Autoconhecimento Comportamento Convivendo Espiritualidade

A coragem de não saber

Imagem de uma mulher descortinando a janela da realidade. A foto traz o conceito de mostrar a capacidade de simplesmente não saber.
SergeyNivens / Getty Images / Canva
Escrito por Giselli Duarte

Aceitar o não saber é abrir espaço para o mistério, abandonar certezas e viver com mais leveza. A dúvida não é fraqueza, mas convite à escuta, à humildade e à transformação. Quando deixamos de buscar controle, passamos a simplesmente viver o que é.

Vivemos cercados por respostas. Tutoriais, especialistas, gurus, coaches, manuais de vida. Parece que todo mundo tem uma explicação para tudo, e quem não tem, corre para encontrar. A dúvida virou desconforto. O silêncio incomoda. E, no meio dessa pressa por entender, a gente perde algo importante: a capacidade de simplesmente não saber.

Não saber é um espaço fértil, mas poucos o suportam. É o intervalo entre uma pergunta e outra, onde o ego ainda não achou controle. Por isso é tão difícil. As pessoas querem se sentir certas, alinhadas, conscientes, despertas. Querem parecer seguras diante do caos. Mas a vida raramente se encaixa em “receitas de bolo”. Há coisas que só se revelam com o tempo, outras que nunca se revelam. E tudo bem.

A coragem de não saber é o contrário da arrogância espiritual e também da rigidez racional. É o estado de quem aceita olhar para o mistério sem precisar decifrá-lo. É o ponto onde se abandona o papel de quem domina e se volta a ser aprendiz.

Muita gente confunde dúvida com fraqueza. Acredita que não saber é sinal de desorientação, falta de fé, indecisão. Mas o verdadeiro equívoco é fingir que sabe. Quando a pessoa se recobre de certezas, espirituais, científicas, políticas ou morais, ela se fecha à vida. E tudo o que é vivo muda.

O “saber” pode ser uma forma disfarçada de medo. Medo de perder o controle, de parecer ignorante, de se expor. O discurso na ponta da língua protege, mas também endurece. Em compensação, quem se permite não saber encontra uma liberdade que o especialista nunca toca. Porque não precisa defender nenhuma ideia, apenas observar o que se mostra.

Muitos dos maiores erros humanos nasceram da incapacidade de dizer “não sei”. Guerras, dogmas, imposições, teorias que tentam domesticar o mistério. É mais fácil criar uma crença do que lidar com a ausência de explicação. E essa ânsia por clareza produz o contrário da sabedoria: produz ruído.

A espiritualidade, quando é madura, ensina o contrário. Não convida à resposta, mas à escuta. Não oferece garantias, mas abertura. Ela se revela mais quando se admite o desconhecimento do que quando se tenta provar uma iluminação. O verdadeiro aprendizado é sempre um despojamento.

Quem tem coragem de não saber vive com mais leveza. Pode mudar de opinião, pode reconhecer um erro, pode aprender com quem pensava diferente. A incerteza deixa de ser ameaça e passa a ser uma curiosidade. Em vez de precisar definir tudo, a pessoa passa a investigar.

O não saber também humaniza. Ele desmonta o personagem que quer parecer sábio, evoluído, em paz. Permite vulnerabilidade. Deixa o outro entrar. E é nessa lacuna que nascem as trocas sinceras. Quando duas pessoas se encontram sem precisar demonstrar sabedoria, algo verdadeiro pode acontecer.

Há uma beleza em aceitar o mistério. É um gesto de humildade diante da existência. A mente quer respostas, mas há coisas que pertencem ao campo do indizível: o amor, o tempo, a morte, o acaso. Forçar explicação é como tentar medir o vento.

Imagem de várias pessoas, de várias idades, com os seus celulares em mãos acessando às redes e usando as novas tecnologias, simbolizando o acesso a todas informações.
AlexanderFord / Getty Images Signature / Canva

Na era do excesso de informação, não saber é quase um ato de resistência. É recusar a pressa de se posicionar sobre tudo, de ter opinião imediata sobre qualquer assunto. É permitir que as perguntas amadureçam antes de buscar conclusão. É observar o próprio pensamento sem se apressar em julgá-lo.

Há dias em que nada faz sentido, e talvez seja exatamente nesses dias que a vida está se movendo. A confusão pode ser um sinal de transformação, não de fracasso. O desconhecido é um terreno de crescimento, mesmo que se pareça com a desordem.

A coragem de não saber é, no fundo, um gesto de confiança… a confiança de que a vida segue, mesmo quando a gente não entende como. É o reconhecimento de que o controle é uma ilusão e de que a dúvida pode ser um lugar seguro, se habitada com honestidade.

Talvez a sabedoria comece exatamente aí: quando paramos de buscar títulos, respostas e explicações e passamos a observar o que é, com simplicidade. Sem precisar nomear, definir ou transformar em conteúdo.

E se o sentido da vida nunca for descoberto, mas apenas vivido?

Sobre o autor

Giselli Duarte

Sempre fui movida pela curiosidade e pela busca constante por aprendizado. Minha trajetória percorreu diferentes áreas, da carreira corporativa a experiências menos convencionais, como um curso de DJ. Esse caminho diverso ampliou meu repertório e me trouxe a compreensão de que cada fase contribui de forma concreta para o trabalho que realizo hoje.

Com espírito empreendedor desde cedo, iniciei minha vida profissional aos 14 anos como jovem aprendiz e, aos 21, legalizei meu primeiro negócio. Desde então, criei, conduzi e participei de projetos diversos, sempre unindo visão estratégica, organização e consistência na execução.

Atuo na interseção entre marketing, negócios e comportamento humano, apoiando profissionais e empresas na construção de estratégias claras, posicionamento consistente e processos de crescimento bem estruturados. Ao longo da minha trajetória, trabalhei como profissional PJ em projetos para empresas de diferentes segmentos, como engenharia, startups, agências de comunicação e administração de condomínios. Essa vivência trouxe uma visão prática sobre modelos de negócio, tomada de decisão, estrutura e posicionamento em contextos variados.

Sou formada em Marketing, com MBA em Gestão Estratégica de Negócios, pós-graduação em Design Gráfico e Inteligência Artificial aplicada a Growth Marketing. Em paralelo, aprofundei meus estudos em comportamento humano, autoconhecimento e processos de autorregulação, com formações e pós-graduações em Psicanálise Clínica, Constelação Familiar Sistêmica e Inteligência Emocional.

A experiência com o burnout foi um ponto de inflexão na forma como conduzo minha vida e minha atuação profissional. A partir desse momento, o Yoga e a Meditação passaram a fazer parte do meu caminho, levando à formação em Hatha Yoga, à Especialização em Atenção Plena e Educação Emocional, à Formação de Instrutores de Yoga para Crianças, Jovens e Yoga na Educação e Terapias Integrativas. Esse percurso ampliou minha compreensão sobre saúde emocional, atenção e desenvolvimento humano em diferentes fases da vida.

Compartilho esse conhecimento como colunista aqui no Eu Sem Fronteiras. Também atuo como instrutora de meditação nas plataformas Insight Timer e Aura Health, onde desenvolvo práticas e conteúdos em áudio e formato de podcast, voltados ao cultivo de presença, clareza e equilíbrio.

Como autora, publiquei os livros No Caminho do Autoconhecimento, Lado B e Histórias de Jardim e Café, reunindo reflexões e vivências ligadas ao comportamento humano e à forma como nos relacionamos com a vida e o trabalho.

Atualmente, estou à frente da Terapeutas Digitais, uma agência de marketing especializada em profissionais da área terapêutica. Desenvolvo planejamento de marketing, mentoria, estratégia digital, gestão de redes sociais premium e estruturação de posicionamento, comunicação e processos que conectam marca, público e objetivos de negócio.

Minha atuação como mentora de negócios integra marketing, estratégia e autoconhecimento. Parto do princípio de que empreender exige clareza interna, postura e decisões conscientes, e que, muitas vezes, os desafios do negócio estão diretamente ligados à forma como a profissional se posiciona, escolhe e se relaciona com o próprio trabalho.

Também realizo trabalho voluntário como mentora na RME, Rede Mulher Empreendedora, idealizada por Ana Fontes, participando de mentorias pontuais voltadas ao apoio estratégico de mulheres empreendedoras.

Acredito que negócios alinhados com quem somos ganham mais sentido, direção e impacto. É assim que escolho atuar e é esse caminho que sigo construindo.

Curso
Meditação para quem não sabe meditar

Contatos
Email: [email protected]
Site: giselliduarte.com
Site dos livros: No Caminho do Autoconhecimento e Lado B
Facebook:: @giselli.d
Instagram: @giselliduarte_
Twitter: @gisellidu
Linkedin: Giselli Duarte
Spotify: No Caminho do Autoconhecimento
YouTube: No Caminho do Autoconhecimento
Medium: @giselliduarte

Aura Health: www.aurahealth.io/coaches/giselli-duarte

Insight Timer: insighttimer.com/br/professores/giselli