Convivendo

A verdadeira historia do Corona Vírus contada anos depois: Nenhuma estrutura é eterna, nenhum dogma é permanente.

Foto de mulher usando máscara cirúrgica, mas puxando ela com uma das mãos para a altura de seu queixo, na intenção de liberar seu nariz e sua boca. Ao seu redor, está escrito a palavra "vírus" diversas vezes.
123rf/steklo
Silvia Malamud
Escrito por Silvia Malamud

Aquele foi o tempo de rever prioridades, de rever o que realmente importava. Esta certamente foi uma das grandes lições daqueles tempos. O chamado era para que todos despertassem, para que todos nós, independentemente da religião, crença pessoal ou o que seja, pudéssemos perceber que estávamos num mesmo barco, num Planeta de nome Terra.

Naquele tempo, por mais que as pessoas orassem, por mais que tivessem sido boas ou más, não havia como fugir daquela condição. Não havia escapatória e foi uma oportunidade única para que todos pudessem ter um encontro consigo mesmos, no que havia de mais profundo, nas ilusões criadas, nos medos, nas arrogâncias e vaidades, e por fim, nas suas mais profundas verdades.

Ilustração da bandeira do Brasil com manchas representando um vírus. Em frente, na imagem, as palavras "Covid-19" e "Coronavírus".
123rf/Alexandre Camilo Bonato

Embora a humanidade estivesse totalmente isolada, foi a vez em que os sentimentos de vazio e de solidão tão camuflados por todos e tão comuns naquela atualidade puderam vir à tona até que num espaço de tempo se transmutaram em uma nova consciência geradora de uma energia radiante. Isso foi ocorrendo conforme todos iam ganhando consciência de que nunca houve separação alguma e que as percepções anteriores não passavam de meras ilusões construídas ao longo dos tempos.

Aqueles momentos cruciais foram extremamente importantes para o renascimento de um centramento há muito esquecido, ainda trazendo lembranças sobre o que era importante e sobre o que fazia um real sentido para a humanidade.

Havia tempos em que a humanidade estava passando por um individualismo crescente e desenfreado, até que chegou no seu estopim, no ponto máximo em que essa energia sem freios colapsou na forma da doença chamada “Covid-19”. Essa doença chegou ao planeta carregada por todo esse simbolismo. E, como adoecimento, veio mostrando importantes temas a serem trabalhados: impôs o isolamento, evidenciando como todos já estavam nele muito antes de tudo acontecer.

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Era uma imposição vital para que as percepções dos reais valores pudessem emergir. Alguns deles foram: a oportunidade de praticar o autoconhecimento, a capacidade de cada pessoa reconhecer a própria legitimidade, a percepção de que sempre fomos igualmente conectados como seres humanos que somos, sem diferenciação de sexo, raça, idade, crenças ou dogmas.

Definitivamente, a partir do final daquele ciclo, absolutamente nada foi como antes.

Se antes os solitários mais ávidos para sentirem-se vinculados corriam para anestesiarem tais sentimentos nas efêmeras e fantasiosas conexões através das redes sociais, outros cumpriam com regras e dogmas sociais casando-se indevidamente, avançando em carreiras predestinadas ou seguindo o “não sei” apenas na ansiedade de serem bem vistos e conectados numa sociedade que também vivia este tipo de demanda. Outros tantos caíam na noite, usando drogas, viciavam-se em sexo sem compromisso, entre outras situações perigosas.

Mulher idosa em casa, com um cachorro deitado ao seu lado. Ela está com as pernas cruzadas e usando um tablet que está apoiado em suas coxas.
123rf/Anamaria Mejia

Antes dessa doença surgir como cura para esses assuntos, mesmo quando estávamos acompanhados, a sensação era a de isolamento. Ninguém nunca se dava por satisfeito e todos funcionavam como se fossem sacos sem fundos que agonizavam ininterruptamente necessitando de preenchimento.

A vida no século XXI dificultava a resolução desses tipos de conflitos, pois todos pareciam estar no limite do estresse, enlouquecidamente apressados, principalmente nas grandes cidades. Quando tentavam fazer amigos pela internet, em pouquíssimo tempo tudo se tornava delatável e as angústias continuavam tecendo os seus silenciosos caminhos. Por outro lado, na vida prática, quando faziam amigos no trabalho, a competitividade era o que imperava, deixando mais e mais as pessoas distantes uma das outras. Tudo era efêmero.

Os mais sensíveis, uma parcela menor dessa população, tinham consciência de que necessitavam de um contato mais direto, olho no olho, essência com essência. Estes, por sentirem a questão do isolamento em maior potência, antes de tudo acontecer, foram os primeiros a buscar grupos de ajuda, antecipando o que poderia estar por vir. Assim, uma nova contracorrente foi surgindo.

Todos nós estamos a mercê de um grande “não sei” existencial e em meio a um futuro que nos é totalmente desconhecido. O fato é que permanecemos como sempre estivemos, impotentes frente as forças do universo, totalmente desprotegidos e desamparados.

Com a pandemia do novo coronavírus, repentinamente a humanidade tomou consciência de que estamos fadados a deixar tudo o que acreditamos ao longo de uma vida sem aviso prévio. Todas as nossas relações, nossos ganhos e as nossas perdas.

O novo coronavírus nos fez lembrar de que estávamos tão intoxicados de conceitos sobre tudo o que existia que quase havíamos nos esquecido do quanto sempre fomos e somos iguais e que todo o tipo de separatividade é apenas uma ilusão criada por nós mesmos.

Menina usando máscara cirúrgica, sentada em cama com joelhos flexionados, lendo um livro.
123rf/Jaroslaw Pawlak

Nos fez lembrar que enquanto nos distraíamos em meio a uma infinidade de crenças infundadas, a existência em si passava desapercebida e desperdiçada em lutas inglórias que no final das contas não levavam a nada além de dor, sofrimento e do próprio isolamento.

O novo coronavírus nos ensinou que somos todos um só povo e que, apesar da necessidade que tivemos de momentaneamente ficarmos separados, mais do que nunca, estivemos juntos.

Somos todos um.

Quanto mais despertos, melhor!

Sobre o autor

Silvia Malamud

Silvia Malamud

- Psicologa
- Especialista em temas relacionados ao Abuso Emociona com narcisistas perversos em relacionamentos afetivos, familiares, mãe/pai filhos, escolares, sociais e de trabalho.
– Especialista em Terapia Individual, Casal e Família /Sedes
- Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
- Terapeuta Certificada em Brainspotting - David Grand/ EUA
- Terapia de Abordagem Direta a Memórias do Inconsciente.

EMDR e Brainspotting são terapias de reprocessamento cerebral que visam libertar a pessoa do mal estar causado devido à experiências difíceis de vida, vícios, traumas, depressões, lutos e tudo o mais que é perturbador e que seja uma questão para que a pessoa queria mudar. Este processo terapêutico, por alterar ondas cerebrais viciadas num mesmo tipo de funcionamento, abre espaço para que a vida mude como um todo, de modo muito melhor, surpreendente e inimaginável anteriormente.

Mais sobre Silvia Malamud: Além de psicóloga Clínica, é também formada em Artes plásticas- Terapia Breve - Terapia de Casais e Família pelo Sedes Sapientiai. Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA e em Brainspotting David Grand/EUA. Desenvolveu-se em estudos e práticas em Xamanismo, Física Quântica, Bodymirror. Participou e se desenvolveu em metodologias de acesso direto ao inconsciente, Hipnose, Mindskape, Breakthrough e outras. Desenvolveu trabalho como psicóloga Assistente no Iasmpe, Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, com pesquisa sobre o ambiente emocional de residentes durante o período de suas residências, de 2009 até 2013. Participou do grupo de atendimentos de casais do NAPC de 2007 à 2008. Autora dos Livros "Projeto Secreto Universos", uma visão que vai além da realidade comum e Sequestradores de Almas, sobre abuso emocional que podemos estar vivendo, sem ao menos saber, sobre como despertar e como se proteger.

· Conhecimento terapêutico: Cenários e imagens: Já presenciei diversos pacientes fazerem "viagens" às vidas anteriores, paralelas, sonhos e mesmo se reinventarem em cenas reais ocorridas ou não. Vi-os saindo do túnel do reprocessamento, totalmente mudados e transformados, inclusive em suas linhas de tempo. Para mim, fica uma pergunta de física quântica... O que acontece com a rede de memória da pessoa se a matriz do acontecimento muda totalmente não o afetando mais? A linha do tempo e todos os significados emocionais transformam-se simultaneamente. Todos os eventos difíceis que a pessoa teve em relação ao tema ao longo da vida perdem o sentido e até parece que nem existiram, embora se saiba. A pergunta que fica é: O que é o tempo quando podemos nos transformar e nos auto-superarmos nesta amplitude?

· Coexistimos em inúmeras camadas de realidades que são atemporais. Por exemplo, o seu “eu” criança pode estar existindo e atuando em você até hoje... Outros aspectos desconhecidos também podem estar, sem que você suspeite.

Silvia Malamud
Psicóloga clinica Especialista em Terapias Breves individual, casal e
família/Sedes - CRP: 06-66624
Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
Terapeuta Certificada em Brainspotting – David Grand PhD/EUA.
Terapia de Abordagem Direta a Memórias do Inconsciente.
email.: [email protected]