Autoconhecimento

Autoestima: como desenvolver e de onde vem?

Sofá com livro aberto, caneca e cobertor
Carolyn V/ Unsplah
Pedro Paschuetto
Escrito por Pedro Paschuetto

O avanço da tecnologia tem auxiliado, e muito, na propagação de informação e conhecimento. Na palma de nossas mãos, por meio de dispositivos que ocupam o espaço de apenas algumas polegadas, temos acesso a praticamente qualquer assunto e informação: qual a capital de Chipre? Quantos títulos o time Grêmio possui? Qual o presidente do Brasil que mais auxiliou o desenvolvimento econômico do país? Quais músicas mais marcaram os anos 1980?, etc. Informação por informação, nunca a humanidade gerou tanta em tão pouco tempo: sites, redes sociais, aplicativos de mensagem instantânea, enfim… acesso instantâneo a qualquer coisa que caia na internet.

Esse tipo de informação, considerado externo, deve ser tratado com um certo cuidado a fim de não ser confundida por nós com o nosso interno.

O que quero dizer com isso?

Bem, com uma rápida busca pela internet, encontraremos muitos casos de pessoas que atingiram o sucesso e que nos oferecem o caminho para chegar lá. Até aí tudo bem, mas cabe a pergunta: até onde estou trilhando o meu caminho e até onde estou tentando trilhar o caminho de outra pessoa? O funcionamento de nossa mente se dá basicamente pelo desejo de ter ou não alguma coisa, ficando extremamente suscetível a “querer atingir 100 mil reais em 1 mês”; ou então a “ter sucesso e ser reconhecido”; e até mesmo a “atingir 10 mil seguidores”.

Pessoa mexendo no instagram
Erik Lucareto/Unsplash

A mente é tão vulnerável, tão suscetível a comprar um caminho que não é o dela, se baseando em um desejo qualquer, que sobra muita brecha para o sofrimento. Traduzindo isso para um exemplo de nosso cotidiano: às vezes dedicamos tempo e energia em nome de sermos isso ou aquilo, para atingir essa ou aquela meta, para conquistar tantos mil seguidores nos baseando no conteúdo do vídeo de alguém… sem sequer nos perguntamos se aquilo é realmente para gente, se sequer faz sentido para nós, ou se nossa mente está apenas seduzida pelo desejo de atingir uma meta, prestígio ou valor.

Pare o ônibus. Saia dele. Sente, medite, olhe para seu interior e questione: para onde vou? O que faço agora?

Vem comigo… na boa… com carinho… sem julgamento… pergunte-se atentamente e responda sinceramente:

Tenho resistência em fazer coisas que exijam mais do meu intelecto?

Mulher sentada em uma montanha olhando para o horizonte
Caleb Frith/Unsplash

Procrastino tarefas que demandam um empenho maior de tempo?

Negligencio trabalhos que não trazem retorno financeiro ou prestígio social imediato?

Quantos vídeos que assisto e que não estão de acordo com meus objetivos?

Não sei onde essas perguntas o atingiram, ou o que elas trouxeram de resposta, mas de uma coisa podemos nos assegurar: a zona de conforto que está sorrateiramente enraizada a quilômetros de profundidade na mente é maior do que o continente asiático.

As respostas para estas perguntas podem revelar tendências das quais bloqueiam o preenchimento da autoestima em nós, nos desviando sutilmente da conquista desta virtude, numa espécie de autossabotagem.

Mas e então? Como desenvolver a autoestima? De onde ela vem?

Mulher sorrindo com seu cabelo no rosto
LEsly Juarez/Unsplash

A autoestima pode ser desenvolvida realizando o que seu interior clama.

A autoestima vem do cumprimento das suas tarefas.

Fácil, não?

Gostaria de sugerir que a “auto” (de própria; de si) estima, ela não é nossa, pois ela existe antes de nós. Então chamamos apenas de estima e do quanto damos vazão para que ela nos preencha. Prefiro tratar assim para evitar mais uma pegadinha do ego do tipo: “eu preciso desenvolver minha autoestima”, algo que seja mais um fardo pesado de carregar.

Fazer o que “nosso interior” clama é algo que precisa ser limpo para ser visto.

Limpo do que? Limpo de preferências egoicas e egoístas.

É extremamente sedutor fazer algo de que gostamos, que nossa personalidade sente prazer ao fazer, acha fácil ou está acostumada… não é mesmo? Mas aqui o ponto-chave é:

Não ter qualquer julgamento de importância sobre o quanto “isso é mais importante que aquilo”.

Caderno de anotação com uma caneta e em frente um óculos
David Travis/Unsplash

Sim, existem coisas mais urgentes e importantes a serem realizadas. Mas o que quero dizer é que tudo o que se faz é sagrado, tudo o que se faz contém em si uma importância mesma. A ideia é desconstruir gostos e preferências do tipo:

Fechar um negócio é mais importante do que lavar o carro no final de semana.

Ir trabalhar é mais importante do que ficar em casa.

Governar um país é mais importante do que regar as plantas do jardim.

Pagar as contas em dia é mais importante do que se divertir.

Cuidar das crianças é mais importante do que fazer compras.

Nada disso! Esqueça… tudo tem em si a mesma importância: desde beber um copo d’água até cozinhar para sua família. O sagrado de uma atividade vista como grandiosa é o mesmo sagrado de uma atividade aparentemente insignificante. O que costumamos julgar como “mais importante” está apenas intimamente ligado aos nossos desejos pessoais acerca dos resultados das nossas ações.

Mulher em pé com as mãos unidas
Ruben Hutabarat/Unsplash

Em muitas culturas e tradições religiosas existem certos dias dedicados a este ou aquele santo, esta ou aquela entidade. E os fiéis, por tradição, costumam utilizar estes dias para fazer suas oferendas das mais diversas maneiras.

Pergunta: por qual motivo, razão ou circunstância não dedicamos TUDO o que fazemos para aquele santo ou entidade? Sim, TUDO, sem exceção, e sem precisar de um dia específico para isto.

Será que ainda falaríamos o que falamos se cada palavra fosse dedicada ao divino?

Será que venderíamos algo por um valor maior do que realmente vale visando apenas nosso benefício?

Como realmente entregaríamos tudo que entregamos se incorporássemos o sentimento de que “tudo é oferenda ao divino”?

Naturalmente, isso já ajuda a responder que “a autoestima vem do cumprimento de suas tarefas”. Das suas, das tarefas que o interior de cada um pede para serem realizadas, sem considerar o sucesso que fulana ou sicrano alcançou.

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Se nossa vida está da forma como está agora, fomos nós que, de alguma forma, colaboramos para estarmos aqui.

Fazer o que está ao nosso alcance aqui e agora, com verdadeira entrega, é a abertura que a estima precisa para nos preencher.

Entregar o que quer que seja com honestidade, sem querer “tirar um em cima”, é o que dá boas-vindas para a estima.

Se responsabilizar pelo simples, pelos detalhes que achamos não ter importância, é abrir as portas para a estima.

Enxergar tudo com sentido e profundidade é esquecer o “auto” e ser a estima.

Sobre o autor

Pedro Paschuetto

Pedro Paschuetto

Pedro Paschuetto é natural de São Bernardo do Campo, SP. Iniciou sua trajetória em 2010, quando ingressou no curso de filosofia livre na academia, na Escola de Filosofia Livre, onde se formou como professor e orientou aulas de filosofia livre e meditação durante cinco anos.

Em 2011 iniciou sua prática de Tai Chi Chuan pelo Shobu Dojo, arte marcial que ensina desde 2014, ano em que se formou no curso de instrutor de Tai Chi Chuan pelo Espaço Caminho da Luz – professor Laércio Fonseca.

Fortemente identificado com a meditação, experimentou diversas técnicas. Se estabeleceu na Vipassana, tendo concluído seu primeiro curso em 2012.

Admirador das artes orientais, pratica Iaidô (espada japonesa) e Sumi-ê (pintura com tinta preta).

Por sua intensa necessidade de investigação da natureza da mente humana, em 2018 iniciou seus estudos em psicanálise.

CONHECE-TE é um projeto para a extinção do sofrimento por meio de autoconhecimento, consciência e verdade.

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