Autoconhecimento Meditação

Alimento que cura

Fresh vegetables on the cutting board are falling in the pot, concept of cooking.
Juliana Ferraro
Escrito por Juliana Ferraro
Nesta última semana fui servir em um retiro de meditação Vipassana. Vipassana é uma técnica de meditação descoberta pelo Buddha, quando ele percebeu que para se livrar do sofrimento não bastava chegar ao mais alto grau de concentração, mas também livrar-se dos apegos e das aversões. Este trabalho é feito através da moldura do corpo, do momento presente, das sensações e da respiração, assim como ela é.

Para aprender a meditar Vipassana, você deve participar de um curso de dez dias, ministrado pelo mestre S.N. Goenka. Existem centros pelo mundo todo e cursos acontecendo todos os meses.

Novices monk vipassana meditation in thailand, burma .

Nos cursos, além de meditar por muitas horas por dia, devemos observar regras, que são para ajudar a alcançar um grau de concentração e de pureza mental necessários ao trabalho. O silêncio é respeitado sempre, além das regras de moralidade, como não matar nenhum animal lá dentro e segregar homens de mulheres. A intenção é que se viva como um monge durante estes dez dias, onde você tem a oportunidade de manter sua mente pura.

Um monge não compra comida, ele mendiga. Aceita o que lhe é dado pelas pessoas e agradece. Pela experiência do mestre, cobrar dinheiro pelos cursos aos alunos não funciona, pois isso acaba gerando apego, expectativas e as pessoas não aceitam a comida oferecida, entre outras coisas. Então nada se cobra pelos cursos. Ao final do curso, como forma de agradecer e demonstrar sua compaixão, seu desejo de que mais pessoas se beneficiem dos ensinamentos, você pode doar dinheiro para a compra de alimentos e melhorias para os próximos alunos que virão ao centro ou pode também doar seu tempo, servindo em um curso, trabalhando na cozinha. Além disso, servir fortalece sua prática de meditação e temos a oportunidade de estudar a técnica.

Foi esta a experiência que tive, servindo em um curso de dez dias, trabalhando com mais 12 servidores e meditadores, servimos refeições todos os dias para 100 homens e mulheres. Todo o tempo prestando muita atenção à nobre palavra, ao respeito às regras do centro e fortalecendo a prática da meditação e o entendimento da técnica no dia a dia. E trabalhávamos muito!

É nesse momento que tive a oportunidade de comprovar, mais uma vez, como a comida é mágica.

Durante todo o curso podíamos participar de sessões de perguntas que os alunos faziam abertamente ao professor assistente e percebíamos suas aflições e dificuldades. E como já havíamos feito o curso, sabíamos que não é fácil. Então ia cozinhar e preparar as sobremesas (a minha tarefa era essa) pensando sempre que aquela porção seria não só de algo doce e gostoso, mas regado de afeto e força para que todos continuassem com determinação e paciência no curso.

E logo fui percebendo como o trabalho se tornava menos cansativo e mais inspirador. No final a comprovação foi dada, pois recebemos muitas gratificações por tudo o que cozinhamos, apesar de ninguém ali ser profissional da cozinha e nem ter preparado refeições para tantas pessoas ao mesmo tempo. Soubemos de como o feijão salvou o ânimo de um, de como a sobremesa de tal dia surpreendeu outro, de como as saladas germinadas deixavam todos felizes.

E soube, com toda certeza, que o principal ingrediente que devemos colocar na comida é só um. E deve ser colocado em abundância: o amor. Desse jeito, não tem comida que fique ruim.

Sadhu!

Sobre o autor

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro

Juliana Ferraro é psicóloga por formação e viajante por amor às coisas novas da vida. Seu contato com diferentes línguas e culturas começou quando ela ainda trabalhava no Club Méditerranée. Depois fez um mochilão pelo mundo em busca de autoconhecimento. Em pouco mais de um ano conheceu diversos países asiáticos, em especial a Índia, onde fundou uma paixão profunda pela yoga e pela meditação. No Brasil: morou, deu aulas de yoga e se formou como massoterapeuta, em Paraty, RJ. Foi nessa época que concluiu quatro cursos de dez dias de meditação Vipassana e se aprofundou na prática de Ashtanga Yoga. Hoje, ela está estudando Ashtanga Yoga no KPJAYI, em Mysore, Índia. E dá aulas de Ashtanga Yoga online.

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