Filosofia

Filosofia peripatética: origem e importância

Estátua de Aristóteles.
Luis Lemos
Escrito por Luis Lemos

Você já ouviu falar em filosofia peripatética? Já leu ou já ouviu alguém falar sobre o assunto? Não? Então você precisa ler este artigo! Nele você ficará sabendo que filosofia peripatética é um método de ensino criado pelo filósofo grego Aristóteles e significa “ensinar andando”. Antes, porém pedimos que você leia o significado dos termos: “maiêutica” e “escolástica”, eles te ajudarão a entender melhor o assunto. Boa leitura!

“Maiêutica”

Pintura de Sócrates.

O termo maiêutica é uma criação do filósofo grego Sócrates (470-469 a.C.) que significa “parir”, “vir ao mundo”, ou ainda, “aquilo que está no centro”. Como filho de mãe parteira, Sócrates observava

como a mulher dava à luz. Mais tarde, quando se tornou professor, ele passou a aplicar o método da parturiente em suas aulas. Ele dizia que “A filosofia nos ensina a parir por cima, com a cabeça”. Dessa forma, a maiêutica é um dos legados de Sócrates para a civilização ocidental.

“Escolástica”

Livros antigos em prateleira.

Escolástica é um termo usado para explicar um período da filosofia da Idade Média e significa “escola”. Nesse período, à Igreja como detentora do conhecimento, construiu escolas, universidades, visando formar sacerdotes para os seus quadros. Em outras palavras, foi o aparecimento da escola enquanto instituição e não mais da escola como ideia, como era no período antigo. São Tomás de Aquino (1225-1274), por conta de sua extraordinária inteligência, é o grande pensador da escolástica. Dessa forma, ao se falar em Escolástica lembre-se sempre do autor da “Suma Teológica”.

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Professora lendo livro.

A filosofia peripatética vem do termo “perípato” que significa “ensinar andando”. Esta filosofia foi criada por Aristóteles (384-322 a.C), certamente ouvindo Platão falar sobre a maiêutica socrática, a forma como Sócrates ensinava os jovens atenienses à pensar. A partir daí Aristóteles “aperfeiçoou” o termo e passou a usar como método para ensinar sobre lógica, física, metafísica, enquanto caminhava pelos jardins, pelos campos, pelas praças da antiga Grécia. Portanto filosofia peripatética é um método de ensino, aonde o professor vai à frende, como um guia, levando o aluno a refletir sobre temas variados, como a morte, o pecado, a política, a ética, etc.

Jesus Cristo também usava a filosofia peripatética para ensinar o povo e seus discípulos. Segundo o evangelista Mateus (4: 23), “E percorria Jesus toda a Galileia, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do Reino e curando todas as enfermidades e males entre o povo”.

Na Idade Média, a filosofia peripatética também foi utilizada pela Igreja para divulgar o Cristianismo e aumentar o seu poder econômico e espiritual entre os povos e nações. Nesse aspecto, a Escolástica desempenhou papel importante, aproximando o conhecimento científico do popular.

Distante do seu fundador enquanto conteúdo, mais próximo enquanto método, atualmente a filosofia peripatética pode ser encontrada nos museus, nos teatros por ocasião de exposições, visitas técnicas, etc. A sua importância reside no fato da “democratização do conhecimento”. É uma forma de “igualdade de oportunidade”. Na filosofia peripatética, todos sabem o que todos sabem, isto é, o conhecimento é para todos!!!

Sobre o autor

Luis Lemos

Luis Lemos

Graduado em Ciências Biológicas pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA); Graduado em Filosofia pela Universidade Católica de Brasília (UCB); Bacharelado em Filosofia pelo Centro do Comportamento Humano (CENESCH).

Professor de Ciências Naturais na Secretaria Municipal de Educação de Manaus (SEMED/AM). Professor de Filosofia da Educação, Ética e Filosofia Jurídica na Faculdade Martha Falcão/Devry Brasil.

Tem experiência na área de Filosofia da Ciência, com ênfase em História da Filosofia, atuando principalmente com os temas: Educação, Ensino de Ciências, Epistemologia, Ética e Ética Profissional.

Autor dos livros: O primeiro olhar – A filosofia em contos amazônicos (2010); O segundo olhar – A filosofia em temas amazônicos (2012); O terceiro olhar – A filosofia em lendas amazônicas (2014); O homem religioso - A jornada do ser humano em busca de Deus (2016).