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Quando a Síndrome de Impostora evolui com você

Uma mulher jovem e negra está em destaque na imagem. Ela está com as duas mãos perto da boca e expressa a feição de medo.
Vkstudio / Canva
Escrito por Giselli Duarte

A síndrome de impostora some quando você cresce… ou só muda de forma? Por que o medo aumenta junto com o sucesso, trava decisões e impede você de avançar? Descubra o que está por trás disso e siga lendo para entender como sair desse ciclo.

Você achava que quando seu negócio crescesse, quando você começasse a faturar bem, quando tivesse clientes, a síndrome de impostora ia embora.

Não foi.

Ela só ficou mais sofisticada.

Antes, você tinha medo de não ser boa o suficiente. Medo de não conseguir clientes. Medo de falhar.

Agora você tem clientes. Você fatura. Você construiu algo.

E o medo continua. Só mudou de roupa.

Agora você tem medo de contratar. Porque se você contratar alguém e essa pessoa for melhor que você, todo mundo vai perceber que você não é tão boa assim.

Você tem medo de cobrar mais. Porque cobrar mais significa se expor mais. E se as pessoas descobrirem que você não vale aquilo?

Você tem medo de crescer. Porque crescer significa ser vista. E ser vista significa correr o risco de ser descoberta como fraude.

E, enquanto você fica presa nesses medos, seu negócio não sai do lugar.

A síndrome de impostora muda de fase

No começo, a síndrome de impostora é óbvia. Você se sente pequena. Acha que não sabe nada. Que todo mundo é melhor que você.

Aí você trabalha. Estuda. Se esforça. Conquista resultados. E, aos poucos, vai construindo confiança.

Mas a síndrome não morre. Ela se adapta.

Uma mulher de meia idade está sentada e com a cabeça encostada em uma poltrona. Ela está desanimada ou triste.
Karola G / Pexels / Canva

Na fase seguinte, ela aparece disfarçada de humildade. Você fala “ah, eu só tive sorte”, “não foi nada demais”, “qualquer um faria isso”.

Você diminui suas conquistas. Não comemora. Não se permite reconhecer que você é boa no que faz.

E depois vem a fase mais traiçoeira: a síndrome de impostora que te impede de escalar.

Você já provou que consegue. Já tem resultados. Já tem clientes satisfeitos. Mas não consegue dar o próximo passo.

Porque o próximo passo exige que você se posicione como autoridade. Que cobre valores maiores. Que contrate pessoas. Que delegue. Que confie.

E você não consegue.

Por que você não consegue contratar?

Contratar alguém significa admitir que você não dá conta de tudo sozinha. E para quem construiu tudo do zero, isso parece fraqueza.

Você sempre foi a que resolvia. A que fazia acontecer. A que não precisava de ninguém.

Delegar parece perder controle. E perder controle te assusta.

Mas tem outra coisa por trás: você tem medo de contratar alguém melhor que você.

Porque se você contratar alguém que escreve melhor, que fala melhor, que organiza melhor, as pessoas vão perceber que você não era tão especial assim.

Então você não contrata. Continua fazendo tudo. E se mata de trabalhar para manter a ilusão de que você é indispensável.

Mas a verdade é: você só é indispensável porque não deixou ninguém mais fazer.

Por que você não consegue cobrar mais?

Você sabe que seu trabalho vale mais. Você vê outras pessoas cobrando o dobro do que você cobra. E entregando menos.

Mas você não aumenta o preço.

Uma mulher jovem está trabalhando no seu notebook. Ela coloca as duas mãos nas têmporas, indicando estar cansada, estressada ou desanimada.
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Porque aumentar o preço significa se colocar em outro patamar. E você não tem certeza se pertence a esse patamar.

Você pensa: “E se ninguém pagar? E se descobrirem que eu não valho tanto?”

Então você mantém o preço baixo. Para não correr risco. Para não ser rejeitada. Para não precisar provar que realmente vale aquilo.

Mas preço baixo não te protege. Preço baixo só atrai cliente que não valoriza seu trabalho. Que barga. Que reclama. Que te desgasta.

E você continua trabalhando demais, ganhando de menos, se sentindo impostora.

Por que você tem medo de crescer?

Crescer significa ser vista. Significa aparecer. Significa não poder mais se esconder.

E você não quer ser vista. Porque, se te virem de verdade, vão descobrir que você não é tão boa quanto parece.

Pelo menos é isso que a síndrome de impostora te faz acreditar.

Então você sabota. De formas sutis. Não divulga. Não se posiciona. Não cobra o que vale. Não contrata. Não delega.

E o negócio fica estagnado. Não porque você não é capaz. Mas, porque você não se permite ser capaz.

O que a psicanálise diz sobre isso

A síndrome de impostora tem raiz profunda. Vem da infância, das mensagens que você recebeu sobre o que merece ou não merece ter.

Se você cresceu ouvindo que precisa se esforçar muito para merecer algo, que sucesso vem só com sacrifício, que você precisa provar seu valor o tempo todo, carrega isso até hoje.

Uma mãe e um pai estão sentados em um sofá junto com sua filha criança. A menina está de costas para eles e está emburrada. Eles olham para ela com feições sérias.
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Você construiu um negócio. Mas continua achando que precisa provar que merece estar ali.

E, como nunca é suficiente, você nunca se permite relaxar. Nunca se permite cobrar mais, contratar, crescer.

Porque, no fundo, você ainda é aquela criança tentando provar que é boa o suficiente.

A psicanálise também fala sobre identificação. Você se identifica com a versão de você que construiu tudo sozinha, que batalhou, que se sacrificou.

E crescer significa matar essa versão. Significa virar outra pessoa. Alguém que delega, que cobra caro, que tem equipe.

E isso assusta. Porque você não sabe quem você é sem o sacrifício.

Como sair disso

Primeiro: reconhece que a síndrome de impostora está te sabotando. Que não é falta de competência. É medo disfarçado.

Segundo: entende que você já provou. Você tem resultados. Tem clientes satisfeitos. Tem histórico. Você não precisa mais provar.

Terceiro: comece a tomar decisões do lugar de quem você quer ser, não de quem você foi.

Quer escalar para 50k, 100k por mês? Então, age como quem já está lá. Cobra como quem já está lá. Contrata como quem já está lá.

Quarto: busque ajuda. Terapia, mentoria, alguém que já passou por isso e pode te mostrar que dá para crescer sem se destruir.

Porque sozinha, você vai continuar rodando no mesmo lugar. Trabalhando muito, ganhando pouco, se sentindo fraude.

Seu negócio não vai crescer enquanto você estiver presa

Você pode ter a melhor estratégia do mundo. Pode saber exatamente o que fazer.

Mas se você não resolver o que está travando você por dentro, não vai aplicar. Vai sabotar. Vai encontrar desculpas. Vai continuar no lugar seguro.

E o lugar seguro não paga as contas que você quer pagar. Não te dá a vida que você quer ter. Não te liberta.

Seu negócio precisa crescer. Mas antes, você precisa se permitir crescer.

Se permitir contratar sem medo de ser substituída. Se permitir cobrar mais sem medo de ser rejeitada. Se permitir aparecer sem medo de ser descoberta.

Porque você não é fraude. Nunca foi.

Você só acreditou que era. E essa crença te mantém pequena.

Está na hora de soltar.

Sobre o autor

Giselli Duarte

Sempre fui movida pela curiosidade e pela busca constante por aprendizado. Minha trajetória percorreu diferentes áreas, da carreira corporativa a experiências menos convencionais, como um curso de DJ. Esse caminho diverso ampliou meu repertório e me trouxe a compreensão de que cada fase contribui de forma concreta para o trabalho que realizo hoje.

Com espírito empreendedor desde cedo, iniciei minha vida profissional aos 14 anos como jovem aprendiz e, aos 21, legalizei meu primeiro negócio. Desde então, criei, conduzi e participei de projetos diversos, sempre unindo visão estratégica, organização e consistência na execução.

Atuo na interseção entre marketing, negócios e comportamento humano, apoiando profissionais e empresas na construção de estratégias claras, posicionamento consistente e processos de crescimento bem estruturados. Ao longo da minha trajetória, trabalhei como profissional PJ em projetos para empresas de diferentes segmentos, como engenharia, startups, agências de comunicação e administração de condomínios. Essa vivência trouxe uma visão prática sobre modelos de negócio, tomada de decisão, estrutura e posicionamento em contextos variados.

Sou formada em Marketing, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, pós-graduação em Design Gráfico e Inteligência Artificial aplicada a Growth Marketing. Em paralelo, aprofundei meus estudos em comportamento humano, autoconhecimento e processos de autorregulação, com formações e pós-graduações em Psicanálise Clínica, Constelação Familiar Sistêmica e Inteligência Emocional.

A experiência com o burnout foi um ponto de inflexão na forma como conduzo minha vida e minha atuação profissional. A partir desse momento, o Yoga e a Meditação passaram a fazer parte do meu caminho, levando à formação em Hatha Yoga, à Especialização em Atenção Plena e Educação Emocional, à Formação de Instrutores de Yoga para Crianças, Jovens e Yoga na Educação e Terapias Integrativas. Esse percurso ampliou minha compreensão sobre saúde emocional, atenção e desenvolvimento humano em diferentes fases da vida.

Compartilho esse conhecimento como colunista aqui no Eu Sem Fronteiras. Também atuo como instrutora de meditação nas plataformas Insight Timer e Aura Health, onde desenvolvo práticas e conteúdos em áudio e formato de podcast, voltados ao cultivo de presença, clareza e equilíbrio.

Como autora, publiquei os livros No Caminho do Autoconhecimento, Lado B e Histórias de Jardim e Café, reunindo reflexões e vivências ligadas ao comportamento humano e à forma como nos relacionamos com a vida e o trabalho.

Atualmente, estou à frente da Terapeutas Digitais, uma agência de marketing especializada em profissionais da área terapêutica. Desenvolvo planejamento de marketing, mentoria, estratégia digital, gestão de redes sociais premium e estruturação de posicionamento, comunicação e processos que conectam marca, público e objetivos de negócio.

Minha atuação como mentora de negócios integra marketing, estratégia e autoconhecimento. Parto do princípio de que empreender exige clareza interna, postura e decisões conscientes, e que, muitas vezes, os desafios do negócio estão diretamente ligados à forma como a profissional se posiciona, escolhe e se relaciona com o próprio trabalho.

Também realizo trabalho voluntário como mentora na RME, Rede Mulher Empreendedora, idealizada por Ana Fontes, participando de mentorias pontuais voltadas ao apoio estratégico de mulheres empreendedoras.

Acredito que negócios alinhados com quem somos ganham mais sentido, direção e impacto. É assim que escolho atuar e é esse caminho que sigo construindo.

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