Autoconhecimento Comportamento Convivendo Doenças Mentais Psicologia Saúde Integral Saúde Mental

Alzheimer e hábitos de vida: o que aumenta e o que reduz o risco

Duas pessoas sentadas observando fotografias antigas em preto e branco, segurando as imagens com as mãos.
SHVETS Production / Pexels / Canva
Escrito por Carla Marçal

O Alzheimer começa muito antes dos esquecimentos. Que hábitos silenciosos moldam esse risco ao longo da vida? O que protege o cérebro e o que o fragiliza sem que percebamos? Descubra por que pequenas escolhas importam mais do que parecem. Continue a leitura.

O Alzheimer não surge de forma súbita. Antes dos primeiros sinais claros de perda de memória, o cérebro passa por anos de alterações progressivas. Essas mudanças envolvem inflamação crônica, acúmulo de proteínas tóxicas, redução de conexões neurais e perda gradual da capacidade de compensação cognitiva. A ciência já sabe que parte desse processo está ligada à genética, mas também sabe que os hábitos ao longo da vida influenciam de maneira decisiva o risco de desenvolver a doença.

Na prática clínica, torna-se cada vez mais evidente que certos estilos de vida favorecem o adoecimento cerebral, enquanto outros funcionam como fatores de proteção. Isso não garante imunidade nem determina destino, mas altera probabilidades de forma significativa.

Um dos fatores mais bem documentados é o sedentarismo. A falta de atividade física regular está associada a maior risco de declínio cognitivo e demência. O cérebro depende de circulação adequada, oxigenação eficiente e estímulo metabólico constante. Quando o corpo se move pouco, esses processos ficam comprometidos. Exercício físico regular estimula a liberação de substâncias que favorecem a saúde neuronal e a manutenção das conexões entre neurônios.

Outro fator relevante é a qualidade do sono. Dormir mal por anos seguidos afeta diretamente os mecanismos de limpeza cerebral. Durante o sono profundo, o cérebro elimina resíduos metabólicos, entre eles proteínas associadas ao Alzheimer, como beta-amiloide. A privação crônica de sono ou o sono fragmentado aumentam o acúmulo dessas substâncias, elevando o risco de neurodegeneração.

Um homem idoso está acordado até tarde da noite com insônia.
Seb_ra / Getty Images / Canva

A alimentação também exerce papel importante. Dietas ricas em ultraprocessados, açúcares simples e gorduras de baixa qualidade estão associadas à inflamação sistêmica e resistência à insulina, condições que afetam o cérebro. Por outro lado, padrões alimentares ricos em vegetais, frutas, gorduras insaturadas, peixes e alimentos pouco processados se associam a menor risco de declínio cognitivo. O cérebro é altamente sensível ao ambiente metabólico.

O isolamento social é outro fator frequentemente subestimado. Pessoas que passam longos períodos com pouco contato social, poucas trocas significativas e baixa estimulação emocional apresentam maior risco de demência. Relações humanas exigem memória, linguagem, atenção e regulação emocional. Quando essas funções são pouco utilizadas, tendem a perder eficiência ao longo do tempo.

A ausência de estímulo cognitivo contínuo também contribui para o risco. Aprender coisas novas, ler, resolver problemas, manter a curiosidade ativa e se engajar intelectualmente fortalece redes neurais. O cérebro pouco desafiado tende a perder flexibilidade. Isso não se limita a atividades formais. Envolve manter interesse, atenção e envolvimento com o mundo.

Outro fator importante envolve a saúde cardiovascular. Hipertensão, diabetes mal controlada, colesterol elevado e obesidade estão fortemente associados ao aumento do risco de Alzheimer. O cérebro depende de vasos sanguíneos saudáveis. Danos vasculares ao longo dos anos comprometem o fornecimento de nutrientes e oxigênio, acelerando processos degenerativos.

O consumo excessivo de álcool também merece atenção. O uso crônico em níveis elevados está associado à atrofia cerebral, prejuízo cognitivo e maior risco de demência. Mesmo antes de quadros graves, o álcool em excesso afeta a memória, atenção e funções executivas.

Uma mulher adulta está sentada no seu sofá. Ela está com uma garrafa de bebida alcoólica nas mãos. Ela aparenta estar abalada.
Karola G / Pexels / Canva

Estresse crônico é outro elemento central. Viver por longos períodos em estado de tensão contínua altera o funcionamento do eixo hormonal do estresse. Níveis elevados e persistentes de cortisol prejudicam regiões cerebrais ligadas à memória, como o hipocampo. Ao longo dos anos, esse efeito contribui para o declínio cognitivo.

Em contraste, alguns hábitos aparecem de forma consistente como fatores de proteção. Atividade física regular, sono adequado, alimentação equilibrada, vínculos sociais ativos e estímulo cognitivo frequente reduzem a probabilidade de desenvolvimento de Alzheimer. Esses fatores não eliminam o risco, mas fortalecem a capacidade do cérebro de resistir e compensar alterações.

A ideia de reserva cognitiva ajuda a entender esse fenômeno. Pessoas que ao longo da vida mantêm o cérebro ativo, socialmente envolvido e fisicamente cuidado tendem a tolerar melhor as alterações patológicas. Mesmo quando o cérebro apresenta sinais da doença, os sintomas podem surgir mais tarde ou evoluir de forma mais lenta.

É importante destacar que muitos hábitos associados ao risco começam na meia-idade, não apenas na velhice. Pressão alta, sedentarismo, sono inadequado e isolamento acumulam efeitos ao longo das décadas. A prevenção começa muito antes dos primeiros esquecimentos.

Na clínica, também se observa que depressão não tratada, especialmente quando prolongada, está associada a maior risco de demência. Alterações neuroquímicas, inflamatórias e comportamentais presentes em quadros depressivos crônicos afetam a saúde cerebral. Cuidar da saúde mental é parte do cuidado com o cérebro.

Nada disso deve ser interpretado como culpa individual. Muitas pessoas enfrentam condições sociais, econômicas e emocionais que dificultam escolhas mais protetivas. Ainda assim, compreender os fatores envolvidos permite intervenções possíveis, mesmo que graduais.

O Alzheimer continua sendo uma doença complexa, sem causa única e sem cura definitiva. No entanto, reduzir fatores de risco modificáveis é uma das estratégias mais importantes disponíveis hoje. O cérebro responde ao modo como é tratado ao longo da vida.

O alerta clínico é claro. Há hábitos que aumentam a probabilidade de adoecimento cerebral e outros que reduzem esse risco. Ignorar esse conhecimento significa perder uma janela importante de prevenção.

Referências científicas

Livingston G. et al. Dementia prevention, intervention, and care. The Lancet, 2020.

Norton S. et al. Potential for primary prevention of Alzheimer’s disease. The Lancet Neurology, 2014.

Sabia S. et al. Association of midlife risk factors with dementia. BMJ, 2019.

Voss M. et al. Exercise and brain health. Trends in Cognitive Sciences, 2013.

Ju Y. et al. Sleep and Alzheimer disease pathology. Nature Reviews Neurology, 2014.

Barnes D. et al. Alcohol use and risk of dementia. The American Journal of Geriatric Psychiatry, 2018.

Sobre o autor

Carla Marçal

De uma carreira de destaque em grandes corporações à busca incansável por um propósito mais profundo, minha jornada de vida tem sido uma busca constante por significado e realização. Como psicóloga integrativa de formação, alcancei o sucesso profissional em níveis diretivos, acumulando todas as conquistas tradicionalmente associadas à felicidade.

No entanto, sempre senti que faltava algo, uma lacuna na minha busca pela plenitude. Paralelamente à minha carreira, mergulhei nos estudos do comportamento humano, obtendo formação como psicodramatista e aprofundando meu conhecimento em coaching, PNL, antroposofia e outras técnicas. Meu objetivo era claro: auxiliar indivíduos e organizações a prosperarem em processos de mudança, humanização e desenvolvimento pessoal e profissional. Mas ainda assim, algo essencial parecia escapar.

Em 2017, um diagnóstico de câncer de tireoide transformou minha vida de maneira profunda. Optei por um período sabático que se revelou um mergulho profundo em busca do meu verdadeiro propósito. Devorei livros, concluí cursos com diversos mentores e explorei todas as ferramentas disponíveis para desvendar meu destino. Foi nessa jornada de autoconhecimento que encontrei o ThetaHealing®, e minha vida deu um giro transcendental.

De cliente, me tornei terapeuta e instrutora oficial dessa incrível técnica. Além disso, obtive a certificação como operadora de mesa quântica estelar e mesa quântica estelar-pets, além de me tornar professora de MQE. Hoje, sou movida por uma paixão ardente pelo que faço, e vivo plenamente de acordo com meu verdadeiro propósito: espalhar luz, boas vibrações, alegria e energias positivas para ajudar pessoas e o planeta a desfrutar de uma vida plena e feliz.

Minha maior realização é auxiliar pessoas e animais a alcançarem a saúde mental, emocional e física que merecem. A transformação de vidas é a essência do meu trabalho, e estou dedicada a disseminar cura, amor e crescimento, proporcionando uma jornada de descoberta e renovação para todos aqueles que cruzam o meu caminho. Acredito que todos podem alcançar um estado de harmonia, e é isso que me impulsiona a continuar, cada dia, nessa incrível jornada de cura e evolução.

CRP 06/35821-9

Contatos:

Site: linktr.ee/carlamarcal_
Instagram: @carlamarcal_psi
Facebook: carlamarcalpsicoterapeuta
Twitter: @carlamarcal
Youtube: Carla Marçal
E-mail: [email protected]