Desmotivadas pelas condições de vida desfavoráveis, as pessoas tendem a perder a energia e a coragem, desviando-se da conduta correta.

3 – A honra
Sentimento que representa satisfação por conquistar a consideração daqueles ao redor. Porém, sua distorção leva à arrogância e ao autoritarismo, ou seja, a pessoa não vive de acordo com a conduta correta.

4 – A desgraça
Condição de uma pessoa que perdeu a credibilidade e o respeito dos outros. Essa perda é provocada por dois tipos de situações. O primeiro tipo: a pessoa perde o respeito por falhas ou atitudes praticadas por ela mesma. Segundo tipo: intrigas e difamações de pessoas ao redor motivadas por inveja ou rancor.

5 – O elogio
Enaltecimento expresso por meio de palavras ou gestos. Mas essas manifestações podem se tornar prejudiciais quando as pessoas passam a depender disso, condicionando seu avanço ou ação ao reconhecimento dos outros.

6 – A censura
Repreender ou insultar. Há pessoas que, ao ser repreendidas ou orientadas com rigorosidade, acabam desanimando ou se irritando com as outras, afastando-se delas e até da prática budista.

7 – O prazer
Qualquer tipo de atividade prazerosa que desvie a pessoa da conduta correta.

8 – O sofrimento
Dor física e espiritual que nos leva a desanimar na prática budista e a ter pensamentos destrutivos.

Geralmente, as pessoas buscam os quatro ventos favoráveis (Prosperidade, Honra, Louvor e Prazer) e tentam evitar os quatro ventos adversos (Declínio, Desprezo, Censura e Sofrimento).

buddha statue sculpture with golden face in temple buddhism

Porém mesmo que experimente os quatro ventos favoráveis, estes são momentâneos e não passam de felicidade relativa, de um prazer de momento que passam rápido e que nos fazem sofrer. Ao passo que não podemos nos permitir sofrer pelos ventos desfavoráveis. É natural que um ou mais desses ventos se apresentem em nossa vida e em nosso dia a dia, e através de um exemplo de conduta, espiritualidade e determinação que podemos viver de forma inabalável, sem tombarmos diante de nenhum vento.

Caso permitamos que nossa vida seja levada pelas situações de ganho ou perda a curto e médio prazo, corremos o grande risco de nos tornarmos obcecados somente com as aparências em questões que não valem a pena, em questões superficiais em nossa vida, assim descartando coisas que realmente importam, ou seja, seremos derrubados pelos ventos.

E, dessa forma, não suportaremos quando formos confrontados pelos momentos turbulentos de mudanças da época. O importante é edificarmos um sólido ‘eu’ que não seja levado ou influenciado pelos oito ventos. As pessoas sábias são aquelas que não são levadas pelos oito ventos.

Como seres humanos, não há problema em aproveitar os prazeres que a vida pode proporcionar, ou buscar a honra e a prosperidade para ter uma vida digna repleta de felicidade, o maior problema está no apego demasiado aos ventos favoráveis e fugir dos ventos desfavoráveis, o que resulta numa utopia.

O mais importante é viver uma vida de equilíbrio e discernimento, com base na fé e ações contínuas, fazendo  com que nenhuma questão seja maior que a determinação de ser feliz.

Conclusão

O filósofo e pacifista Dr. Daisaku Ikeda conclui: “Se nos basearmos na natureza do Dharma, então, independentemente de sermos ou não elogiados ou censurados, podemos usar tudo como uma oportunidade para obter mais êxitos. Por outro lado, se somos dominados pela ignorância, então tudo isso se torna motivo para cairmos nos maus caminhos. O coração é o mais importante. Nitiren Daishonin escreve a Shijo Kingo: ‘Sofra o que tiver de sofrer. Desfrute o que existe para ser desfrutado. Considere tanto o sofrimento como a alegria como fatos da vida e continue orando Nam-myoho-rengue-kyo [Mantra Budista], não obstante o que aconteça’. Essas palavras possuem um grande significado. Tanto nos momentos de alegria como nos de tristeza, devemos recitar as orações, avançar e vencer ainda mais. Esse é o caminho de um mestre da vida. Se vivermos com esse espírito, poderemos dissipar todo sofrimento”.


  • Escrito por Bruno Melo da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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