Nutrição

Conheça os terríveis malefícios do leite

Mulher branca e loira segurando um copo de leite com uma mão, e com o polegar da outra para baixo.
anetlanda / 123RF
Escrito por Eu Sem Fronteiras

O leite é a fonte básica de nutrientes para qualquer mamífero. Assim como seus derivados – como o queijo e o iogurte – o leite está presente na dieta da maior parte dos seres humanos, mesmo quando adultos. Ele ainda pode ser utilizado como ingrediente em uma ampla variedade de receitas, doces ou salgadas.

Apesar de o leite de vaca ser o mais popular no Brasil, o ser humano também consome leite de cabra, ovelha ou búfala. O alimento é rico em diversos nutrientes, ajuda no fortalecimento dos ossos e na manutenção da saúde. Porém suas vantagens não são uma unanimidade entre todas as pessoas. Dependendo do ponto de vista, o leite pode ser visto também como um vilão, já que nem todos digerem muito bem esse alimento.

Benefícios do leite

O leite é um alimento superimportante na nossa alimentação, já que é rico proteínas, vitaminas e, principalmente, cálcio. Ele também contém diversos nutrientes, como fósforo, sódio e potássio, que têm efeitos dilatadores e anti-hipertensivos e ajudam a controlar a pressão arterial.

O cálcio é essencial para a saúde óssea, e um copo de leite integral contém aproximadamente 300 mg desse mineral. Estudos atribuem o consumo de leite a um menor risco de osteoporose e fraturas na velhice. Além disso, o leite auxilia no desenvolvimento infantil, sendo fundamental na fase de crescimento de bebês e crianças.

Copo de leite com o fundo preto.
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Entretanto devemos saber diferenciar os tipos de leite disponíveis no mercado. Por exemplo, apesar de o leite desnatado ser o mais recomendado para aqueles que desejam emagrecer, quando ele perde sua gordura durante o processo de industrialização, perde também as vitaminas A e D. Já o integral, que mantém a gordura natural do leite, continua com todas as vitaminas.

O leite de vaca também é rico em vitamina D, que associada à exposição solar, aumenta a produção de serotonina e é fundamental no combate à depressão. Além do mais, aumenta a sensação de saciedade e é um aliado na perda de peso. Ou seja, há somente vantagens nesse alimento, não é mesmo? Bom, o consumo do leite nem sempre vem acompanhado apenas de benefícios, e alguns fatores devem ser considerados.

Cuidados com o consumo do leite

Com o processo de industrialização, o leite que consumimos hoje, presente nos freezers e gôndolas dos supermercados, pode ser uma opção nada saudável. Desde a sua produção até o seu envase, a bebida passa por vários processos artificiais, e é preciso urgentemente que a indústria pense em alternativas mais sustentáveis e naturais.

Com a produção em larga escala, as vacas leiteiras recebem hormônios para aumentar a produção de leite. Emulsificantes, conservantes, resíduos de antibióticos, entre outras substâncias, são adicionados durante o processo de pasteurização e podem ser encontrados no produto final. Os antibióticos estão associadas ao surgimento de acne e alergias respiratórias e alimentares, além do aumento da resistência bacteriana nos seres humanos.

Copo de leite em cima de um muro.
Pixabay / Pexels

Soma-se isso ao fato de que o leite que compramos é de difícil ingestão em comparação ao leite consumido no passado. Isso acontece porque, quando o leite era ordenhado da vaca e vinha diretamente para o copo, ele era digerido melhor, por estar in natura. Ao consumir o leite mais cru, o ser humano tinha acesso às suas enzimas, e assim o corpo absorvia mais facilmente o alimento. O processo de pasteurização também faz com que o leite sofra uma perda de probióticos essenciais no processo de digestão.

Hoje em dia, no Brasil, alguns pecuaristas começaram a produzir leite de vacas que não passaram por nenhum tratamento com hormônios para induzir a lactação. Esse pode ser um primeiro passo para uma produção mais ética, gerando benefícios tanto para os animais como para as pessoas que consomem leite. Mas já é possível fazer escolhas melhores ao ir às compras, ficando sempre atento aos rótulos e optando por produtos orgânicos, oriundos de empresas mais responsáveis.

O outro lado

A intolerância à lactose é um distúrbio digestivo que se dá pela incapacidade parcial ou total de o organismo digerir a lactose – o açúcar do leite. Ela ocorre quando o corpo não produz por completo a lactase, enzima responsável pela quebra dessa substância em partículas menores.

Quando a lactose chega ao intestino grosso praticamente inalterada, ela é fermentada por bactérias, que formam o ácido lático e gases, ocasionando o aparecimento de diarreias e cólicas. Os sintomas podem variar de acordo com a quantidade de leite ingerida. Essa é uma condição cada vez mais comum entre as pessoas. Estudos mostram que a intolerância à lactose afeta cerca de 70% dos brasileiros em algum grau. Ela pode ser leve, moderada ou grave, de acordo com o tipo de deficiência identificada, uma vez que o organismo de cada um aceita a lactose de maneira diferente.

A intolerância à lactose pode ser de três tipos

1 – Congênita: quando a pessoa nasce com a incapacidade de produzir a lactase, sendo assim um problema genético.

2 – Primária: quando a diminuição na produção de lactase acontece de forma gradual e ao longo dos anos, sendo essa a forma mais comum.

3 – Secundária, quando a produção de lactase é afetada diretamente por doenças intestinais, como, por exemplo, a síndrome do intestino irritável (SII), doença de Crohn ou doença celíaca.

Esse último tipo é temporário, ou seja, desaparece após o tratamento e controle da doença em questão.

Apesar de específicos, os sintomas da intolerância à lactose podem passar despercebidos durante algum tempo, e muitos recebem o diagnóstico tardiamente. Ultimamente tem sido muito comum pessoas descobrirem que desenvolveram a intolerância já na vida adulta, após décadas consumindo lactose e não apresentando a condição.

Copo de leite visto de cima. Ele está sobre uma superfície de madeira.
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Os sintomas surgem instantes após a ingestão do leite, que pode ser puro ou estar presente na composição de algum alimento, como queijo, manteiga, creme de leite, sorvete, iogurte, bolo, entre outros. Então fique atento! Ao sentir inchaço abdominal, cólicas, diarreia, produção excessiva de gases ou náuseas, suspenda o consumo de produtos lácteos e procure orientação médica.

Tratamento para a intolerância à lactose

O diagnóstico da intolerância à lactose é feito geralmente por meio de três exames: o teste de intolerância à lactose, o teste de hidrogênio na respiração e o teste de acidez nas fezes. A intolerância à lactose não é considerada uma doença, e sim uma carência do organismo, e uma pessoa que sofre desse problema geralmente não precisa parar de consumir leite para sempre.

Os sintomas são bastante incômodos, mas podem ser evitados com o uso de medicamentos para esse fim, que têm lactase em sua composição. A princípio, o ideal é cortar a ingestão de alimentos que contêm lactose, para que haja um alívio dos sintomas. Após esse período, é possível reintroduzi-los na dieta de forma gradual, testando os limites do organismo.

Cabe destacar que intolerância à lactose é diferente de APLV (alergia à proteína do leite de vaca). Diferentemente da intolerância, a APLV é uma reação às proteínas do leite e não ao açúcar. Além dos sintomas intestinais, é comum apresentar reações alérgicas em pele e alterações no sistema respiratório. Pessoas que sofrem dessa alergia não têm outra escolha a não ser cortar o consumo de leite da dieta permanentemente.

Para um diagnóstico correto, recomenda-se procurar um médico e realizar os testes ao apresentar algum dos sintomas citados após o consumo de produtos lácteos. Só assim será possível readequar a sua dieta e conviver bem com essa condição.

Possíveis substituições

Somos os únicos mamíferos que continuam consumindo leite durante a vida adulta, e vindo de algum animal que não seja da nossa espécie. Além dos intolerantes à lactose, pessoas que seguem uma dieta vegetariana restrita, ou mesmo quem não gosta tanto assim do alimento, podem ter uma dieta saudável e completa, mesmo sem o leite no seu dia a dia.

Se for necessário retirar por completo o leite de origem animal do cardápio, faça preferencialmente com acompanhamento médico nutricional. Leites de soja, de arroz, de aveia ou de amêndoa são algumas substituições interessantes para acompanhar o café da manhã ou receitas das quais o leite é um dos ingredientes.

Já do ponto de vista nutricional, você pode inserir em sua alimentação verduras de folhas verdes como agrião, brócolis, couve, espinafre, além de feijão, ervilha, tofu, castanhas, manjericão ou ovos, alimentos que também têm cálcio em sua composição. Além disso, lembre-se de tomar aqueles dez minutos de sol por dia, que vão auxiliar na absorção do cálcio pelo organismo.

O leite tem um papel importante em nossa saúde, sendo um alimento nutritivo e presente em nosso dia a dia. Mas, mesmo assim, nem todas as pessoas digerem bem o leite e seus derivados, sendo necessário fazer acompanhamento nutricional e pensar em possíveis alternativas nutricionais nesses casos.

Por último, lembre-se de que, para uma dieta equilibrada, comer um pouco de tudo é fundamental, e um alimento sozinho não proporcionará o suporte nutricional adequado para a saúde e o bom funcionamento do organismo. Sendo assim, você pode continuar consumindo leite, mas beba com moderação!

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