Energia em Equilíbrio Yoga

O que é o mantra Om?

Pedro Kupfer
Escrito por Pedro Kupfer

Dentre todos os mantras, Om é o mais importante de todos. Ele contém o conhecimento de todos os Vedas e é o corpo sonoro do Absoluto, Shabda Brahma. Om é o som do infinito e a semente que do qual surgem todos os outros mantras.

A Mandúkya Upanishad diz que “O Om é o mundo inteiro. O passado, o presente, o futuro: tudo é o mantra Om. Nas Escrituras está escrito que o mantra Om amplifica-se na caixa de ressonância do primeiro vazio e se propagou até criar o espaço e todas as galáxias.

Para o Taittiriya Brahmana, foi a partir da vibração, do movimento que criou-se os primeiros ritmos no cosmos. Alguns milênios depois, o professor Fred Hoyle, da Universidade de Cambridge, chamou essa vibração expansiva de Big Bang.

Mulher de braços abertos e olhos fechados em conexão com a natureza e meditação
Foto de Lucas Pezeta no Pexels

O lugar dos mantras é paramákásha: o espaço que existiu primeiro, o que é eterno, o que é imutável, o Universo do qual se manifestou a criação.

Quem não conhece a afirmação do Evangelho segundo São João: “no início era o Verbo”. E o Verbo foi o Big Bang.

Om é formado pela união das vogais a e u, ou seja, um ditongo, junto com a nasalização que é sentida pela letra m. Por tal motivo, muitas vezes é escrito AUM. Nestas três letras estão os três estados de consciência, segundo a Maitrí Upanishad, que são a vigília, o sono e o sonho.

O pranava – o mantra Om – é a joia principal entre os outros mantras;
o pranava é a ponte para atingir os outros mantras;
todos os mantras recebem seu poder do pranava;
a natureza do pranava é o Shabda Brahman (o Absoluto).
Escutar o mantra Om é como escutar o próprio Brahma, o Absoluto.
Pronunciar o mantra Om é como transportar-se à residência do Absoluto.
A visão do mantra Om é como a visão da própria forma.
A contemplação do mantra Om é como atingir a forma do Absoluto.
Mantra Yoga Samhitá, 73.

Mulher sentada em tapete de yoga meditando
Foto de Cliff Booth no Pexels

Om é a vibração que emana o abismo inicial da criação. Om é a flecha. O traço de luz que é lançado pelo arco da consciência, atravessando as trevas em que se esconde a ignorância, em direção ao alvo: o Imanifesto!

Segure o arco das escrituras, coloque nele a flecha da devoção;
tensione a corda da meditação e acerte o alvo, o Ser.
O mantra é o arco, o aspirante a flecha, o Ser o objetivo.
Estique agora a corda da meditação,
e atingindo o alvo, seja uno com ele.
Mundaka Upanishad, II:12

Yantra é o símbolo gráfico do mantra. O mantra é a alma do yantra que funciona como um mecanismo para direcionar a consciência àquilo que simboliza primordialmente.

Esta imagem se põe acima da vibração, unindo-se a ela. A representação da fonte de todas as manifestações, o pulsar criativo que projeta todos os mundos.

Na Índia, o mantra Om é visto por todas as partes: casas, comércios, em muros e carros. Ou seja, é onipresente na paisagem cotidiana. Para os Hindus, de todas as etnias e castas, o significado do símbolo é perfeitamente reconhecido. Ecoa em todos os templos e comunicadas na extensão do subcontinente.

Formas de vocalização

Para entoarmos o mantra é necessário estar sintonizado com espaço interno que existe em nós, onde o som irá vibrar, chegando a origem da vibração interna. Shúnya é o nada, o vazio, o espaço interior.

É complicado ser filosófico em relação aos mantras, pois trata-se muito mais do que uma prática, e sim algo muito relacionado a especulação metafísica. O ponto de início da vibração é o bindu. Este ponto, visto na distância, é apenas um ponto. Fazer mantras é retornar para onde este som se inicia. Ao passo que se chega mais perto do ponto, mais se tem consciência do espaço interior, chidákásh, e de como ele é importante.

A explosão: entoar o Om forte, como num único golpe, várias vezes a cada expiração. Essa explosão é como um flash, e é uma das maneiras mais fortes de vocalizar.

  1. O Om também pode ser vocalizado de forma contínua, rapidamente, muitas vezes a cada exalação.
  2. Pode entoá-lo com rapidez, durante uma só exalação, tantas vezes quanto for possível.
  3. Om contínuo, com a letra o bem curta, e o m bem longo: Ooommmmmmmm.
  4. Om contínuo, com a letra o bem longa, e o m bem curto: Ooooooooooommm.
Ilustração de mandala com símbolo do OM no meio na cor vermelha
Imagem de banco de imagens: shutterstock_285618893

Em cada pessoa o Om é trabalhado de uma maneira diferente, por isso não é aconselhável falar de apenas um tipo de efeito. É necessário que se tenha plena consciência e controle da respiração. Foque sua atenção para a vibração que o som produz dentro de sua mente. A execução pode ser mais fácil, quando feita em um volume mais suave. Mantenha o seu corpo imóvel durante a prática.Não existe forma errada de se entoar o mantra Om, desde que se tenha consciência e intenções dirigidas, além de conhecer o significado desse mantra. No entanto, existe uma diferença enorme quando se leva em conta os detalhes técnicos, transformando os efeitos e resultados do mantra. Quando se faz o mantra sem a técnica correta, não existe perigo na vocalização, a diferença está no resultado, que pode ser vazio ou muito inferior ao que poderia ser.

Mas, como fazer a vocalização corretamente sem nunca ter escutado este mantra da boca de alguém que é experiente?

O mantra Om se faz com uma exalação profunda e num ritmo regular. Om começa com a boca aberta, emitindo um som mais semelhante ao a, mantendo sua língua colada no fundo da boca e com sua gargante relaxada. O som nasce no centro do crânio e se projeta para a frente, vibrando na garganta e no peito. Depois de alguns segundos desta vocalização, sua língua deve recolher-se para trás. Desta maneira, o som similar ao a transforma-se numa espécie de o aberto, que se fecha aos poucos.

Mulher com mãos em frente ao corpo unidas e olhos fechados meditando
Foto de Madison Lavern no Unsplash

Por fim, sem fechar a boca, a língua bloqueia a passagem de ar pela garganta, transformando o som em um m, mas que de fato não é um m e sim um nasalização. Este efeito de nasalização se chama anunásika em sânscrito, que literalmente quer dizer com o nariz, e deriva da palavra násika, que também significa nariz. Ou seha, mais claro, impossível.

Ao fluir o ar pelo nariz, expande a vibração para dentro do crânio o que a faz ressoar na hipófise e na glândula pineal. Ambas se relacionam aos chakras da cabeça e regulam o ritmo da respiração, além de fazer correr pelas veias numerosos hormônios como a melatonina e a serotonina, que são conhecidos como “drogas da felicidade” e produzem estados duradouros de paz e alegria.

Neste momento da vocalização o som tem uma vibração mais intensa dentro do crânio. Nosso conselho é que você treine com uma mão pousada em seu peito e a outra em sua testa para conseguir perceber como a vibração sobre conforma o mantra evolui.

Preste atenção e perceba que quando você emite a letro o inicial (que começa com um a, não se esqueça), a nasalização do m já está contida nela. Assim, é um som que é feito com o nariz, e não a letra m.

Mulher sentada na praia de costas com mar ao fundo em posição de lótus
Foto de Simon Rae no Unsplash

Quando se insiste na vocalização você sentirá com clareza a vibração que se origina bem no centro da sua cabeça e vai se expandindo até chegar a tomar conta do seu tórax e do resto do seu corpo.

Observando suas particularidades o mantra poderia ser escrito Aoõ. Simplificando, Om começa com a boca aberta e termina com ela entreaberta, e, quando feita uma vocalização mais longa, pode-se ser fechada.

Após emitir o mantra, chega-se a uma inspiração nasal longa e silenciosa, na qual deve continuar entoando o Om, só que mentalmente. Isto é importante para não interromper o mantra.

Assim, termina-se com uma sucessão contínua de mantras verbalizados e mentais que levam a completa absorção do pensamento. Permita que o mantra respire sua voz, sua garganta, sua cabeça, seus pulmões e pensamentos.

Deixe-se ser respirado pelo mantra, ao invés de apenas inspirar o ar. Foque sua atenção para o silêncio da inspiração e em como você nota a vibração do mantra neste momento.  

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O som de um mantra é muito mais que apenas um eco mental que ocorre quando uma palavra é repetida um milhão de vezes. O som do mantra é uma arma transformadora.

Quando vocalizar, localize o ponto de vibração que o mantra produz. O som da sua respiração não é o início da vibração, pois esta se origina em algo muito mais além. Na verdade, o som que você produz é uma extensão da vibração interna, que é mais sútil que a sua vocalização.

O mantra ecoa pela sua consciência. Sinta isso. O mantra ressoa pelo espaço interior. Observe isso. Não pode existir tremor em sua voz. A nota musical do som não interessa, deve ser aquela mais natural para você, mas quando entoar em grupo, procure manter uma afinação entre todos.

Sobre o autor

Pedro Kupfer

Pedro Kupfer

Pedro vive de vegetais, praia e surf. É casado com Ângela Sundari, com quem viaja com frequência para surfar, estudar, ensinar e compartilhar momentos bons com os seres humanos, plantas e animais deste belo planeta. Ensina Yoga há 30 anos. Move-se entre Portugal, Brasil, Índia, Indonésia e Chile, lugares que ama por diferentes motivos, sendo o mais importante de todos, as pessoas que conhece neles.

Oṁ Gaṁ Gaṇapataye namaḥ!

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