Autoconhecimento Psicanálise

Dependência emocional: amar também prende

Ana Racy
Escrito por Ana Racy
Ah… E parece que agora o ano vai começar! Muitas pessoas dizem que o ano inicia no dia 1º de janeiro, outras dizem que isso só acontece depois do carnaval. Eu penso que em uma data ou outra, o mais importante é sabermos que a cada nascer do sol, temos mais uma oportunidade para fazermos de nossas vidas o melhor que pudermos, mudarmos os hábitos que não nos servem mais, nos transformarmos internamente para que a nossa caminhada nessa vida faça sentido e a evolução seja uma realidade.

Gostaria de abordar um tema tão importante quanto polêmico para esse novo dia, mês ou ano: a dependência emocional.

Uma das coisas que desequilibram o ser humano é a dependência que o prende a outro ser humano e que muitas vezes carrega o nome de amor. Pode-se reconhecer a dependência emocional quando precisamos do outro para ser feliz ou de sua aprovação para fazermos algo. O dependente emocional faz aquilo que o desagrada para não ficar só. Sente uma enorme necessidade de reconhecimento e segurança e acaba deixando de lado o que pensa, gosta ou sente, para agir de acordo com o que o outro pensa, gosta ou sente. Aos poucos, vai deixando de viver e passa a existir como sendo a sombra de alguém.

O dependente emocional sente uma grande dificuldade em identificar objetivos para sua vida, uma vez que sua maior necessidade é manter alguém preso a ele.

Vai deixando de viver e passa a existir como sendo a sombra de alguém.

O livro “Amar também se aprende” de Francisco do Espírito Santo Neto, ditado por Lourdes Catherine, nos traz a seguinte fala: “Organizar a própria vida em torno da pessoa amada, a ponto de tornar inconcebível a sua existência sem o outro, é uma forma doentia de dependência semelhante à vinculação às drogas ou ao álcool, cujo caráter destrutivo requer ajuda e tratamento. O ‘mundo inteiro se torna vazio quando você não está ao meu lado’ é uma demonstração de escravidão afetiva”.

Gerações mais antigas cresceram ao som de músicas que expressavam a ideia do amor romântico e isso acabou se tornando um problema porque ninguém era capaz de cobrir a expectativa gerada pela crença passada pelas letras de algumas músicas: “Não há você sem mim, eu não existo sem você…”; “É impossível ser feliz sozinho…” Essas ideias faziam entender que não existíamos como indivíduos, mas como metades, sempre em busca de um complemento para cobrir as nossas carências.

Posso dizer que eu mesma pertenço à essa época de músicas lindas, que nos faziam esperar pela chegada do príncipe que nos amaria de forma incondicional pelo resto de nossas vidas. Hoje, vejo em consultório as desilusões sofridas por esse amor idealizado, onde um viveria pelo e para o outro. Onde um dependeria do outro para ser feliz. E quando isso não acontecia, as consequências chegavam de maneira pesada, em forma de depressão, insônia e até o uso de drogas ilícitas.

Quando isso acontece, o relacionamento já não é mais saudável, o sofrimento permeia a relação e a isso não se pode dar o nome de amor.

A baixa autoestima também pode ser uma das causas da dependência emocional. A pessoa não se acha boa o suficiente para fazer um relacionamento durar, para ser amada e desejada. Por isso o esforço contínuo para obter a aprovação e o reconhecimento de outras pessoas.

É importante salientar que essa dependência pode se estender para amigos ou familiares, não está ligada apenas aos relacionamentos amorosos/afetivos.

Mas, o que fazer para nos tornarmos mais independentes?

  • É importante reconhecer e aceitar que isso está acontecendo conosco. Sem esse reconhecimento e aceitação, não há como mudar.

  • Olharmos para dentro de nós mesmos e identificarmos os nossos pontos fracos e fortes. Afinal, nada é apenas negativo.

  • Autoconhecimento… Sócrates dizia: “Conhece- te a ti mesmo” e essa é a melhor maneira de sermos donos de nós mesmos.

Desejo que cada um seja persistente e forte o suficiente para se conhecer melhor e transformar aquilo que for necessário, tornando-se um indivíduo único, completo e feliz.

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Sobre o autor

Ana Racy

Ana Racy

Psicanalista Clínica com especialização em Programação Neurolinguística, Métodos de Acesso Direto ao Inconsciente, Microexpressões faciais, Leitura Corporal e Detecção de Mentira. Tem mais de 30 anos de experiência acadêmica e coordenação em escolas de línguas e alunos particulares. Professora do curso “Psicologia do Relacionamento Humano” e participou do Seminário “O Amor é Contagioso” com Dr. Patch Adams.

E-mail: anatracy@terra.com.br