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Por que parar de fumar é tão difícil e o que a neurociência explica sobre isso

Mão aberta em gesto de recusa diante de outra mão oferecendo um maço de cigarros.
Ibrar Hussain / Ibrar Hussain / Canva
Escrito por Carla Marçal

Por que parar de fumar parece tão difícil, mesmo quando a decisão é firme? O cérebro aprende, resiste, reage e pede tempo. Culpa ajuda ou atrapalha? A neurociência lança uma nova luz sobre esse processo silencioso. Continue lendo e entenda melhor.

Parar de fumar costuma ser descrito como uma decisão de força de vontade, mas a neurociência mostra um cenário bem diferente. O tabagismo se mantém porque altera circuitos cerebrais ligados à recompensa, ao alívio da tensão e à memória emocional. Entender esse funcionamento ajuda a reduzir a culpa, o autojulgamento e a sensação de fracasso que muitas pessoas carregam após várias tentativas.

A nicotina age rapidamente no cérebro. Em poucos segundos após a inalação, ela alcança áreas profundas responsáveis pela liberação de dopamina, um neurotransmissor associado à sensação de prazer, motivação e alívio. O cérebro aprende rápido. Ele registra o cigarro como um recurso eficiente para regular estados internos, como ansiedade, irritação, tédio ou cansaço mental. Com o tempo, fumar deixa de ser apenas um hábito e passa a funcionar como uma estratégia automática de autorregulação emocional.

Esse aprendizado ocorre por repetição. Sempre que o cigarro é associado a uma pausa, a um momento de relaxamento ou a uma sensação de controle, o cérebro fortalece essas conexões. Aos poucos, situações cotidianas passam a ativar o desejo de fumar, como acordar, tomar café, dirigir, conversar ou lidar com emoções desconfortáveis. O cérebro passa a antecipar a recompensa antes mesmo do ato, gerando fissuras e inquietação.

Quando a pessoa decide parar, o cérebro reage. A ausência da nicotina reduz temporariamente a liberação de dopamina, o que provoca irritabilidade, ansiedade, dificuldade de concentração e sensação de vazio. Esses sintomas costumam ser interpretados como incapacidade pessoal, quando na verdade refletem um sistema nervoso em adaptação. O cérebro precisa reaprender a regular emoções e energia sem o estímulo químico ao qual estava acostumado.

Uma mulher jovem está encostada em um sofá. Ela inclina a cabeça para trás e leva as mãos ao rosto, indicando cansaço, ansiedade ou irritação.
Doucefleur / Doucefleur’s Images / Canva

A neurociência mostra que esse processo exige tempo e suporte. As redes neurais criadas ao longo de anos de uso não desaparecem de forma imediata. Elas enfraquecem à medida que deixam de ser ativadas e novas conexões são formadas. Cada dia sem fumar representa uma pequena reorganização cerebral, mesmo quando o desconforto ainda está presente.

Outro ponto importante envolve a memória emocional. O cérebro associa o cigarro a experiências específicas, como socialização, pausa no trabalho ou alívio após situações tensas. Essas memórias permanecem armazenadas e podem ser reativadas por cheiros, ambientes ou estados emocionais. Por isso, recaídas costumam acontecer em momentos de estresse ou vulnerabilidade emocional, e isso não significa retrocesso total, mas ativação de circuitos antigos que ainda estão presentes.

Parar de fumar envolve aprender novas formas de lidar com emoções. O cérebro precisa descobrir outros caminhos para obter alívio, prazer e descanso. Atividades físicas, práticas respiratórias, terapia psicológica e rotinas de autocuidado ajudam a estimular neurotransmissores semelhantes aos liberados pela nicotina, de forma mais gradual e sustentável. Esse processo reduz a sensação de perda e amplia a capacidade de permanência na decisão.

A atenção também desempenha um papel central. A fissura costuma atingir um pico e depois diminui, mesmo quando o cigarro não é usado. Estudos mostram que observar o desejo, sem agir automaticamente, permite que o córtex pré-frontal, área ligada à tomada de decisão, tenha mais espaço para atuar. Esse treino de observação ajuda o cérebro a criar uma pausa entre impulso e ação, fortalecendo circuitos de autorregulação.

Duas pessoas sentadas frente a frente em uma sessão de conversa terapêutica; uma gesticula enquanto fala e a outra faz anotações em um caderno.
SHVETS Production / Pexels / Canva

O acompanhamento psicológico contribui justamente nesse ponto. A terapia ajuda a identificar gatilhos emocionais, padrões automáticos e crenças associadas ao cigarro. Muitas pessoas fumam para silenciar sentimentos, organizar pensamentos ou se desconectar de pressões internas. Quando essas funções ficam claras, torna-se possível construir alternativas mais conscientes e menos prejudiciais.

Em alguns casos, o apoio psiquiátrico também pode ser indicado. Medicamentos específicos auxiliam na redução da fissura e dos sintomas de abstinência, permitindo que o cérebro atravesse essa fase com menor sofrimento. Essa combinação entre psicoterapia e suporte medicamentoso aumenta significativamente as chances de sucesso, especialmente para quem fuma há muitos anos ou apresenta quadros de ansiedade e depressão associados.

A neurociência também aponta a importância da autocompaixão durante esse processo. Estados constantes de culpa e autocobrança ativam circuitos de estresse, que por sua vez aumentam o desejo pelo cigarro como forma de alívio. Tratar recaídas como parte do aprendizado, e não como falha moral, favorece a reorganização cerebral e fortalece a motivação a longo prazo.

Parar de fumar envolve mudar a relação com o próprio corpo e com as emoções. O cérebro precisa reaprender a descansar, a se concentrar e a lidar com frustrações sem o apoio químico da nicotina. Esse reaprendizado acontece aos poucos, por meio de repetição, paciência e suporte adequado.

Quando a decisão é sustentada por informação, cuidado psicológico e compreensão do funcionamento cerebral, o processo se torna mais possível. A mudança deixa de ser uma luta contra si mesma e passa a ser um caminho de reconstrução interna. O cérebro tem plasticidade, capacidade de adaptação e recursos para criar novas formas de equilíbrio.

Parar de fumar, sob a ótica da neurociência, envolve oferecer ao cérebro condições para se reorganizar. Isso inclui tempo, apoio profissional e práticas que ajudem a regular emoções de maneira mais saudável. Cada passo nesse processo representa uma escolha pela vida, pelo cuidado e pela ampliação da própria consciência.

Sobre o autor

Carla Marçal

De uma carreira de destaque em grandes corporações à busca incansável por um propósito mais profundo, minha jornada de vida tem sido uma busca constante por significado e realização. Como psicóloga integrativa de formação, alcancei o sucesso profissional em níveis diretivos, acumulando todas as conquistas tradicionalmente associadas à felicidade.

No entanto, sempre senti que faltava algo, uma lacuna na minha busca pela plenitude. Paralelamente à minha carreira, mergulhei nos estudos do comportamento humano, obtendo formação como psicodramatista e aprofundando meu conhecimento em coaching, PNL, antroposofia e outras técnicas. Meu objetivo era claro: auxiliar indivíduos e organizações a prosperarem em processos de mudança, humanização e desenvolvimento pessoal e profissional. Mas ainda assim, algo essencial parecia escapar.

Em 2017, um diagnóstico de câncer de tireoide transformou minha vida de maneira profunda. Optei por um período sabático que se revelou um mergulho profundo em busca do meu verdadeiro propósito. Devorei livros, concluí cursos com diversos mentores e explorei todas as ferramentas disponíveis para desvendar meu destino. Foi nessa jornada de autoconhecimento que encontrei o ThetaHealing®, e minha vida deu um giro transcendental.

De cliente, me tornei terapeuta e instrutora oficial dessa incrível técnica. Além disso, obtive a certificação como operadora de mesa quântica estelar e mesa quântica estelar-pets, além de me tornar professora de MQE. Hoje, sou movida por uma paixão ardente pelo que faço, e vivo plenamente de acordo com meu verdadeiro propósito: espalhar luz, boas vibrações, alegria e energias positivas para ajudar pessoas e o planeta a desfrutar de uma vida plena e feliz.

Minha maior realização é auxiliar pessoas e animais a alcançarem a saúde mental, emocional e física que merecem. A transformação de vidas é a essência do meu trabalho, e estou dedicada a disseminar cura, amor e crescimento, proporcionando uma jornada de descoberta e renovação para todos aqueles que cruzam o meu caminho. Acredito que todos podem alcançar um estado de harmonia, e é isso que me impulsiona a continuar, cada dia, nessa incrível jornada de cura e evolução.

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