Mitologia grega

Deméter: desvende tudo sobre a deusa da fertilidade e colheita

Entre as 12 divindades do Olimpo, está a deusa grega Deméter, deusa da agricultura, da colheita, da fertilidade e da fartura. Filha de Cronos (o deus do tempo) e Réia (arquétipo grego da maternidade), Deméter é quem trouxe a agricultura para o mundo terreno e ensinou os humanos a semear, cultivar e colher grãos e cereais. Os símbolos desta deusa são a foice, a maçã, os grãos e a cornucópia (vaso ornamental que sempre é composto de diversos frutos e flores).

Deméter, nome originário do grego “Δήμητρα”, que significa “Terra mãe” ou “Deusa mãe”, tem uma deusa equivalente na mitologia romana, na qual é denominada Ceres. Na versão romana, além de a deusa Ceres ser detentora do ciclo da vida e da morte, é considerada também a deusa do direito sagrado e é fortemente celebrada em ritos de fertilidade, exclusivos entre mulheres. Tanto para os romanos quanto para os gregos, essa figura mitológica representa a “porta de entrada para o feminino misterioso”.

Uma estátua que representa a deusa Deméter. Ela está com o braço esquerdo erguido.
Luis García / Wikimedia Commons / Canva / Eu Sem Fronteiras

Por ser considerada a deusa grega mais generosa de todo o Olimpo, são atribuídos a Deméter traços negativos de passividade e submissividade, o que explica o fato de essa deusa ter sido alvo de tantos sofrimentos e trágicas melancolias em diversos acontecimentos míticos. Entre eles, podemos destacar o principal: o rapto de sua filha, Perséfone, pelo próprio irmão de Deméter, Hades.

Após ter tido relações íntimas com o deus grego Zeus, Deméter deu à luz a Perséfone, deusa das ervas, das flores, dos frutos e dos perfumes. Um dia, enquanto colhia flores e semeava frutos, a bela Perséfone foi avistada por Hades, o deus dos mortos, e este, tomado por uma vontade incontrolável de desposar a jovem, raptou-a e a prendeu no submundo.

Diante disso, e profundamente impactada com o sumiço da filha, a deusa Deméter mergulhou em uma tristeza profunda, a ponto de tornar toda a terra do planeta infértil, impedindo que vingassem plantações de qualquer tipo, e instituiu no mundo um inverno infindável. Em virtude disso, inúmeros seres humanos passaram a morrer por desnutrição e frio, e os deuses do Olimpo também pararam de receber sacrifícios, já que não haviam mais oferendas fartas que pudessem ser oferecidas a eles.

Foi feito, então, um acordo entre Hades e Deméter, a fim de solucionar os problemas que a tristeza da deusa grega vinha causando no mundo, e de modo a não despertar a fúria do deus dos mortos. Estabeleceu-se que a cobiçada Perséfone passaria duas partes do ano com a mãe, Deméter, e as outras duas partes do ano com Hades, seu raptador. Assim, fez-se na Terra a primavera e o verão, épocas em que a deusa da fertilidade se alegrava por estar ao lado da filha; e o inverno e o outono, estações nas quais Deméter voltava-se ao sofrimento e à saudade de Perséfone, que estaria no inferno.

Arte visual feita em cerâmica que representa o rapto de Perséfone tomado por Hades.
Dosseman / Wikimedia Commons

Apesar de ter sido resolvida a problemática com sua filha primogênita, os dramas de Deméter não acabam por aí. A deusa ainda teve sofrimentos em relação a dois outros filhos, Árion e Despina, frutos de uma violência contra ela; e também teve que lidar com o assassinato de Iasion, o verdadeiro amor de sua vida.

Segundo o mito, Poseidon, deus dos mares e um dos três principais deuses olímpicos, não resistiu aos encantos de Deméter, sua irmã, e passou a persegui-la, impulsionado por uma vontade tremenda de se relacionar intimamente com ela. Assustada e desinteressada, a deusa transformou-se em uma égua e passou a esconder-se nos campos de colheita para fugir das amarras de Poseidon. Tendo descoberto o disfarce de Deméter, o deus dos mares fez-se em cavalo e abusou da deusa. Nasceram, assim, o deus dos cavalos, Árion, e a deusa do inverno, Despina.

Revoltada com o abuso sofrido, Deméter fugiu do Olimpo e deixou a terra novamente estéril, impedindo plantações e dizimando a população mortal mais uma vez. Tempo depois, porém, com saudades da família e, principalmente, de seus filhos, a deusa resolveu semear o perdão e retornar ao seu lar. Banhou-se, então, no rio Ládon, responsável por limpar e descarregar mágoas, e, assim, a terra voltou a fecundar e prosperar.

Uma estátua antiga de Deméter com rupturas e quebraduras. A estatua não tem o nariz de Deméter, supostamente quebrado ou destruído.
Hichem algerino / Wikimedia Commons / Eu Sem Fronteiras

Quando amou de verdade e sem impedimentos pela primeira vez, Deméter pensou ter encontrado a felicidade plena e a redenção, mas esse sentimento, infelizmente, durou pouco. O amor de sua vida, Iasion, era um mortal e foi assassinado por um raio de Zeus, pai de Perséfone, que enciumou-se com a satisfação amorosa da deusa da fertilidade.

O arquétipo da deusa Deméter é o do instinto maternal, que simboliza o verdadeiro amor de mãe, incondicional. Além disso, ela é extremamente generosa e altruísta e não mede esforços na hora de ajudar e doar-se ao próximo, como verificamos diante de seus atos nos acontecimentos míticos mais dolorosos que a assolaram, sempre abrindo mão de suas dores em prol de um bem estar alheio, como toda boa mãe também faz.

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A figura de Deméter, portanto, está para a figura feminina perante o papel que as mulheres cumprem na sociedade. A suposta passividade e vulnerabilidade atribuídas inicialmente a essa deusa desdobram-se, na verdade, em generosidade e resiliência. Além de nos entreter e nos divertir, vemos que a mitologia e as deusas gregas têm muito a nos ensinar, mesmo que isso se dê nas entrelinhas dos mitos.

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