Convivendo Educação

Dicas para incentivar seu filho a ler

Father and son read together sitting on the floor. Kid boy reading story book with his dad at home.
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Aleitura nos leva a um mundo fantástico. Nunca estaremos sozinhos se tivermos um livro. Com ele aprendemos tudo sobre as guerras, revoluções e governos. Embarcamos em aventuras fantásticas em terras distantes e, às vezes, nos deparamos com seres de outros planetas. Deixamos aflorar nosso talento para detetive nos romances policiais. Aprendemos a cozinhar, a investir nosso dinheiro, como ser um profissional bem sucedido, a ser melhor como pai e mãe. Entendemos as artes, as mudanças que elas proporcionaram e como colocá-las em prática. Entramos em contato com coisas esotéricas e aprendemos a ser melhores pessoas. Um livro faz muito por nós.

Benefícios da leitura

Quem lê sempre ganha. Listamos 11 provas dos benefícios da leitura:

1. Vocabulário mais rico

Lembra que você ouvia nas aulas de português “quem lê tem mais vocabulário”? Não é frase feita. Ler nos apresenta novas palavras. Quem lê dificilmente passa sufoco durante uma conversa;

2. Aprender

Por mais que o Google seja uma ferramenta de pesquisa, ele não substitui um livro na prazerosa missão de aprender;

3. Cérebro mais saudável

Aprimora a concentração, melhora o poder de seleção, estimula a criatividade. Ler é um ótimo exercício para manter o cérebro ativo. A atividade ajuda a melhorar a memória e ainda pode prevenir o Alzheimer;

4. Bom humor

Leitores são menos estressados. Um bom livro nos faz viajar para longe dos nossos problemas;

5. Diversão

Entretenimento barato e de qualidade. Já leu todos os livros da sua prateleira? Vá às bibliotecas da sua cidade e garimpe novas obras, dá para fazer a carteirinha e levar para casa;

6. Liberdade

Já que ler estimula a criatividade, quem possui esse hábito tem mais liberdade e criatividade para levar a vida e também para colocar para fora talentos reprimidos ao longo dos anos;

7. Autoestima

Quem possui o hábito da leitura se sente mais inteligente e não tem medo de encarar uma conversa;

8. Poder de análise e crítica

Seja qual for a história, o leitor aprende a relacionar ideias e analisá-las com melhor senso crítico;

Family reading a book on the floor in the living room. Father reading stories to his son and daughter at home. Young man little boy and little girl reading story book.

9. Se colocar no lugar do outro

Impossível não se envolver com os personagens. Sentimos suas alegrias, dores e tentamos entender as atitudes. A leitura tem o poder de trazer humanização a esse mundo tão egoísta;

10. Realizar sonhos

Não estamos falando apenas dos livros de autoajuda. Algumas obras trazem histórias de superação que nos inspiram a lutar pelos nossos objetivos;

11. Puxar assunto

Perguntar sobre o último livro que leu, lançamentos e escritores… Livros são excelentes pretextos para puxar assunto.

Ciência da Leitura

O livro escrito pelo casal de psicólogos britânicos Margaret J. Snowling (conhecida por seus estudos em dislexia) e Charles Hulmes é uma síntese sobre a leitura. A Ciência da Leitura é dividida em sete partes: 

1. Processos de reconhecimento de palavras na leitura

Significado das palavras escritas e faladas;

2. Aprendendo a ler e escrever

Decodificar códigos que representa a linguagem falada e a escrita. Crianças filhas de pais que leem são mais propensas a ler;

3. Compreensão da leitura

Papel da memória no entendimento de um texto? Como cada pessoa consegue entender o que lê?;

4. Leitura em diferentes línguas

Como é ler nos países orientais? Havia a crença que aprender a ler em chinês era diferente. Este tópico aborda os 80% dos caracteres chineses constituídos por um componente radical (que está relacionado com seu significado) e um componente fonético (que fornece informações sobre o seu som). Outro assunto discutido é a dislexia em crianças chinesas;

5. Transtornos da leitura e da escrita

Discussão sobre a melhoria na leitura em indivíduos que perderam essa capacidade após lesões cerebrais;

6. As bases biológicas da leitura

O tema aborda a leitura como um processo dependente de mecanismos cerebrais, bem como o desenvolvimento desses mecanismos e a influência de processos genéticos; 

7. Ensino de leitura

Ampliar o conhecimento sobre ensinar crianças a ler e ajudar crianças disléxicas nesse aprendizado.

Os neurônios da leitura: como a ciência explica nossa capacidade de ler

O livro escrito pelo neurocientista francês Stanislas Dehaene aprofunda a leitura como processo proveniente de um mecanismo cerebral. A obra referência para quem estuda o assunto é dividida em oito partes:

1. Como lemos?

O primeiro capítulo detalha as etapas da leitura, a projeção dos caracteres na retina, membrana que cobre o fundo do globo ocular. Esta fase termina com a explicação sobre o reconhecimento das palavras;

2. O cérebro ao pé da letra

Aqui, o autor detalha o que as pesquisas de neuroimagem revelam sobre regiões do cérebro associadas à leitura. Há também uma análise dos feixes de fibras que religam áreas do córtex;

3. Os neurônios da leitura

O capítulo que nomeia o livro compara o sistema visual humano aos dos primatas;

4. A invenção da leitura

Análise e panorama da evolução da escrita e sistemas à luz da neurociência;

5. Aprender a ler

O foco desse capítulo é o ensino, aprendizado da leitura e as mudanças no cérebro;

6. O cérebro disléxico

Análise de pesquisas que buscam definição, causas e tratamento da dislexia;

7. Leitura e simetria

O autor explica que a escrita espelhada nem sempre é dislexia, podendo ser uma fase do aprendizado da escrita;

8. Para uma cultura dos neurônios

O homem é o único ser capaz de produzir cultura devido estruturas cerebrais que somente ele tem.

Conclusão: o futuro da leitura

O fechamento da obra é um lembrete sobre a importância da leitura. Há também uma exposição sobre a necessidade de criar uma “ciência da leitura” que reúna pesquisas da neurociência sobre o ensino da leitura.

Brasil, país de poucos leitores

Pesquisa da Fecomércio (Federação do Comércio) do Rio de Janeiro revela que 70% dos brasileiros não leram nenhum livro em 2014. Mas, por que o Brasil tem poucos leitores? Uma das razões apontadas por especialistas é a cultura da oralidade. Para Regina Zilberman, professora do Instituto de Letras da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), a obrigatoriedade tardia da alfabetização é fator crucial.  Regina explica que a alfabetização no Brasil passou a ganhar importância em 1930. Ser um país sem hábitos de leitura tem como consequência a dificuldade em se posicionar diante questões complexas. A tabela abaixo confirma que a leitura é um hábito de poucos:

Países que mais leem (em horas)
Índia 10 horas e  42 minutos
Tailândia 9 horas e 24 minutos
China 8 horas
Suécia 6 horas e 54 minutos
França 6 horas e 48 minutos
Espanha e Canadá 5 horas e 48 minutos
Argentina 5 horas e 54 minutos
Alemanha e EUA 5 horas e 42 minutos
México 5 horas e 30 minutos
27º Brasil 5 horas e 12 minutos
Japão 4 horas e 6 minutos
Coreia 3 horas e 6 minutos
Benefícios da leitura para crianças

É na infância que se pega o gosto pela leitura, quanto antes começar melhor. Especialistas explicam que os bebês já se beneficiam com a leitura, desde que seja usada entonação. Os benefícios em apresentar os livros às crianças, de acordo com o Ministério da Educação e demais órgãos ligados à educação são:

  • Criatividade – As crianças que leem são visivelmente mais criativas. Adultos que começaram a ler na infância enxergam diferentes perspectivas sobre a vida;
  • Mais vocabulário – A leitura não apenas acrescenta palavras ao vocabulário, mas também faz a criança aprender novas utilizações para as palavras conhecidas;
  • Melhora a escrita – Ler amplia o vocabulário, consequentemente, facilita a escrita. Um adulto que escreve bem, com certeza leu muito durante a infância;
  • Riqueza de repertório – Quem começa a ler desde cedo não passa sufoco em conversas na idade adulta. A leitura precoce forma adultos capazes de discutirem e se posicionarem frente a situações complexas;
Como escolher livros para crianças?

Não faz a menor ideia de como escolher livros infantis? Com esses 8 tópicos você tira todas as suas dúvidas:

1. Estude literatura infantil

Vá à bibliotecas, vasculhe sessões infantis das livrarias, pesquise autores especializados nesse estilo para analisar estilo de escrita, tipos de ilustrações utilizadas. Entrar em sites e blogs que tratem do assunto é outra boa ideia;

2. Peça dicas

Converse com professores, bibliotecários, vendedores de livraria e outros pais para conhecer os lançamentos;

3. Saiba o que seu filho gosta

Seu filho fala sobre as histórias que ouve na escola? O que ele diz? O que faz ele sorrir, histórias de animais ou aventuras? Vá a uma biblioteca e livraria e veja as reações dele na sessão infantil;

4. Não fique preso a indicação etária

Isso é importante, porém, você deve olhar outros detalhes. Para bebês, o indicado são livros de plástico e pano. Crianças de 1 a 2 anos adoram livros com texturas. Com o passar do tempo, peças com dobraduras e ilustrações ganham importância. Se o seu filho está em fase de alfabetização, ofereça a ele livros com letra de forma;

5. Lembre-se de sua infância

O que você lia na infância? Resgate essas memórias e apresente-as para seu filho, essa troca de experiências será muito rica;

6. Diversidade

Ofereça ao seu filho gibis, livros de poesias, de imagens, obras clássicas e modernas. Diversidade é boa para mostrar a criança as várias faces da literatura;

7. Teste antes de comprar

Deixe a criança folhear o livro antes de comprar e veja as reações dele;

8. Permita que a criança faça suas escolhas

Dê sugestões, mas jamais imponha nada as crianças. 

Smiling child reading a book with letters flying away from it

Como fazer seu filho ler?

A missão é difícil, porém, não é impossível.
Com dedicação e tempo você faz esse enorme bem às crianças. Nosso primeiro incentivo é a ativação da região do hemisfério esquerdo chamada córtex de associação parietal-temporal-occipital, isso é importante porque esta área liga sons e estímulos visuais, conforme explica John S. Hutton, pesquisador clínico do Centro Médico Hospitalar Infantil de Cincinnati. Ficou entusiasmado? Então, fique ligado nessas 5 dicas para incentivar seu filho a ler:

1. Tenha livros em casa

Reserve um espaço para fazer uma biblioteca. Não tem espaço? Use uma caixa ou baú para guardar os livros. Procure comprar livros regularmente, os sebos vendem livros baratos e em bom estado. Você não está gastando, e sim fazendo um investimento para vida toda;

2. Fácil acesso

Livros são sagrados, mas, não devem ser intocáveis. Deixe as crianças tocarem neles, analisarem a capa, ilustrações e outros detalhes;

3. Leia para seu filho

Leia com boa vontade e use entonações diferentes. Separe 20 minutos diários, preferencialmente antes da criança dormir. Conte narrativas simples, porém, que não subestimem os pequenos. Ler para a criança promove interação entre pais e filhos.

4. Frequentar espaços de leitura

Livrarias, bibliotecas e eventos sobre livros. Espaços de leitura costumam ser bem divertidos, assim as crianças aprendem que ler é prazeroso;

5. Outras leituras

Caso a criança já for alfabetizada, peça a ela que leia gibis, receitas, rótulos de alimentos e placas de trânsito. Incentive seu filho a escrever bilhetes, cartas e cartões para parentes mais próximos.

Momento da leitura

Para tornar a leitura ainda mais rica, veja como preparar este momento: 

1. Escolha um lugar aconchegante, pode ser na cama do seu filho, no sofá, no chão da sala… O importante é não ter interferências visuais e eletrônicas;
2. Faça gestos, abuse das expressões faciais, use diferentes timbres de voz, explore a respiração e aumente ou diminua a velocidade da narração;
3. Dedoches podem deixar a “sessão história” mais divertida para crianças pequenas;
4. Apague as luzes e use uma lanterna para ler livros de aventura ou suspense. Seu filho vai adorar;
5. Preste atenção nas reações do seu filho, você pode mudar o jeito que está contando a história.

Os melhores livros de 2015

Separamos alguns dos livros infantis que foram sensação ano passado:

  • Uma festa das Cores: da editora Autêntica, com texto de Ronaldo Fraga e ilustração de Anna Göbel, conta a história do tecido chita, surgida na Índia durante a Idade Média;
  • Orie: da editora Pequena Zahar, com texto e ilustrações de Lúcia Hiratsuka, o livro fala sobre a infância da autora e suas viagens de barco que fazia com os pais no Japão;
  • Max, o Corajoso: da editora Companhia das Letrinhas, com texto e ilustrações de Ed Vere, traz a história de Max, um gato que sonha em ser caçador, mas não sabe como identificar um rato;
  • Reinações de Narizinho: da editora Globo com textos de Monteiro Lobato e ilustrações de Jean Gabriel Villin e J. U. Campos reúne 11 livros de Monteiro Lobato publicados entre 1920 e 1931.

O que achou das nossas dicas? Quando colocá-las em prática, conte para gente os resultados. Fale o que funciona e o que precisa ser adaptado em sua casa.


Texto escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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