Autoconhecimento Constelação Familiar

Avós – Você sabe qual legado recebeu deles?

Avô e avó andando de mãos dadas com sua neta pequena, que olha para trás.
Foto de David Pereiras Villagrá no 123RF
Anna Maria Oliveira

“Quando uma pessoa vive de verdade, todos os outros também vivem.” – Clarissa Pinkola Estés

As sabedorias ancestrais dedicam momentos para honrar seus antepassados, respeitando e reverenciando aqueles que os antecederam.

Povos nativos, profundamente conectados à Natureza elemental e humana, acreditam que a vida não termina com a morte, continua a existir apesar dos ciclos de nascimento e morte do corpo físico, em dimensões diferentes.

“Povos africanos acreditam que aqueles que se foram antes, fizeram de nós o que somos.” Angeles Arrien

A crença na transitoriedade da vida nos mantém no momento presente, é o convite para apreciar e contemplar cada segundo de convivência, fortalecimento de vínculos, abertura ao perdão e ao amor, nas relações humanas.

“Eu vivo, mas não posso viver para sempre, apenas a Mãe Terra e o Pai Sol vivem eternamente…” Canção dos Nativos Kiowa

Recordar cenas, histórias, festas, qualidades, talentos ou ensinamentos dos ancestrais ajudam a manter acessa a memória e a presença sábia de avós, bisavós, tataravós. Fortalece e nutre a nossa raiz, biografia e identidade.

Tenho recordações marcantes de minha avó paterna, com quem mais me relacionei.

Avó junto a sua neta pequena olhando pela janela, com ambas vistas de costas.
Foto de Juan Pablo Serrano Arenas no Pexels

Em 2019, uma amiga consteladora familiar, me presentou com uma constelação. Foi uma das experiências mais incríveis que já vivi, pude sentir a conexão energética e profunda com a minha avó Ana Cândida. Compreendi a beleza de tudo o que ela ensinou… sem ensinar… ela mostrava por meio de suas atitudes e exemplo o que era respeito, doação, desapego, cuidado, amor e entendimento profundo da essência humana. Uma mulher que nasceu em 1900… e seguiu seu caminho para outras dimensões aos 103 anos.

Pude compreender as escolhas que fiz e faço, o ímpeto questionador e ao mesmo tempo uma sensibilidade intuitiva aguçada, o amor, a espiritualidade, as curiosidades sobre a vida, o universo, as estrelas sempre pulsantes em meu coração e o desejo de liberdade para ser e me expressar a partir de meus sentimentos e experiências.

Sinto, também, a presença mais consciente dos avós com os quais não pude conviver, por terem falecido quando eu era bem pequena.

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Acredito que o maior legado que as famílias possam deixar às novas gerações é a convivência e o relacionamento com os avós, sejam eles consanguíneos ou do coração.

Ao honrar os ancestrais, abrirmos a porta para reconhecer as qualidades e os padrões nocivos que não desejamos perpetuar, podemos romper com um ciclo que se repete de geração a geração.

Costumo usar a seguinte metáfora, uma experiência pessoal.

“Trazemos uma ‘mochila’ de padrões ancestrais, dentro dela há várias pedras, de diferentes formas, cores e tamanhos. Até a maturidade carregamos todas as pedras nessa mochila, e, às vezes, ela fica muito pesada. Repetimos padrões de comportamento sem entender o motivo. Então, nos sentimos cansados, uma vontade de mudar surge. Pronto! Chega o momento de abrir a mochila, olhar para as pedras, todas são lindas e preciosas, mas é preciso escolher somente as que fazem sentido. É hora de agradecer e soltar os ‘pesos’, optar por seguir a própria jornada escrevendo um roteiro original, escolher quais pedras preciosas quero levar e quais quero deixar com meus ancestrais, abrindo espaço para encontrar outras pedras preciosas, talvez mais leves e úteis.”

Menina sentada à mesa jogando damas com seu avô.
Foto de Sikes Photos no Pexels

Talvez seja por isso que alguns povos nativos e ancestrais acreditem que a vida começa aos 50 ou 60 anos. Com a expectativa e qualidade de vida aumentando será incrível viver mais 40 ou 50 anos com jovialidade, alegria, produzindo e empreendendo.

É uma realidade admirável ser avó e avô antenados, dialogando com netos, bisnetos, ensinando e aprendendo. Quem ganha? Todos, sem dúvida alguma!

Deixo uma sugestão de meditação, o silêncio interior fortalece nossa sabedoria ancestral e pessoal, pode ser bálsamo eficaz.

Sente-se em posição confortável, solte os ombros, relaxe o pescoço, músculos do rosto. Deixe a sua mente focada em sua respiração, inspire e expire várias vezes, suave e profundamente. Quanto mais você se entrega à sua respiração, mais você mergulha em seu interior. Você começa a sentir conforto, segurança, chegando a um lugar agradável… dentro de você. Nesse lugar, você é recebido por uma anciã e um ancião, como eles recebem você? Quais são os gestos, falas, sentimentos? Você conversa com eles, abre seu coração, entrega o que desejar… Permaneça no encontro por mais alguns minutos, agradeça, inspire e expire profundamente, vá retornando ao momento presente. Observe se você sente vontade de escrever, gravar um áudio ou desenhar, como forma de registrar a experiência.

Seja grato… Seja feliz… Seja você a sua melhor versão!

Abraço carinhoso

Sobre o autor

Anna Maria Oliveira

Anna Maria Oliveira

Atuo como palestrante, consultora, professora formadora na abordagem meditação e yoga lúdico na educação, desenvolvida por mim. Graduada em cursos complementares, como arte contemporânea, xilogravura, educadora brincante, reiki tibetano, técnicas corporais ayurveda, instrutora de yoga na educação com crianças.

Vasta experiência em educação pública e no terceiro setor.

Realizo atendimento individualizado para profissionais da educação, utilizando a abordagem consultoria integrada experiencial.

Fundadora da Academia Confluência, escola de desenvolvimento humano para autogestão.

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