Convivendo

Verdades ou crenças?

Bússula com seu ponteiro apontando para a palavra "Faith", "fé" em inglês
Lilian Campos
Escrito por Lilian Campos
Ainda pequenos, ouvíamos nossos pais e tínhamos neles a imagem dos detentores da verdade, afinal eram nossos pais! Suas palavras, crenças e ensinamentos não podiam ser contestados! Mais tarde, mergulhávamos em um novo mundo, os primeiros anos de escola e, mais uma vez, nos encontrávamos entre figuras que detinham a verdade. E nós? Nós ouvíamos, aprendíamos e absorvíamos o que nos falavam.

Os tempos mudaram, nós crescemos, nos formamos, nos estabelecemos profissionalmente, casamo-nos, constituímos família e carregamos nas costas várias daquelas “verdades” que nos ensinaram na infância.

Mas qual é o problema em continuarmos acreditando em verdades que não são tão verdadeiras como gostaríamos que fossem?

Não há problema algum, desde que essas verdades tenham sido averiguadas por nós, não impeçam nosso crescimento, não embotem nossas mentes e não nos mantenham estagnados em crenças que agora bloqueiam nossos relacionamentos, desenvolvimento e crescimento.

O problema é que a maioria de nós carrega crenças, hábitos, manias e até vícios que nos foram ensinados, demonstrados e exemplificados na infância, momento no qual não tínhamos a capacidade para compreender, discernir e debater, apenas aceitávamos.

Se na infância éramos obrigados a aceitar certos padrões, crenças, manias e estilos de vida, hoje somos donos de nossas escolhas, temos a capacidade de compreender, discernir, debater, aceitar ou negar, no entanto, muitos de nós vivem engessados naquelas “verdades” que nos contaram quando crianças, fazemos escolhas, tomamos sérias decisões influenciados por crenças errôneas que já não condizem com o momento atual, nosso estilo de vida ou modo de ser.

Barco de papel sobre o oceano sendo carregado por navio

E como fazer para rompermos com essa prisão feita de crenças?

O primeiro passo é sabermos que temos nossos próprios pensamentos e que eles seguem a linha que nós determinamos, ou seja, não somos obrigados a continuar pensando como nos ensinaram.

O segundo passo é avaliarmos se todas as verdades que nos contaram são coerentes. Precisamos duvidar, investigar, refletir e finalmente decidir se vale a pena continuarmos seguindo uma verdade que não é nossa.

Lembro-me de uma colega que detestava certo personagem de tv. Um dia, perguntei por que ela detestava e a resposta foi: “não sei! Quando era pequena meu pai não gostava, então aprendi a não gostar”. Aquela resposta me intrigou, pois lembrei que eu também não gostava de certos personagens pelo mesmo motivo que ela. Chegando em casa, decidi que assistiria a alguns programas com aqueles que eu julgava ruim porque me ensinaram que era ruim. Para minha surpresa, percebi que eu gostava, mas a crença colocada em minha cabeça quando ainda era criança me fazia acreditar que era ruim.

O terceiro passo é estarmos atentos a nossos pensamentos, crenças, manias, hábitos e modo de vida, assim perceberemos o quanto estamos presos ao que nos ensinaram e essa percepção permitirá que façamos a escolha de continuar ou mudar o padrão repetitivo que trazemos desde a infância.

Quarto passo: lembrarmos ou observarmos os hábitos e crenças de nossa família. É comum que carreguemos pela vida inteira crenças de nosso país, avós e tios. Essas crenças podem ser muito boas para eles, mas para nós, talvez não sejam as melhores.

A importância de identificar nossas verdades

É importante aprendermos a separar o que é nosso, relativo ao nosso modo de pensar e ser, e o que é de fora e que se mantem em nós por porque nos foi ensinado.

Essa consciência permite que cheguemos mais perto do que realmente nos faz felizes e nos leva ao conhecimento de nossos pontos positivos e negativos. Livres das crenças errôneas que carregamos, estaremos prontos para pensar, decidir, viver e experienciar nossas vidas a partir de nossas verdades, assumindo com maturidade a responsabilidade sobre nossas escolhas. Sendo mais leves e vazios de crenças, poderemos nos aproximar da nossa verdadeira essência.

Sobre o autor

Lilian Campos

Lilian Campos

Escritora, filósofa, aluna, esposa, irmã e curiosa incansável, apaixonada por leitura, psicanálise, espiritualidade e por todas as formas de autoconhecimento.

Em meus mestres encontrei o exemplo, o amor, a força, a alegria, a determinação e principalmente um caminho de luz. Em meu companheiro de jornada encontrei a mão estendida que me apoia durante a caminhada.

Assim sigo esta vida, buscando aprendizados que me tornem um ser humano melhor, consciente de que a perfeição ainda está distante.

Acredito sinceramente que a mudança do mundo começa em nós, e só acontece por meio de nossos exemplos.

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