Saúde Integral

Dia Mundial do Câncer

Lá fora o dia permanece nublado e do lado de cá encontro-me perdida e letargicamente jogada sobre a poltrona do consultório aguardando ao médico chamar. Corro o meu olhar sobre o consultório e noto três mulheres ao meu lado – cada qual com a sua idade entre a faixa dos 25 aos 35 anos e que também estavam aguardando ao médico chamar e, conversando sobre as diferentes situações da vida.

Não lembro muito bem qual foi o ponto de início da conversa, mas prestei bem atenção na mulher que estava posicionada ao meu lado esquerdo na poltrona e que começou a contar sobre a sua luta diária contra um câncer de mama.

E relata que esse momento é um dos mais difíceis de assimilar, absorver e aceitar. Fecho os meus olhos e imagino o flash que deve passar pela cabeça das pessoas. Fico imaginando se fosse comigo e vem um mix de sensações. Um filme com a participação de todos os protagonistas inclusos na minha vida. Flash da morte – e ao mesmo tempo a coragem que surge do além.

“Um filme com a participação de todos os protagonistas inclusos na minha vida. Flash da morte – e ao mesmo tempo a coragem que surge do além”

Corro novamente o meu olhar e observo-a dizendo que quando se passa por um estágio assim, a vida ganha outro sentido. E antes de abrir os meus olhos ao mesmo momento em que o médico me chama, sinto um orgulho dessa mulher e, de finalmente compreender que a vida ganha um propósito.

Dia 4 de fevereiro é comemorado o Dia Mundial do Câncer, unindo a população mundial pelo controle do câncer, segundo o INCA. A data foi criada pela União Internacional Contra o Câncer (UICC) com a intenção de chamar a atenção globalmente para a doença e desmitificar conceitos.

Segundo dados do Inca, mais de 12 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas todo ano com câncer. Cerca de 8 milhões morrem. Se medidas efetivas não forem tomadas, haverá 26 milhões de casos novos e 17 milhões de mortes por ano no mundo em 2030, sendo que 2/3 das vítimas vivem nos países em desenvolvimento.

Primeiramente, vamos entender o que é o Câncer

O Câncer é uma doença genética, ou seja, se caracteriza por múltiplas alterações no material genético (o nosso DNA), alterando a divisão celular e produzindo células que possuem a capacidade de resistir à morte celular programada que está presente em todas as células normais (apoptose). O câncer é formado quando o conjunto de células alteradas influencia as células normais vizinhas, gerando uma proliferação descontrolada. É primordial salientar que diferentes tipos de células dão origem a diferentes tipos de câncer, de acordo com suas especificidades como, por exemplo, órgão, a evolução da doença em ser lenta ou agressiva, etc.

Possíveis causas do Câncer

“Segundo dados do Inca, mais de 12 milhões de pessoas no mundo são diagnosticadas todo ano com câncer. Cerca de 8 milhões morrem”

Não existe uma causa específica e sim um conjunto de fatores pré-dispostos como, por exemplo, fumo, álcool, exposições a raios solares, presença de HPV, sedentarismo, má alimentação, predisposição genética, etc.

Como comunicar a má notícia de um câncer?

Eu me recordo de ter tido algumas aulas sobre isso na faculdade, mas não é tão fácil lidar com uma situação difícil como essa. No mais, com certo conhecimento sobre a doença, é primordial ter transparência na comunicação e no contexto da doença junto ao paciente.

Como lidar com o diagnóstico de um câncer?

Receber a notícia de um câncer é muito difícil. Milhões de coisas passam pela sua cabeça. Você perde o chão e se questiona: e agora? E agora que inicialmente, é preciso de um tempo para compreensão e aceitação da doença.

Por experiência própria, recentemente eu recebi um diagnóstico próximo e foi um baque. Eu senti que realmente a vida perdeu o chão. Compreendi o peso que a doença carrega no nome.

Pensar em câncer e associar a morte é natural, mas é preciso entender que hoje, com o avanço da medicina e de outras terapias, é possível ter a cura. É importante estar atento e por dentro de artigos, revista científica e quaisquer outras informações referentes ao tema, principalmente ao C.A específico do paciente.

Hoje eu vejo que o câncer é uma porta para o nosso autoconhecimento. É uma oportunidade de teste consigo próprio entre as trocas de experiências e vivencias com o decorrer da doença. Compreender que isso é uma fase e aceitar os desafios dispostos é a chave e um dos primeiros passos para a cura.

No vídeo eu exemplifiquei os seguintes tópicos:

– É primordial falarmos sobre o câncer – mesmo que ainda seja um tema difícil de ser dialogado, é importantíssimo abordamos sobre a doença. Esse diálogo amplia o nosso conhecimento e facilita termos possíveis melhores resultantes quando descoberta a doença;

– Existem sinais de câncer – e alguns tipos de canceres demonstram alguns sinais e sintomas diferentes logo no início. É considerável que cada pessoa e determinado agente da saúde estejam sãos do conhecimento sobre o assunto e capacitados para uma abordagem referente à doença;

– É possível prevenir o câncer – com alguns hábitos diários e saudáveis como alimentação correta, atividade física, check-up em dia e conhecimento sobre a doença, é um dos meios.

Então, independentemente da idade que você venha a ter, não adie aquela sua consulta e velha desculpa no médico. Não hesite em ir em um pronto atendimento se perceber algo de estranho. Cuide de você e faça os seus exames periodicamente.

Com amor e saúde, um abraço!

Sobre o autor

Jéssica Sojo

Jéssica Sojo

É custoso descrever quem sou eu – já que constantemente lapido, modifico e me transformo em um pouco de tudo e muito de cada pouco. Inicialmente posso compartilhar dizendo que sou extremamente curiosa, apaixonada pela comunidade surda, pela língua de sinais e por tudo que envolve a linguística.

Foi na faculdade de medicina e como acadêmica há alguns anos (com a esperança de trabalhar com o ser humano e suas limitações) que eu adentrei para um universo de que eu não fazia ideia que fosse possível existir e que pudesse trazer a bagagem que tenho hoje. Minha busca incessante pelo autoconhecimento e entendimento para muitos dos questionamentos que já tive (e continuo tendo) me fez despertar para o meu atual desígnio.

Minhas tantas outras peregrinações e experiências também contribuíram e muito com o meu desígnio – a começar pelo de compartilhar junto a vocês, leitores do EuSemFronteiras, sobre a primordialidade de enxergarmos para além do que nos visibiliza os olhos e lembrarmo-nos sempre de sermos semelhantes ao sol, mesmo em meio às sombras escarpadas montanhosas da vida.

Com todo o meu carinho e gratidão imensa,

Mãos em prece e um saudoso e caloroso abraço em cada um.

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