Convivendo Crônicas da Vida Terceira Idade

O adeus aos nossos pais

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras
Sim, esse é um tema difícil. Não é fácil falar a respeito da morte dos nossos pais, principalmente antes da morte do pai e/ou da mãe realmente acontecer. Porém é preciso estar preparado para esse momento, porque a morte do pai ou da mãe é um acontecimento que se inicia muito antes de a vida de um deles aqui na Terra acabar.

Com o tempo, assim como diz Fabrício Carpinejar, tornamo-nos pais de nossos próprios pais e esse é um momento importante da vida de cada um de nós.

É o momento em que decidimos se vamos nos despedir de nossos pais pouco a pouco, dia após dia, curtindo cada momento ao lado deles enquanto eles ainda estão ao nosso lado ou se iremos abandonar quem nos criou para chorarmos sobre seus caixões, arrependidos por não termos aproveitado mais suas companhias enquanto estavam entre nós.

Toda alma precisa descansar.

Não é fácil admitir que aquele que nos criou e nos deu amor antes de qualquer outro ser no mundo está nos deixando, mas isso também não precisa ser encarado de maneira negativa. Toda alma precisa descansar. Todo corpo precisa parar em algum momento. Afinal, a única certeza que temos na vida é que iremos morrer, certo?

Então deixemos a vida tomar seu curso. Vamos nos conformar com o ciclo da vida, porque é isso: é ciclo, não tem linha de partida ou chegada, é cíclico, infinito – sim, é sem fim!

Quando um pai morre, ele não morre por completo porque deixou uma parte dele aqui: seu filho, que deixará uma parte dele e de seu pai em seu filho e assim por diante. Logo, nunca morremos por completo.

Quando um pai ou uma mãe morre, significa que seus corpos precisam descansar. Mas não devemos abandonar esse ser antes disso acontecer. Como demonstração de amor e afeto, devemos cuidar deles assim como eles cuidaram da gente: com muito carinho. Devemos ajudá-los nas tarefas mais simples do dia a dia com paciência, assim como eles nos ensinaram a comer, a tomar banho e a andar, por exemplo.

É dever, enquanto filho, cuidar dos pais quando idosos. Entretanto, muito mais do que isso, cuidar dos pais idosos deve ser, acima de qualquer coisa, uma oportunidade para criar novas lembranças com esses seres tão importantes para nós, seres que estão indo para o descanso eterno e que merecem descansar!

É egoísmo desejar que eles fiquem para sempre aqui no mundo físico, não acha? Trabalham tanto e se dedicam tanto, então merecem descansar, assim como, um dia, os filhos – que provavelmente já terão se tornado pais – também merecerão.

E quando entendemos isso, tornamo-nos pais dos nossos pais, mesmo enquanto ainda estão vivos. “Por quê?”, você deve estar se perguntando. É simples. Chega um determinado estágio da vida em que você começa a perder habilidades e capacidades, e aí os filhos, que estão em seu auge de força e expertise, passam a ajudar, a ensinar e a lembrar tudo aquilo que foi esquecido pelos velhinhos.

Ao ser pai do seu próprio pai, você começa a entender que ele já está tomando o caminho inverso: enquanto um bebê que chega ao mundo sabendo muito pouco precisa aprender e se desenvolver, os idosos começam a esquecer tudo o que já sabiam. Ou seja, enquanto os bebês estão crescendo, os idosos estão chegando perto de seu adeus à vida terrena.

E aí, então, precisamos dar adeus aos nossos pais. Fácil? Não é. Mas talvez o processo se torne mais fácil se o fizermos dia após dia, demonstrando nossa gratidão por quem nos criou, demonstrando nosso amor por quem nos deu vida e a oportunidade de estarmos aqui, demonstrando carinho por quem sempre demonstrou carinho por nós, independentemente de qualquer coisa.

Quando o momento de dar adeus realmente chegar, não será fácil, de qualquer maneira, mas ao menos você terá a consciência de que fez tudo o que podia para demonstrar seu amor por seus pais e será invadido pela paz de espírito de saber que aproveitou todos os momentos ao lado deles – inclusive os momentos de dificuldade e da velhice.

Eles merecem descansar. Merecem ir para um lugar melhor.

Apesar de ser difícil, tente encarar esse adeus como um alívio. Não para você, mas para seu pai ou sua mãe. Seja lá qual for a sua crença, pense que eles estão melhores agora, mais tranquilos e em paz. Pense que um dia, quem sabe, vocês estarão juntos novamente.

Não se martirize. Não enlouqueça. Não permita que a tristeza tome conta de você. Ninguém coloca filho no mundo para morrer de tristeza. Esteja onde estiver, seus pais querem ter orgulho de você. Acima de tudo, querem ter a certeza de que você está e é feliz.


Texto escrito por Giovanna Frugis da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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