Autoconhecimento

Novos horizontes para a alma – uma jornada particular

propósito de vida
Fernando Vidya
Escrito por Fernando Vidya

Quando criança, eu nunca imaginei que trabalharia com autoconhecimento e desenvolvimento espiritual. Sempre gostei de estudar. Apesar disso, eu mal sabia o que iria ser quando crescesse. E demorou para eu descobrir.

Ao longo da minha jornada, a vida apresentou-me caminhos diversos e fui escolhendo aqueles cuja vibração era compatível com o meu sistema de crenças. Fiz carreira na área comercial de uma grande empresa e fui treinado para vender produtos e serviços, buscando sempre despertar necessidades nos clientes.

Compreendi estratégias de marketing e técnicas de programação neurolinguística não só para “ler” e interpretar as expressões dos clientes mas para estabelecer sintonia, a fim de transmitir a eles uma mensagem, estimular a ansiedade, a necessidade de ter, de comprar, fazendo-os se sentirem especiais, diferentes, exclusivos.

Eu me valia de técnicas para tratar as pessoas não como pessoas mas como consumidores, como clientes em potencial. Eu ajudava a alimentar um sistema social consumista, de separação da sociedade em classes, que acaba estimulando mais e mais o consumo do supérfluo, o uso irresponsável do dinheiro e o crescimento da desigualdade.

Mulher trabalhando. Ela está em uma mesa que contém um caderno, um copo de café e um notebook.

Eu ajudava a manter uma classificação de clientes, os especiais e os ordinários.

Eu agia em prol daquilo que eu criticava. Eu era mais uma das incontáveis pessoas em busca de atingir metas e dar resultados, assim como vemos no comércio, na indústria, nos bancos, nas milhares de empresas que aparecem nas propagandas de TV…

Eu ajudava a alimentar o mesmo sistema que conflitava com os valores humanos que eu defendia. Mas era esse sistema que mantinha a minha percepção de estabilidade profissional e financeira, que me mantinha na ilusão de estar seguro. Eu tinha medo de perder isso. O medo me paralisava. O medo bloqueava o meu potencial humano e a capacidade de agir contrariamente a esse sistema. O medo de perder os bens materiais que eu havia conquistado era maior do que eu imaginava, pois ele estava enraizado no meu inconsciente.

Eu sofria com a rotina desse sistema, mas só conhecia ele, então insistia em mantê-lo e defendê-lo em minha vida ao mesmo tempo que ele nutria meus medos e frustrações.

Tive duas depressões ao longo da vida, uma na juventude e outra já na maioridade, justamente pela dificuldade em me encaixar, em definir uma identidade para mim em meio a um ambiente social que valoriza a aparência, o status. Tive dificuldades em assumir minha individualidade, de ser eu mesmo; buscava aceitação, adaptando meu jeito de ser, moldando minhas atitudes, meu comportamento. Sofri muitas vezes pelo gasto excessivo de energia em mostrar ser quem eu não era.

Silhueta de um menino com a cabeça baixa.

Acabei me acostumando com as máscaras que criei para mim mesmo

Acostumei-me com as camadas e mais camadas de filtros para adaptar a minha personalidade aos grupos, ao emprego, aos clientes. Escondi as feridas o quanto pude, até estourarem em dor e agonia por eu não mais conseguir corresponder às expectativas. Algo estava errado: o mundo, eu ou os dois. No primeiro momento, foi mais fácil culpar o mundo, até eu perceber que somos nós mesmos que fazemos o mundo ser como é. Se eu quisesse que o mundo mudasse, eu teria que começar a mudar a mim mesmo para ajudar a criar um mundo melhor.

Eu mal sabia que a minha vida se transformaria drasticamente nesse instante. A dor foi uma grande professora. Embora fragilizado, encontrei forças dentro de mim para seguir em frente e romper os paradigmas.

Iniciei o processo de desconstrução de minhas crenças limitantes e passei a encarar meus medos e máscaras sociais. Quanto mais fundo eu ia, retirando as máscaras que outrora serviam de escudo, sempre em direção aos alicerces de toda aquela edificação sobre a qual a minha personalidade havia se moldado, mais eu percebia que as escolhas que fiz ao longo da vida já não me levariam a um local onde eu me sentiria em paz e realizado.

Meus objetivos haviam mudado

Homem sorrindo. Ele está em uma floresta iluminada pelo sol ao fim de tarde.

Eu ainda mal sabia qual era o meu propósito de vida, mas, uma coisa eu sabia, meu futuro não seria na carreira que eu exercia naquele momento.

Determinado, neguei oportunidades de promoção que surgiram para mim naquela empresa. Deixei claramente de focar na carreira para encontrar meu propósito de alma. Qual seria?

Apesar de ter crescido aprendendo as doutrinas da religião católica, há tempos não me identificava mais com ela. Por providência, conheci pessoas maravilhosas que apresentaram caminhos espirituais dos mais diversos, em que pude iniciar o meu desenvolvimento espiritual exercendo minha liberdade de escolha. Imergi em conhecimentos dos mais diversos para descobrir quem eu era em essência e me surpreendi ao estudar sobre maya, a grande ilusão. Foi um choque.

Ao longo do tempo, dos estudos e do desenvolvimento da mediunidade que descobri em mim, percebi que, apesar da ansiedade, o meu caminho se revelaria aos poucos, durante o meu processo de autoconhecimento e desenvolvimento espiritual.

Fiz cursos em terapia holística e até iniciei um trabalho individual de tratamento holístico em pessoas…

Um homem e uma mulher meditando em uma sala.

Segui esse caminho até perceber que as terapias que escolhi aprender e praticar foram todas para a minha própria cura, além de agregarem conhecimento ao meu ser e beneficiarem outras pessoas.

O processo de desconstrução das camadas da minha personalidade revelava mais de mim do que eu imaginava. Deparei-me com minhas sombras e aprendi a conhecê-las melhor. Só assim eu conseguiria me tornar uma pessoa mais vigilante, mais auto-observadora.

Descobrir minhas sombras foi muito doloroso, mas não me arrependo sequer por um instante, pois aprender sobre elas tornou-me mais consciente dos meus atos e, consequentemente, mais forte.

Conheci religiões e filosofias de vida.

Conheci pessoas com histórias incríveis. Percebi que eu era uma criança precisando aprender sobre o amor, a alegria, a paz, a amizade, a caridade…

Foi doloroso saber o quanto eu era carente e passei a fortalecer meu corpo emocional dia após dia, ao passo que eu fortalecia o meu mental para que meus pensamentos não me boicotassem.

É curioso como a nossa própria mente pode nos edificar ou nos destruir, conforme o tipo de pensamentos que alimentamos.

Incentivado por amizades valiosas, entrei para uma escola iniciática na qual um universo de novos conhecimentos abriu espaço para a minha mente expandir.

Algum tempo depois, fui apresentado a uma mestra, hoje preciosa amiga, taróloga, Rosa, que me apresentou o Tarô Egípcio. Ah… Conhecimento incrível! Através de cada um dos arcanos, pude também me autoconhecer, me compreender e saber quando e como minhas ações estavam em desequilíbrio, a fim de que eu pudesse realizar ações para restabelecer a paz e a ordem divina em minha vida, progredindo espiritualmente, sempre.

Baralho de tarô.

O tarô mostrava aquilo que o ego queria esconder

Trazia ao consciente aquilo que se passava no inconsciente; revelava tudo aquilo que a mente e os cinco sentidos não percebiam. Mostrava o desequilíbrio para que através dos meus pensamentos, sentimentos e ações eu pudesse me reequilibrar.

O estudo fascinante dos 78 arcanos contou-me a história da minha jornada evolutiva, das minhas tendências positivas e negativas; levou-me a um estado profundo de transformação.

Que transição…!

Todos os conhecimentos que eu vinha adquirindo já não mais cabiam em mim. Minha alma transbordava informações e eu senti que precisava compartilhá-las. Foi então que o processo de compreensão do meu propósito de vida começou de verdade. Tudo havia sido um grande preparo.

Percebi que grandes mudanças estavam a caminho. As crenças e os valores sociais sobre os quais cresci e sobre os quais me baseei para construir uma carreira a ruíam em meu interior.

Diante do desconhecido, adquiri coragem e entreguei a minha carta de demissão. Foi o primeiro grande passo para uma nova fase em minha vida.

Experiência, conhecimento, maturidade, sabedoria.

Homem lendo sentado em um parque.

Quando, afinal, estaremos prontos…? Afinal, aprendemos todos os dias. Aprender e partilhar é uma ação justa e constante em nosso caminho evolutivo.

Meu processo de desenvolvimento pessoal e espiritual… as etapas de desconstrução de crenças e de aplicação do conhecimento em minha vida… Tudo continua, não para; e não se resume a algumas páginas de texto. Posso dizer apenas que despertei para quem eu realmente sou. Abri-me para compreender os conhecimentos que já existiam dentro de mim. Permiti que meu Eu Maior me orientasse dali em diante. Eu realizava o desapego de mim mesmo.

Desde que iniciei o meu processo de despertar espiritual, eu soube que quem quer trabalhar com desenvolvimento espiritual humano deve, antes de mais nada, ter um comprometimento muito grande com a própria melhora, com o próprio processo de cura, de autoconhecimento e lapidação pessoal.

Como podemos falar às pessoas sobre amor, se não o tivermos experimentado?

Como podemos falar às pessoas sobre o ego, a personalidade, se nós mesmos não observarmos e trabalharmos o nosso ego? Ora, para ajudarmos o outro, precisamos nos ajudar primeiro. E encarar as próprias sombras não é uma tarefa fácil, pois requer abnegação e coragem para ressignificá-las constantemente. E, embora todo esse processo seja doloroso, acredite, vale a pena, pois onde há trevas, há espaço em abundância para muita luz incidir.

Desapegar do sistema voltado às satisfações do ego é uma tarefa diária, pois as provações estão ao redor. Cada dia é uma nova oportunidade para ressignificarmos valores, para mudarmos o nosso jeito de pensar, sentir e agir.

Foi ao compreender o meu propósito, depois de muito tempo, e a partir da escolha em segui-lo, que passei a compartilhar meus conhecimentos através do uso da palavra escrita e falada. Finalmente encontrei o meu caminho.

Aliei profissão e propósito de vida.

Iniciei a escrita de livros e de artigos espiritualistas. Abri-me a dar palestras e a ensinar o Tarô Egípcio como ferramenta de autoconhecimento a quem estivesse disposto a aprender.

Tornei-me professor e passei a utilizar da minha mediunidade, ou sensitividade, como instrumento divino, para compreender melhor a mim mesmo e ao outro, a fim de contribuir para que cada vez mais pessoas encontrem o seu próprio caminho.

Percebi que no momento em que nos dispomos a transmitir um conhecimento aprendemos em dobro, pois elevamos o grau de comprometimento e responsabilidade para poder entregar uma informação de valor às pessoas.

Hoje realizo meu propósito desenvolvendo almas, transformando suas percepções, espalhando sementes de conhecimentos fundamentais para a compreensão da responsabilidade diante do próprio desenvolvimento.

Hoje ensino tarô e escrevo às almas humanas que estiverem dispostas a se transformarem. Semeio palavras, imbuídas dos valores do espírito, pelos quais aprendi que vale a pena viver e abdicar da grande ilusão, de maya. E pouco a pouco procuro despertar a sementinha do discernimento na mente de cada uma das pessoas com quem tenho o privilégio de entrar em contato.

Discernir é o ponto central do processo de aprendizado.

Mulher de costas olhando para uma estrada.

Pois há inúmeros caminhos. Muitos deles nos apresentarão bifurcações e nos levarão a fazer escolhas. Enquanto o sistema materialista tenta nos levar sempre pelo caminho mais fácil, que corresponda a maya, à grande ilusão, devemos ser fortes e firmes para resistir sem pesar, sem nos deixar iludir e pressionar pelas escolhas e expectativas daqueles que ainda não despertaram e não compreendem o que está por trás desse grande jogo.

Está na hora de todos acordarem e se desenvolverem plenamente como essências, como espíritos. E isso somente é possível se nos permitirmos saber quem somos e se nos permitirmos reconduzir nossos passos, conhecendo a nós mesmos, lapidando o nosso ego.

Está na hora de despertar e fazer da vida poesia de amor, de valor incondicional.

E para o amor ser abundante em si conheça-se, desperte, foque em seu desenvolvimento. Mergulhe dentro de si. Conheça suas dores, desapegue dos temores e trabalhe dia após dia para iluminar as sombras presentes em seu interior. Permita-se conhecer a sua personalidade e, compreendendo a si mesmo, compreenderá o outro.

Sou feliz a cada dia que escolho ser. Nem por isso digo que minhas escolhas foram ou são fáceis ou que meus dias são feitos de magia. Não é bem assim. Continuo a viver e a conviver no mundo, em maya, mas vivo de forma diferente. Hoje escolho ver por trás da ilusão. E o grande aprendizado está justamente em, ao conhecer a Verdade, a partir do seu próprio filtro de personalidade, escolher continuar a viver seus dias com muita alegria.

Eu escolho ser feliz, dia após dia.

Homem sorrindo em um escritório.

Há dias mais fáceis que outros. Ainda assim, eu escolho levar essa alegria às pessoas e fazê-las refletir, através das palavras, sobre si mesmas e sobre seu papel neste mundo. Trabalharei até o último de meus dias desta existência levando palavras de transformação, como pequenas sementes, que irão penetrar na mente daqueles que estiverem dispostos e receptivos à mensagem. E serei ainda mais feliz ao vê-las germinar.

Sou um semeador de palavras, um mensageiro. Espalho sementes por onde eu vou. E aqui deixo esta sementinha a você que está disposto a conhecer um pouco mais de si mesmo:

Lembre-se de quem você é.

Observe-se todos os dias. Não tema o que desconhece. Observe suas sombras interiores. Lance luz em suas tendências desagradáveis. O trabalho pode ser um pouco longo, por isso, se ainda não começou, comece hoje. Quando desanimar, persista. Não perca tempo nesta encarnação até perceber o quanto é valioso o trabalho de lapidação pessoal. Pois, o quanto antes começar a lapidar-se, antes chegará o dia em que mais forte a sua luz própria brilhará e mostrará que todo o trabalho e o tempo investido em seu benefício terão valido a pena.

Não espere.

Uma encarnação pode ser pouco para perceber que a vida é muito mais do que o que se mostra nos outdoors e nas propagandas da TV.

Não espere. O trabalho começou quando você nasceu. Quanto tempo mais você demorará para realizar o seu importante processo de cura interior?

Não espere. Siga em frente. Deixe fluir a energia superior que conduz seus caminhos e o leva até pessoas formidáveis que lhe trarão oportunidades lindas e únicas.

Não espere. Una-se à Fonte. Abra-se ao novo. Abra-se ao seu próprio Eu.


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Sobre o autor

Fernando Vidya

Fernando Vidya

Fernando Vidya nasceu em 1986. É autor do livro “Despertando para um Novo Mundo”, pela Editora Vida & Consciência.

Formado em biologia pela Universidade Estadual do Norte do Paraná (UENP). É membro da Sociedade Brasileira de Eubiose, escola filosófica e iniciática, com foco no desenvolvimento do ser humano, por meio do estudo esotérico para melhor compreensão da vida.

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