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Espiritualidade pública e vida privada em conflito: o que os filhos mostram quando algo não está sendo olhado

Uma mãe e uma filha criança estão de costas uma para a outra e sentadas em um sofá. A menina está chateada e a mãe está ignorando-a.
Fizkes / Getty Images / Canva
Escrito por Giselli Duarte

O que acontece quando a imagem pública de equilíbrio não combina com a vida dentro de casa? E quando os filhos começam a expressar o que ninguém quer ver? Até onde vai a coerência entre discurso e prática? Há sinais que pedem atenção urgente. Continue a leitura.

Existe uma diferença grande entre o que se mostra em público e o que se vive dentro de casa. No campo terapêutico, essa diferença costuma ser ainda mais sensível, porque quem orienta o outro também constrói uma imagem de equilíbrio, clareza e domínio emocional.

Nem sempre essa imagem corresponde à vida concreta.

Há terapeutas que falam sobre calma, presença, vínculos saudáveis e prosperidade, enquanto convivem, no cotidiano, com tensão constante, conflitos não elaborados e relações frágeis. Isso é mais comum do que se admite.

Quando essa distância se mantém por muito tempo, ela começa a aparecer em outros lugares. No corpo, na repetição de dificuldades financeiras, na exaustão que não passa… e, muitas vezes, nos filhos.

Crianças e adolescentes reagem ao ambiente emocional com precisão. Eles não filtram, eles expressam. Quando um filho se machuca, se coloca em risco, ou fala em não querer viver ou vive em sofrimento intenso, isso não surge do nada. Algo no entorno está pesado demais para ser sustentado em silêncio.

Uma menina está sentada no chão e encostada em uma parede. Ela está triste e abraça um ursinho de pelúcia.
D-Keine / Getty Images Signature / Canva

O problema se agrava quando o conhecimento terapêutico entra como barreira. Tudo ganha explicação. Tudo vira leitura técnica. Tudo pode ser nomeado, menos o que realmente precisa ser enfrentado. A vida privada passa a ser administrada, não vivida.

Em muitos casos, admitir o que está fora de lugar ameaça a imagem que foi construída. E essa ameaça paralisa. O que deveria ser olhado é empurrado para baixo do tapete. O ambiente segue funcionando, mas os sintomas aumentam.

Os filhos sentem isso e respondem.

Eles mostram onde a coerência não chegou, onde o cuidado virou aparência. Eles não fazem isso para acusar. Fazem porque não têm outra forma.

Há algo profundamente problemático quando alguém orienta famílias, relações e afetos, mas não consegue sustentar a própria casa como espaço de verdade. Por resistência em desmontar defesas que já não servem.

Conhecimento não resolve o que exige atenção! Nenhuma prática protege alguém de encarar o que acontece quando a porta se fecha.

O conflito está em negar.
Está em ensinar algo que não se permite viver e em falar de cuidado enquanto se evita o próprio.

Quem trabalha com o humano lida, inevitavelmente, com zonas difíceis. Isso exige responsabilidade contínua. Os filhos são pessoas expostas ao clima emocional que os cerca. Quando adoecem, não estão falhando. Estão mostrando que algo precisa ser olhado com urgência.

Espiritualidade pública sem revisão da vida privada vira encenação. E a encenação sempre cobra um preço bem alto depois, quase irreparável. Os sinais aparecem nos vínculos, no corpo, nos filhos.

A questão aqui é parar de desviar o olhar.

Sobre o autor

Giselli Duarte

Sempre fui movida pela curiosidade e pela busca constante por aprendizado. Minha trajetória percorreu diferentes áreas, da carreira corporativa a experiências menos convencionais, como um curso de DJ. Esse caminho diverso ampliou meu repertório e me trouxe a compreensão de que cada fase contribui de forma concreta para o trabalho que realizo hoje.

Com espírito empreendedor desde cedo, iniciei minha vida profissional aos 14 anos como jovem aprendiz e, aos 21, legalizei meu primeiro negócio. Desde então, criei, conduzi e participei de projetos diversos, sempre unindo visão estratégica, organização e consistência na execução.

Atuo na interseção entre marketing, negócios e comportamento humano, apoiando profissionais e empresas na construção de estratégias claras, posicionamento consistente e processos de crescimento bem estruturados. Ao longo da minha trajetória, trabalhei como profissional PJ em projetos para empresas de diferentes segmentos, como engenharia, startups, agências de comunicação e administração de condomínios. Essa vivência trouxe uma visão prática sobre modelos de negócio, tomada de decisão, estrutura e posicionamento em contextos variados.

Sou formada em Marketing, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, pós-graduação em Design Gráfico e Inteligência Artificial aplicada a Growth Marketing. Em paralelo, aprofundei meus estudos em comportamento humano, autoconhecimento e processos de autorregulação, com formações e pós-graduações em Psicanálise Clínica, Constelação Familiar Sistêmica e Inteligência Emocional.

A experiência com o burnout foi um ponto de inflexão na forma como conduzo minha vida e minha atuação profissional. A partir desse momento, o Yoga e a Meditação passaram a fazer parte do meu caminho, levando à formação em Hatha Yoga, à Especialização em Atenção Plena e Educação Emocional, à Formação de Instrutores de Yoga para Crianças, Jovens e Yoga na Educação e Terapias Integrativas. Esse percurso ampliou minha compreensão sobre saúde emocional, atenção e desenvolvimento humano em diferentes fases da vida.

Compartilho esse conhecimento como colunista aqui no Eu Sem Fronteiras. Também atuo como instrutora de meditação nas plataformas Insight Timer e Aura Health, onde desenvolvo práticas e conteúdos em áudio e formato de podcast, voltados ao cultivo de presença, clareza e equilíbrio.

Como autora, publiquei os livros No Caminho do Autoconhecimento, Lado B e Histórias de Jardim e Café, reunindo reflexões e vivências ligadas ao comportamento humano e à forma como nos relacionamos com a vida e o trabalho.

Atualmente, estou à frente da Terapeutas Digitais, uma agência de marketing especializada em profissionais da área terapêutica. Desenvolvo planejamento de marketing, mentoria, estratégia digital, gestão de redes sociais premium e estruturação de posicionamento, comunicação e processos que conectam marca, público e objetivos de negócio.

Minha atuação como mentora de negócios integra marketing, estratégia e autoconhecimento. Parto do princípio de que empreender exige clareza interna, postura e decisões conscientes, e que, muitas vezes, os desafios do negócio estão diretamente ligados à forma como a profissional se posiciona, escolhe e se relaciona com o próprio trabalho.

Também realizo trabalho voluntário como mentora na RME, Rede Mulher Empreendedora, idealizada por Ana Fontes, participando de mentorias pontuais voltadas ao apoio estratégico de mulheres empreendedoras.

Acredito que negócios alinhados com quem somos ganham mais sentido, direção e impacto. É assim que escolho atuar e é esse caminho que sigo construindo.

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Meditação para quem não sabe meditar

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