Autoconhecimento

Depressão, beleza e o que deixamos para trás

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Os números podem até aumentar. Tanto os casos, inclusive com morte, mas pouco se fala, se discute, quando se trata de depressão. Recentemente a Miss Brasil 2004 Fabianne Tesche Niclotti, de 31 anos, foi encontrada morta em sua casa em Gramado (RS).  A hipótese mais concreta: depressão.

E você se pergunta. Por quê? Uma mulher que já foi considerada a mais bela do país, linda, simpática, querida, terminou com a sua vida? Mas ela não quis mais, ela não aguentou e achou que colocando um fim à vida, encontraria paz ou o que quer que seja.

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Fabianne Tesche Niclotti

Pouco espaço de discussão

O fato é que a depressão ainda é pouca discutida tanto na família como na própria mídia. Há ainda aqueles que ousam falar que se trata apenas de uma doença moderna e sem importância.  A depressão mata. Não tem idade, classe social, sexo. Ela escolhe em quem habitar e seus desencadeamentos — tanto psicológicos como genéticos — podem levar uma vida ao fim.

Mesmo que os números sejam expressivos, o espaço de discussão é pouco. A OMS (Organização Mundial da Saúde) já fez um alerta que até 2020 a doença será a mais incapacitante em todo o mundo. E por mais que ela chegue de mansinho e a tendência é achar que ela vai embora de mansinho, isso não ocorre, porque ela deixa rastros assim como um vulcão e, na maioria das vezes, profundos.

Beleza e felicidade: o que está por trás disso?

Casos como o da miss acabam abalando muitas pessoas, principalmente pelo fato de que aos olhos da sociedade ela tinha uma vida perfeita. Mas nem tudo o que parece ser é. Em tempos de tecnologia, e redes sociais onde é possível expor ao público a vida privada há muitas construções estereotipadas que no fundo não mostram a realidade.

Até porque é virtual, o sentimento que está por trás do botão ‘publicar’ não temos conhecimento. Este caso da miss mostra que nem aqueles que consideramos belos estão livres da doença. Neste momento os julgamentos precisam ficar de lado. Em uma sociedade que cobra que sejamos bons trabalhadores, que tenhamos uma linda família, que sejamos consumidores, estar fora do padrão pode desestabilizar muitas pessoas.

E nem aqueles que achamos os bem sucedidos estão livres da doença. Há consultórios lotados de pacientes que têm cargos de diretores em grandes empresas, que muitas vezes nos servem de exemplo, mas que por dentro estão morrendo por não conseguir enfrentar a doença.

Fragilidade x vida líquida

O escritor Zyhmunt Bauman já falava da vida líquida que criamos. Relações líquidas que não se solidificam, que muitas vezes são virtuais. O ser humano está percebendo que não é consumindo, adquirindo, atropelando os outros que vai conseguir a felicidade que tanto almeja.

Neste sentido, as terapias integrativas complementares são um caminho possível para se autoconhecer, encontrar outras formas para perceber que as correrias do dia a dia, o estresse não são um bom caminho, e sim chances para se desenvolver uma depressão.

Também fica claro que nem todos que são bonitos e rico são felizes. Precisamos dialogar sobre as vidas reais que não se importam em mostrar para a sociedade uma vida que merece ser vivida com aconchego e autoconhecimento, e que podem ser considerados remédios para combater a doença.


  • Escrito por Angélica Weise da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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