Comportamento

Gastrite nervosa: a conexão entre cérebro e intestino

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Popularmente chamada de gastrite nervosa, a dispepsia funcional é considerada uma variante da gastrite. Pra quem não sabe o que é gastrite, este nome é dado à doença que causa inflamação, erosão ou infecção do revestimento estomacal e pode durar pouco tempo (gastrite aguda) e ser tratada com facilidade, ou pode ter maior duração como meses e até mesmo anos (gastrite crônica). A variante chamada de gastrite nervosa não tem associação com inflamações ou alterações na mucosa do estômago, mesmo que eventualmente provoque os mesmos sintomas. Neste caso, o próprio nome já pode nos dar uma ideia de qual é a sua causa: “nervosa”. Te remete à alguma coisa específica? Sim! A gastrite nervosa está completamente associada às questões emocionais. Para ter um melhor entendimento sobre o que é e o que causa esta doença, é necessário analisar cuidadosamente a saúde mental da pessoa que sofre com esta variação da gastrite “clássica”.

Entenda melhor a gastrite nervosa – O que causa?

O estresse é um dos principais fatores para desencadear a gastrite nervosa. Como já foi dito anteriormente, por mais que os seus sintomas sejam idênticos aos da gastrite aguda ou crônica, a dispepsia funcional tem o emocional como o seu principal causador. Em tempos corridos onde vivemos a rotina pesada de trabalho, sentimos insegurança diante de diversas situações, sentimos medo e ficamos ansiosos ao enfrentar algumas situações da vida, nos preocupamos com questões financeiras, entre outros, e por estes fatores, acabamos ficando mais expostos e suscetíveis ao estresse. Se não forem tratados com a devida atenção, estes acontecimentos podem deixar algumas marcas na saúde de todos quando não nos atentamos e a gastrite nervosa é uma das marcas que mais atingem a população.

Mulher com fortes dores do estômago. Ela está com as mãos sobre o abdômen.
Direitos autorais : Sebnem Ragiboglu

Disfunções emocionais e a conexão entre o cérebro e o intestino

Vamos citar um exemplo simples para te mostrar que o nosso cérebro tem ligação direta com o nosso intestino, e que as emoções têm o poder de alterar o nosso sistema digestivo. Analise:

Com certeza você já sentiu aquele “frio na barriga” ao se deparar com uma pessoa por quem se sente atraída ou quando teve que enfrentar um momento no qual o nervosismo tomou conta de você. É aquela famosa sensação de “borboletas no estômago”, sabe? Pois não se espante: ela tem completa ligação com a conexão entre o cérebro e o intestino. Segundo Alexandre Feldman, especialista em medicina do estilo de vida e clínico geral, há uma comunicação entre os neurônios que estão no intestino com o cérebro, por meio do nervo vago (estrutura que liga o sistema gastrointestinal à cabeça, que passa pelo tórax). Isso explica a vontade de ir ao banheiro que sentimos quando nos deparamos com situações de estresse ou ansiedade.

Podemos concluir e entender com facilidade, que as questões psicológicas de uma pessoa têm total ligação com alterações digestivas, assim como o que se come. Se você se alimenta mal, o seu intestino será prejudicado e os neurotransmissores que se comunicam com o seu cérebro desencadearão instabilidade emocional.

Mulher dentro do seu quarto. Ela está sentada sobre a sua cama. Veste uma camisola na cor nude e aparenta está com muitas dores no estômago.
Direitos autorais : Sebnem Ragiboglu

Quais os sintomas da gastrite nervosa?

Azia

O excesso de ácido no estômago gera a sensação de queimação, que é denominada “azia”.

Dores no estômago

Todas as gastrites se apresentam por meio de desconfortos na parede estomacal, que geralmente são causados pelo desequilíbrio da acidez. Geralmente este é o primeiro sintoma de que a doença se faz presente no organismo. Quando o caso é a gastrite nervosa, a dor se manifesta como pontadas no estômago. Se você passar por um momento de nervosismo, estresse ou de ansiedade e sentir alguma pontada logo em seguida, as chances de que o causador do desconforto seja a gastrite nervosa.

Má digestão

Ter a sensação de que a comida não foi digerida e de que permanece parada no estômago é extremamente desconfortável. Alterações no ambiente estomacal fazem com que as enzimas digestivas tenham o seu funcionamento afetado, resultando na sensação de peso no estômago e dificuldade de digestão.

Arrotar com frequência

A má digestão e a presença descompensada de ácido no ambiente estomacal resultam na produção de gazes no organismo. A sensação consequente destes fatores é o famoso estufamento da barriga e arrotos frequentes. Quando se arrota, os gases são liberados e a pessoa até sente um certo alívio, mas enquanto a crise de gastrite persistir, os gases voltarão a se acumular.

Mulher deitada sobre a sua cama se contorcendo com fortes dores no estômago.
Direitos autorais : Aleksandr Davydov

Náuseas e vômitos

Quando o estômago está “perturbado”, a regurgitação pode ser “comum”, pois com tantas alterações no ambiente estomacal, o organismo tenta naturalmente eliminar as substâncias consideradas agressivas. Por isso, é comum sentir-se enjoado e até mesmo que vomite enquanto passa por uma crise de gastrite nervosa, mas se enjoos e náuseas forem recorrentes, busque imediatamente um médico especialista.

Além destes sintomas descritos, tenha atenção em alguns outros fatores e analise se algum deles se faz presente na sua rotina:

– Tensão muscular (a sensação de ombros pesados e pescoço “duro”);
– Episódios de insônia;
– Diminuição da libido;
– Dores de cabeça;
– Perda ou aumento de peso;
– Dificuldade para se concentrar;
– Procrastinação constante;
– Problemas com humor;
– Nervosismo constante;
– Dificuldade para relaxar.

É importante observar se alguns destes sintomas fazem parte da sua rotina, pois eles estão ligados a quadros de ansiedade e estresse.

O que deve ser feito? Que médico você deve procurar?

Procure por um gastroenterologista e faça todos os exames necessários para ver se há alterações na sua parede estomacal. O exame comumente feito para sanar qualquer dúvida é a endoscopia. É importante que você descreva todos os sintomas presentes, os citados anteriormente associados à gastrite nervosa, e os outros que estão ligados a quadros de ansiedade. Caso não haja nenhuma alteração no seu estômago e seja comprovado que você não possui nenhuma doença como gastrite aguda ou crônica, é preciso tratar o que causa o seu distúrbio nervoso: as emoções (mesmo que não hajam indícios de doença no seu estômago, o médico poderá te receitar algum antiácido para aliviar os sintomas).

Mulher com fortes dores abdominais. Ela está em sua sala de estar sentada sobre o seu sofá bege claro.
Direitos autorais : Roman Samborskyi

Como tratar a gastrite nervosa?

Procurar por um psicoterapeuta é o primeiro passo. Entender quais são os fatores que te causam estresse e ansiedade é essencial para que estes pontos sejam tratados. Para os sintomas, alguns remédios são indicados, como antiácidos ou algum outro que tenha a função de diminuir a produção de acidez do estômago. É importante ressaltar que os medicamentos devem ser recomendados por um médico e que de forma alguma você pode se automedicar. Todavia é necessário evitar o uso contínuo de tais medicamentos, pois eles podem gerar dependência e outros problemas no organismo. O ideal é que você trate as suas questões emocionais com terapia, técnicas para relaxar, e também que mantenha uma alimentação saudável e pratique regularmente atividades físicas.

Depois de ir a um médico especialista, de procurar por uma psicoterapia, alterar a alimentação e praticar atividades físicas, observe algumas dicas para aliviar os sintomas da gastrite nervosa:

O chá de camomila é um remédio caseiro e muito eficaz para acalmar a gastrite nervosa. É indicado tomar de 2 a 3 vezes diariamente, para acentuar o seu efeito calmante, tanto para o estômago quanto para os seus ânimos.

O suco puro da couve, quando tomado em jejum, age diretamente reduzindo os gases, e assim diminuindo os arrotos e a sensação de barriga estufada.

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O suco de limão é uma das melhores opções para azia! Isso mesmo! Tomar suco de limão puro pode parecer um pouco contraditório, pois falamos anteriormente que quando há um excesso de acidez no estômago, a azia aparece! Por mais que o limão seja ácido, se ele for tomado puro (sem água e sem açúcar, simplesmente a fruta espremida), quando ele chega no estômago, o ácido cítrico irá se oxidar e atuará como base, controlando a acidez do estômago e regenerando os tecidos que estiverem inflamados.

Por mais que as dicas caseiras sejam eficazes na diminuição dos sintomas, a primeira atitude que você deve tomar quando notar certos desconfortos no seu estômago é procurar um médico. Somente um especialista poderá te diagnosticar e indicar o melhor tratamento. Se for comprovado que você tem gastrite nervosa, busque imediatamente por um psicoterapeuta e aprenda a lidar com as suas emoções!

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