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O poder do abraço

Casal se abraçando
Jéssica Sojo
Escrito por Jéssica Sojo
13 horas da tarde. Sábado, dia tipicamente comum, céu ensolarado. Estação Anhangabaú, linha vermelha do metrô de São Paulo. Junto a uma amiga, acabara de sair de um curso que estávamos fazendo no mesmo dia e eu tinha sugerido de irmos procurar um local para almoçarmos no centro de São Paulo. Confesso aqui que tivemos de andar um pouquinho para encontrarmos algum local legal e que valesse a caminhada, e que depois de tanto andar pelo centro de São Paulo, finalmente almoçamos, e ao sairmos do local e voltarmos para onde estavam lecionando o curso, encontramos um rapaz que mora na rua (bastante comum no cotidiano de qualquer ser humano e em diversos locais de São Paulo, mas naquele sábado, beirando mais das 14hs, pude aprender algo novo e colocar em prática todo o ensinamento sobre praticarmos o bem sem olharmos a quem).

Lembro nitidamente bem e como se fosse agora. Naquele momento, olhei para o rapaz (e para a minha amiga, que estava querendo ir embora me apressando e com o receio de sermos roubadas), fiquei parada por uns segundos, criei coragem, olhei nos olhos do rapaz e questionei-o se estava com fome e se gostaria que comprássemos algo próximo ao local onde nós tínhamos acabado de almoçar (bem clichê e inclusive, acredito que qualquer outro ser humano faria o mesmo que eu) – mas, para a minha surpresa e espanto inicial, o mesmo rapaz retornou-me dizendo que não, ele não queria nada. Ele queria somente e apenas um abraço. Abraço, ato de abraçar.

Garota sorrindo abraçando outra

Esse episódio me fez refletir o quanto nós somos condicionados a passarmos desapercebidos e esquecermos da existência de algumas pessoas no nosso cotidiano (por múltiplas razões e algumas bem óbvias, aliás) e o quanto nós não valorizamos a simplicidade que a vida nos oferece, já que ficamos presos a nossa própria bolha por muitos motivos e crenças limitantes, limitando a nossa capacidade de irmos além do que nos é visível. Em um mundo tão colossal, conflitante e inflexível nós sobrevivemos mais falando do que ouvindo o próximo – e afinal, quem é o próximo mesmo? (Se nós não valorizamos nem a nossa própria existência, quem dirá a do próximo?). No meu pensar reflexivo e no mesmo dia, pude notar como nós vivemos cegos e imersos em “nossas” dores desnecessárias, “nossos” pensamentos que causam uma perda de energia, de saúde e tempo – e não nos permite algumas oportunidades de olharmos além daquilo que nos é visível.

Mãe e filha se abraçando

Não hesitei e assim que cheguei em casa, fiz questão de procurar no nosso sábio e querido amigo dicionário o significado da palavra abraço e encontrei o seguinte: “Abraçar é o ato de “envolver (algo ou alguém) com os braços, mantendo-o junto ao peito; cingir com os braços; dar abraços recíprocos.” E também de “dispor-se em torno de; cercar, envolver, circundar.” – certo, mas por quê que eu procurei o significado de abraço, se eu sei o que significa abraçar alguém? (lembrando que saber o que significa é diferente de colocar em prática na vida diária). Eu sempre acreditei que abraçar alguém diz muito mais sobre o ato de abraçar em si (nós não só doamos uma melhor parte de nós, como também recebemos uma melhor parte do outro) e posso dizer que isso é também saber ouvir o outro. Por isso, eu questiono: quando é que foi a ultima vez que nós nos envolvemos reciprocamente com alguém (em meio a vida atribulada que vivemos)? Qual foi a última vez que nós nos dispusemos a alguém? Abraçar, quem? Abraçar? Pois é.

Casal abraçado com pôr-do-sol ao fundo

E antes que alguém me questione se eu abracei ou não, confesso que fiquei estática com o rapaz que mora na rua, e antes que eu ousasse questionar novamente, recordo dele olhando bem fundo nos meus olhos e frisando que apenas queria um abraço – ato de abraçar. Sem mais delongas, olhei para a minha amiga, acenei um sim com a minha cabeça e agachei bem próxima ao rapaz e nós nos abraçamos um ao outro – e finalmente pude entender e colocar em prática na minha vida, aquele sábio e velho ditado: “fazer o bem sem olhar a quem”, já que tive a oportunidade única de adentrar em um universo oposto, mas total semelhante ao meu. Aproveitei a oportunidade, dei leves batidinhas no ombro do jovem rapaz e questionei-o se este estava bem e recordo dele retornar dizendo que sim, estava bem e tinha escolhido esse caminho após muitas decepções na vida. Pisquei de canto, desejei-lhe boa sorte na vida e agradeci a oportunidade de poder mais uma vez aprender e colocar em prática aquele velho e sábio ditado: “fazer o bem sem olhar a quem.”

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Finalizo desejando que você aí do outro lado sinta-se abraçado por mim – e de que assim como eu – possa também ter a oportunidade de abraçar com calma e com a alma a próxima pessoa que aparecer no seu caminho e enxergar além do que for visível aos seus olhos.

Sobre o autor

Jéssica Sojo

Jéssica Sojo

Extremamente curiosa por entre os quatro cantos do mundo – e viciada em chás. Minimalista e tentando viver uma vida perto do zero-lixo. Vegana e ativista voluntária da Mercy of Animals. Fascinada pela África e sonhadora em morar nesse país fabuloso e cheio de ensinamentos fundamentais a nossa cíclica vida. Palmeirense. Budista. TILSP e apaixonadíssima pela Cultura Surda <3. Conversadeira sobre diferentes possíveis e até impossíveis assuntos – dentre outras coisas mais, é custoso classificar quem eu sou – sendo que eu sou o todo que me cerca – outro você que é outro eu e juntos, nós somos UM. Eu poderia começar partilhando que foi inicialmente e com base na minha experiência como acadêmica na Faculdade de Medicina – com a esperança de trabalhar com o ser humano e as suas limitações, que eu despertei para um lado ao qual eu não fazia a menor ideia de que existia dentro de mim e de que eu também poderia usufruir desse lado despertando em outras pessoas o sentimento de sempre brilharmos como o sol, mesmo nos momentos mais inoportunos da nossa cíclica vida.

Digo sempre que nós somos semelhantes ao sol, assim como há dias nublados e ensolarados – como for – os nossos dias, são como a nossa cíclica vida, que também brilha, e isso independe do momento que passemos. Continuemos a brilhar, independente desses nossos momentos, difíceis e necessários para a nossa evolução, ou não tão difíceis, a nossa vida brilhará sempre. Cabe somente a nós, decidirmos brilhar ou sombrear. Despertarmos e incentivarmos o mesmo ao nosso próximo ou nos enclausuramos e perdemos a grandiosa oportunidade de ser como o radiante e brilhante sol. Meu designo aqui no Portal EuSemFronteiras é exatamente compartilhar as minhas experiências, junto a cada leitor e leitora, e em troca do nosso entrosamento, brilharmos e despertarmos uns nos outros, o nosso saudoso e caloroso sol. Ressoando todo o nosso conhecimento e transformando a nossa revolução humana com base nos nossos dias ensolarados e nublados, sem perdermos a esperança.

Meu propósito é trazer sempre em pauta a primordialidade de enxergarmos além do que nos é visível aos olhos - e como a minha mãe sempre comenta, é através do meu brincar com as palavras, que eu tenho total gratidão em estar aqui e em semear em cada pessoa que me acompanha a sementinha de ter total empatia e perceber a essência no coração do nosso próximo. Elevando não só o meu, mas todo o nosso estado de vida e tomando extremo cuidado para não nos perdermos nos detalhes – sendo honestamente sincero conosco mesmos com base no nosso próprio coração e em busca da transformação do despertar de cada um que nos torna UM.

Que a nossa esperança em brilhar em todas as adversidades da nossa vida cíclica nunca se perca em meio as nossas peregrinações na sociedade.

Com todo o meu coração e toda a minha gratidão, em especial, aos meus pais que me permitiram chegar aqui e a minha família que sempre me apoia;

A cada um que me acompanha aqui e ao pessoal que faz parte do portal do EuSemFroteiras.

Um saudoso e caloroso abraço em cada um, que possamos emanar ensolaradas felicidades uns aos outros, sempre.

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