Autoconhecimento

Você está vivendo o propósito do seu verdadeiro eu?

Homem em campo verde olhando para o pôr-do-sol
Renata Silveira
Escrito por Renata Silveira
Começamos a vida procurando aprovação de quem amamos. Há uma pressão social em que o aprendizado nas escolas se torna uma carga tão grande que nos distanciamos de nossas verdadeiras aspirações. Aos 17 anos não temos domínio de quem somos, mas é necessário escolher uma carreira que determinará o rumo de nossa vida. A sociedade e o sistema exigem que nos construamos em um único formato servido e nos adaptemos às exigências que são impostas pelos nossos pais, familiares, amigos, pela sociedade e pelo nosso ego.

“Me formei em medicina para realizar o sonho dos meus pais.” Essa é uma de tantas outras falas que ouvimos em conversas cotidianas. As falas não são dos autores, são das pessoas e coisas que fizeram deles o que são. Mesmo que não percebam, o verdadeiro “eu” está gritando para ser salvo embaixo do entulho alheio.

Homem em ponte olhando para o horizonte

Há um conceito filosófico que aborda a identidade pela subjetividade. Jean-Paul Sartre acredita que muitas de nossas escolhas acabam sendo influenciadas pela sociedade, e nem sempre isso traz sofrimento imediato à alma. No início, é normal ter o sentimento de pertencer àquilo em um determinado período. Depois de algum tempo, as coisas, as pessoas, as roupas, as situações e os lugares já não fazem sentido. As crenças limitantes acabam barrando o nosso crescimento pessoal e nos vemos perdidos. Uma tóxica atmosfera de aprisionamento se torna tangível e a única solução é se reconstruir e procurar o nosso verdadeiro eu.

“O importante não é aquilo que fazem de nós, mas o que nós mesmos fazemos do que os outros fizeram de nós.” Jean-Paul Sartre

Avenida com faixa de pedestre e pessoas atravessando

Cada vez que somos desconsiderados como seres únicos – com peculiaridades que devem ser respeitadas –, nos inserimos mais e mais em um objeto predefinido. Nos abstraímos de nós mesmos e seguimos uma vida sem propósito, o que se perpetua de geração em geração, como em uma doença hereditária.

Não somos marionetes, mas existem cordas a serem cortadas. Despir-se dessa camada que reveste o nosso verdadeiro eu é essencial para encontrarmos nosso real propósito. Por mais que tenha sido influenciada pela sociedade e por outros n fatores correlacionados, nossa essência sempre estará ali, no núcleo de todo o nosso ser.

Mulher sentada em pedras com mar ao fundo

É importante dizer que todas as influências que já te cercaram não são desprezíveis. Descartar todo o aprendizado que já adquiriu, esquecer de todos os problemas que já te derrubaram e por todas as vezes que você levantou para tentar de novo não é o ideal. Mas, muitas vezes, os traumas fazem com que o nosso passado interfira direta e indiretamente em nossas tomadas de decisões.

“Ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente não se pode encontrar as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou.” Heráclito de Éfeso

Homem pulando em rio

Lembre-se de Heráclito quando estiver embarcando em uma nova jornada: as situações podem até parecer iguais, mas nunca serão de fato algo já vivido. Posso ser hoje infinitas consequências de quem amei, do que cursei, dos bens que conquistei, dos traumas que passei. Considere seu passado, sim, mas anule-o quando estiver tomando novas decisões, quando estiver de frente para o novo. Quando for entrar no rio fluido, seja quem você é hoje e exclua tudo o que fizeram de você no passado, e assim conseguirá seguir o seu próprio destino.

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Um de nossos objetivos na terra é buscar o autoconhecimento, é achar o nosso propósito e a nossa essência. Nascemos com ela, mas passamos uma vida redescobrindo-a. Para iniciar uma nova jornada, limpe os escombros que deixaram na casa de seu ser. A partir de agora, quem entra, entra descalço, e não deixe nada que atrapalhe o seu trajeto rumo ao autoconhecimento, rumo aos seus verdadeiros ideais.

Sobre o autor

Renata Silveira

Renata Silveira

Sou uma jornalista multifacetada. Gerente de projetos, amante da filosofia, pisciana e, nas horas vagas, escritora.

Escolho escrever sobre comportamento humano e desenvolvimento pessoal com o intuito de suprir minha verdadeira paixão, que é o autoconhecimento ligado à filosofia. Não há conhecimento sem reflexão, e não há reflexão sem o estudo da existência humana.

Sou curiosa e acredito que experimentar universos diferentes do meu me revela novas identidades. Por isso, busco na quebra de convicções minhas ressignificações.

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