Autoconhecimento Comportamento

O que é memento mori?

Lápide com o escrito 'memento mori" gravado nela
sbossert / Getty Images Signature / Canva
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Quando estamos vivendo algo muito bom, em meio àquele sentimento gostoso de felicidade, às vezes bate uma angústia: um dia isso vai acabar… É, tudo chega ao fim, mesmo que o fim seja nossa morte. Pensar nisso pode ser triste, mas também pode não ser!

É o que propõe a expressão em latim “memento mori”, que nos convida a pensar na morte de outra forma, em outro contexto e com outro objetivo. Confira o que essa expressão significa e reflita sobre ela.

Índice de conteúdo

Significado de memento mori

Memento mori, em latim, pode ser traduzido como “lembre-se de que você vai morrer”. Apesar de parecer algo triste, não é bem assim: é uma reflexão para que nos lembremos de que, em breve, tudo acabará, então que vivamos o hoje intensamente, fazendo tudo o que desejamos sem perder mais tempo.

Se não houvesse amanhã, o que você faria hoje, agora mesmo? Então por que não está fazendo, se não há nenhuma certeza de que haverá amanhã?

Pensar sobre morte, em nossa cultura, é algo assustador. Ela geralmente está associada a dor, luto e sofrimento, por isso evitamos até mesmo dizer a palavra morte. Mas, quando pensamos muito nela, não em como morreremos, mas no fato de que vamos morrer, essa ideia vai se quebrando.

Lápide de túmulo com uma rosa vermelha sobre ela
dragana991 / Getty Images Pro / Canva

É como quando estávamos na escola e o professor avisava a respeito de uma prova muito difícil com todo o conteúdo do semestre. Quando ouvíamos aquilo, batia o desespero, não é? Mas dia após dia, quando víamos que tínhamos capacidade para fazer a prova, ela ficava menos assustadora.

E assim é a vida: conforme amadurecermos e percebemos que temos tudo o que precisamos para que possamos ir em busca dos nossos sonhos e desejos, naturalizamos a ideia de que as coisas vão ter fim, porque focamos apenas em aproveitar o hoje e o momento presente.

A origem de memento mori

Não se sabe ao certo como essa expressão surgiu, mas há dois usos mais conhecidos. Monges confinados em mosteiros costumavam, e, em alguns lugares, até hoje costumam, usar a expressão como saudação, na tentativa de lembrar a todos que os pecados devem ser expiados hoje, não amanhã.

Além disso, conta-se que, quando generais voltavam vitoriosos para Roma, sendo saudados, um conselheiro seguia atrás deles o tempo todo dizendo “Memento mori”, para que se lembrassem de que nenhuma glória é imortal e de que todos nós sucumbiremos ao peso do tempo.

Outras reflexões

Você, obviamente, já pensou a respeito da morte. Se não pensou sobre a sua, certamente refletiu sobre a morte de alguém, nem que fosse num filme. Desde sempre o ser humano pensa na morte, a única certeza que temos na vida.

Borboleta morta sobre página de livro em branco
Lisa Murray / Getty Images / Canva

Para ficar entre aqueles que falavam latim, o imperador Marco Aurélio, por exemplo, escreveu: “Não aja como se fosse viver dez mil anos. A morte paira sobre você. Enquanto você viver, enquanto estiver em seu poder, seja bom”. Ou seja, aproveite o hoje e faça o que for possível agora, não depois, que pode nem existir.

Outro que refletiu bastante sobre a morte foi o filósofo Sêneca. Ele escreveu: “Pensamos que a morte é coisa do futuro, mas parte dela já é coisa do passado. Qualquer tempo que já passou pertence à morte”.

Que ideia, profunda, não? Pensar que a morte é algo que está ao nosso lado agora, não lá no futuro, distante, é algo que pode mudar a maneira como vemos a vida. É como a chegada de um grande amor: você não se prepara para receber a pessoa da noite para o dia; a sua vida inteira o trouxe até esse momento.

Memento mori e “Desventuras em série”

Assim como carpe diem é associado ao filme “A sociedade dos poetas mortos”, memento mori tem essa conexão com a série de livros “Desventura em série”.

Isso acontece porque memento mori é o lema da Escola Preparatória Prufrock, o sombrio colégio onde os protagonistas, Violet e Klaus Baudelaire, estudam.

Livros sobre memento mori

Compreender e aceitar nossa imortalidade, isto é, que podemos morrer a qualquer momento, é essencial para que tenhamos uma relação mais saudável com a vida e com os nossos planos e sonhos, por isso separamos dois livros que podem ajudar você a refletir sobre o fim de maneira saudável e sem traumas:

Foto de natureza morta com crânio sobre um livro ao lado de maçãs verdes e uvas
kvkirillov / Getty Images Pro / Canva

“A morte é um dia que vale a pena viver”, de Ana Claudia Quintana Arantes: palestrante e médica especializada em cuidados paliativos, Arantes faz uma bela exposição a respeito do que aprendeu sobre a morte ao conviver com pacientes que receberam diagnósticos de casos terminais, o que nos ajuda a assimilar a morte e a lidar com ela.

Você também pode gostar

“Por que começo do fim”, de Ginevra Lamberti: e se a pensássemos a vida a partir do fim, não do início? Refletindo sobre isso, a autora se aproxima de temas tabus por se tratarem de morte: fala sobre o dia a dia de uma funerária, sobre cursos com o tema de morte, sobre tanatoestetas (profissionais que maquiam mortos), tanatofobia (medo extremo de morrer), entre outros temas, sempre misturando ficção e realidade.

Quando entendemos que a morte é uma certeza e que ela pode acontecer a qualquer momento, fazer aquilo que desejamos de corpo e alma se torna urgente, então passamos a priorizar nossos sonhos. Reflita a respeito do fim e assimile essa ideia de que ele pode estar mais próximo do que você imagina, então que tal arregaçar as mangas e ir fazer tudo o que você deseja agora mesmo?

Sobre o autor

Eu Sem Fronteiras

O Eu Sem Fronteiras conta com uma equipe de jornalistas e profissionais de comunicação empenhados em trazer sempre informações atualizadas. Aqui você não encontrará textos copiados de outros sites. Nossa proposta é a de propagar o bem sempre, respeitando os direitos alheios.

"O que a gente não quer para nós, não desejamos aos outros"

Sejam Bem-vindos!

Torne-se também um colunista. Envie um e-mail para colunistas@eusemfronteiras.com.br