Mitologia grega

Os mitos gregos

Em um filme, série ou até em um livro, você já deve ter conhecido um mito grego. Esse tipo de história surgiu na Grécia Antiga e inspira diferentes narrativas até hoje. Então continue lendo o artigo para conhecer os principais contos da mitologia grega!

Mito de Narciso

Em “Sampa”, canção de Caetano Veloso, a frase “É que Narciso acha feio o que não é espelho” descreve muito bem o mito associado a esse personagem. O filho do deus Cefiso e da ninfa Liríope tem uma história e tanto, que tem tudo a ver com o próprio reflexo.

Quando Narciso nasceu, todos perceberam o quanto ele era belo. No entanto um oráculo avisou que Narciso nunca poderia se olhar em um espelho, ou se ver por qualquer superfície que o refletisse, já que isso seria a ruína do jovem.

Conforme o tempo foi passando, Narciso atraiu olhares de homens e de mulheres, tornou-se arrogante e orgulhoso. Mesmo assim, Eco, uma ninfa, apaixonou-se por ele, mas esse amor nunca se concretizou.

Isso porque Narciso acabou descumprindo a orientação do oráculo e viu a si mesmo nas águas de um rio. Imediatamente, ficou tão apaixonado por si que deixou de ver tudo que havia ao redor dele. Depois disso, ele definhou onde estava e se transformou em flor ao morrer.

Mito da Medusa

Quem ouve falar na Medusa já imagina uma criatura horrenda e cruel, capaz de transformar qualquer um em pedra. Entretanto de onde veio esse poder? Por que essa figura tornou-se tão perigosa? A mulher com serpentes na cabeça nem sempre foi assim.

De acordo com o mito, Medusa era uma das sacerdotisas do templo de Atena, deusa grega casada com Zeus, um deus grego. Elas tinham uma boa relação, até o momento em que Zeus assediou Medusa.

A partir desse ponto, Atena sentiu tanta raiva de Medusa, que decidiu transformá-la em um ser que jamais poderia ser amado e desejado. Além de ter serpentes na cabeça, Medusa transformaria em pedra quem olhasse nos olhos dela.

Como consequência da crueldade de Zeus e de Atena, Medusa passou a ser vista com temor, raiva e desprezo. Inclusive, costumavam pintar o rosto da criatura em templos para afastar os maus espíritos.

Estátua de Perseu segurando a cabeça arrancada de medusa.
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Mito de Pandora e sua caixa

A caixa de Pandora é quase tão importante quanto aquela que a nomeia. Contudo, para entender de onde vem a relação entre essa mulher e o objeto, precisamos saber um pouco mais sobre como os deuses gregos lidavam com os humanos.

A princípio, apenas os deuses tinham o domínio do fogo, e se orgulhavam disso. Prometeu, titã aliado da humanidade, tomou a decisão de roubar essa chama divina, para que os humanos também pudessem prosperar na Terra.

Irado, Zeus quis se vingar de Prometeu. Para isso, pediu que Atena e Hefesto criassem Pandora. Essa mulher seria a primeira a viver entre os humanos, e recebeu uma caixa antes de descer à Terra. O objeto guardava todos os males do mundo e a esperança, mas isso era segredo.

Zeus ordenou que Pandora nunca abrisse a caixa. Apesar disso, a mulher não resistiu à curiosidade e acabou libertando todos os males para os humanos. Rapidamente arrependida, ela fechou a caixa novamente, e só restou a esperança dentro dela.

Mito de Cronos, que devora seus filhos

A imagem de um pai devorando os próprios filhos parece completamente absurda. Ainda assim, existe um mito grego sobre isso, que envolve um poderoso titã. Ele se chamava Cronos, filho mais novo de Gaia e de Urano.

Quando Cronos percebeu que Gaia estava sofrendo nas mãos de Urano, o jovem providenciou a morte do próprio pai. Com a irmã, Reia, Cronos teve vários filhos, mas devorava cada um deles com medo de que lhe roubassem o trono.

Somente um dos filhos de Cronos não foi devorado, porque foi protegido pela mãe: Zeus. Com muita coragem, o deus combateu Cronos e o obrigou a vomitar os filhos que havia devorado.

Depois da vitória de Zeus sobre Cronos, o deus tornou-se rei dos outros deuses, mantendo-se como o governador soberano. No fim das contas, Cronos estava certo em temer que os filhos acabassem roubando o lugar dele.

Mito de Prometeu

Prometeu é um nome que já foi citado neste artigo, e você até já sabe o que ele fez. O roubo do fogo dos deuses não custou caro apenas para a humanidade, mas também para o corajoso ladrão que cumpriu esse feito.

Filho de Jápeto e de Ásia, Prometeu foi um dos co-criadores da humanidade, por isso era tão apegado aos humanos. Com uma habilidade notável de enfrentar os deuses e de enganá-los, Prometeu tornou-se um amigo próximo de Zeus, que lhe ofereceu a argila e a água necessárias para criar as pessoas.

Entretanto Zeus percebeu que Prometeu se aproximou mais dos humanos do que deveria, e começou a sentir ciúmes. A situação piorou quando Prometeu roubou o fogo dos deuses para os homens, garantindo que eles fossem soberanos aos outros animais.

Como punição por essa traição, Zeus ordenou que Hefesto prendesse Prometeu com correntes no alto do Monte Cáucaso, durante 30 mil anos. Durante esse período, uma águia iria devorar o fígado do titã todos os dias, já que a imortalidade de Prometeu garantia a regeneração do órgão. Felizmente, Hércules libertou o titã desse castigo.

Estátua de Prometeu acorrentado enquanto é atacado por uma águia. Uma mulher tenta afastar a águia.
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Mito de Aquiles

Quem já ouviu a expressão “calcanhar de Aquiles” talvez nem saiba de onde ela veio. Por isso é sempre bom aprender mais sobre o mito que deu origem a esse termo tão comum, que utilizamos para falar sobre uma fraqueza que temos.

Aquiles era um herói e semideus, filho de Peleu, um mortal, e Tétis, uma ninfa. Infelizmente, Peleu morreu quando Aquiles ainda era jovem. Para garantir que o filho se desenvolvesse bem, Tétis entregou o filho aos cuidados de Quíron, um centauro, que o ensinou a lutar.

Conforme Aquiles crescia, um oráculo alertou que os gregos só venceriam a Guerra de Troia se o jovem estivesse lutando ao lado deles. A mãe de Aquiles, preocupada, decidiu escondê-lo em Ciros, disfarçado de mulher. Além disso, ela o banhou no rio Estige, para torná-lo imortal, segurando-o pelos calcanhares.

Apesar de todas as precauções, os gregos acabaram encontrando Aquiles, e ele foi lutar na Guerra de Troia. Com uma flecha envenenada de Pária, porém, o calcanhar de Aquiles foi atingido. Era a única região do corpo dele que não estava protegida pelas águas de Estige, e o herói morreu em decorrência disso.

Mito de Perséfone e as estações do ano

Como a mitologia grega foi desenvolvida para explicar fenômenos naturais que ainda não tinham sido estudados, existe um mito para compreender a mudança das estações do ano, que se relaciona a Perséfone, deusa do submundo.

Filha de Zeus e Deméter, Perséfone atraía a atenção de muitos deuses. Um dia, quando ela estava colhendo narcisos, foi raptada pelo próprio tio, Hades, que a levou para o submundo. Imediatamente, a tristeza de Deméter, deusa da agricultura, refletiu-se em plantações sem vida.

Enquanto os deuses procuravam Perséfone, Hades ofereceu-lhe uma romã. Sem saber quais eram os poderes da fruta, a jovem a saboreou. Como consequência disso, ela ficaria presa no submundo por um terço do ano, podendo retornar ao Olimpo nos outros meses.

Dessa maneira, quando Perséfone precisava voltar para o submundo, acontecia o inverno e parte do outono, com Deméter destruindo plantações, devido a toda tristeza que sentia. Porém, quando ela retornava para o Olimpo, a outra parte do outono, o verão e a primavera se manifestavam.

História do Rei Midas

Como seria a sua vida se tudo que você tocasse virasse ouro? Nem precisa imaginar, porque, de acordo com a mitologia grega, isso já aconteceu. E o felizardo (ou não tão felizardo assim) foi o Rei Midas.

Segundo a história, Midas era filho de um camponês, Górdio, que foi escolhido para governar, já que a população queria cumprir uma profecia. Quando o homem faleceu, Midas tomou o lugar do pai, tornando-se rei da Frígia.

Em uma ocasião, alguns camponeses levaram um homem a Midas, que já era muito velho e parecia estar perdido. O rei reconheceu que o homem era Sileno, pai de criação de Baco, deus do vinho, e o levou para o filho. Em um gesto de gratidão, Baco concedeu um pedido a Midas.

Ganancioso, Midas pediu a habilidade de transformar tudo que tocava em ouro. Embora o dom parecesse perfeito, todos os alimentos e bebidas que Midas tentava ingerir se transformavam no metal, e as pessoas nas quais ele tocava viravam estátuas.

Então, Midas pediu que Baco o libertasse da maldição. O deus atendeu ao pedido, dizendo que Midas só precisava se banhar em um rio. Depois disso, o rei passou a rejeitar as riquezas e começou a levar uma vida simples no campo.

Mito de Teseu e o Minotauro

O mito de Teseu e o Minotauro é uma história longa. Para entendê-la por completo, precisamos, antes de tudo, conhecer um pouco mais sobre esses dois personagens. Teseu era um homem forte e corajoso, filho de Egeu e Etra. Por outro lado, Minotauro era uma criatura monstruosa, presa em um labirinto. O que um tem a ver com o outro?

Quando Teseu nasceu, Egeu pediu para Etra que ela só contasse quem era o pai do jovem se ele conseguisse levantar uma pedra, que escondia alguns pertences de Egeu. Ao cumprir o feito, Teseu partiu para Atenas para conhecer o pai.

Chegando lá, Egeu estava casado com Medeia, uma feiticeira que não queria que ocorresse um reencontro entre pai e filho. Então, ela pediu que Egeu envenenasse Teseu. Felizmente, o jovem estava com os pertences do pai, que rapidamente o reconheceu. Com medo da punição que receberia, Medeia fugiu.

O nascimento de Minotauro também foi um pouco conturbado. O marido da mãe dele, Minos, tinha feito um pedido para Poseidon. O rei dos mares disse que poderia ajudar Minos, desde que ele matasse um touro branco que apareceria na ilha de Creta.

Assim que o touro branco apareceu, Minos ficou encantado pela beleza do animal. Logo, decidiu sacrificar outro touro, acreditando que Poseidon não notaria a diferença. Mas não foi isso que aconteceu. Ao notar a farsa, Poseidon lançou uma maldição sobre Minos, fazendo com que a esposa dele, Pasífae, se apaixonasse pelo touro branco.

O resultado desse amor foi o Minotauro. Como ele era um ser assustador e monstruoso, Minos construiu um labirinto para aprisioná-lo. Todos os anos, 14 pessoas iam até lá para tentar matar a criatura. Todos morriam na empreitada.

A única exceção foi Teseu. Isso porque, assim que ele chegou na cidade onde foi construído o labirinto, apaixonou-se pela filha de Minos, Ariadne. A jovem ofereceu ao herói um novelo de lã, para que ele marcasse o caminho no labirinto, e uma espada mágica, para vencer o Minotauro. Deu tudo certo!

Estátua de Teseu derrotando o Minotauro.
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Mito de Ícaro

O mito de Ícaro tem uma íntima relação com o mito do Minotauro. O motivo disso é que foi o pai de Ícaro, Dédalo, que projetou o labirinto onde a criatura ficou presa. Porém ele revelou o segredo do local para Ariadne. Minos não gostou disso e decidiu punir Dédalo, prendendo-o com o filho dentro do labirinto.

Como Dédalo era um ótimo engenheiro, utilizou penas de gaivotas e cera de abelha para construir asas para ele e para o filho. Assim, poderiam fugir voando do labirinto. Era evidente que essa ferramenta só poderia ser utilizada naquele momento, em uma situação de vida ou morte.

Entretanto, depois que Ícaro e Dédalo recuperaram a liberdade, o filho do engenheiro ficou encantado pela possibilidade de voar. Indo contra as recomendações do pai, Ícaro decidiu usar as asas para o lazer, voando cada vez mais alto.

Infelizmente, quanto mais Ícaro se aproximava dos raios solares, mais a cera de abelha que prendia as penas de gaivotas derretia. Sendo assim, quando o jovem voava sobre o mar Egeu, acabou caindo nas águas e morreu afogado.

Mito de Hércules

Hércules é o herói mais conhecido da mitologia grega. No entanto poucas pessoas sabem toda a história sobre ele, que é bastante sombria. Em primeiro lugar, ele é o filho bastardo da união entre Alcmena e Júpiter, que era casado com Juno. Assim que o jovem nasceu, Juno tentou matá-lo, enviando uma serpente ao berço de Hércules.

Demonstrando força e coragem, o bebê conseguiu estrangular a serpente. Depois desse feito, pôde crescer normalmente, e casou-se com Mégara, filha de Creonte, com quem teve vários filhos. Apesar disso, Juno ainda sentia raiva de Hércules. Para se vingar, lançou um feitiço sobre o herói, que, confuso, matou a esposa e os filhos.

Quando a maldição acabou, Hércules sentia tanta culpa que só conseguia vagar pelas ruas da Grécia. Em uma das caminhadas, o herói encontrou um oráculo, o qual disse que ele precisaria cumprir 12 trabalhos para se libertar da culpa que sentia.

Prontamente, Hércules realizou cada uma das funções atribuídas a ele, que incluíam: matar o leão de Nemeia, matar a hidra de Lema, capturar a corça de chifres de ouro de Diana, capturar o javali de Erimanto, limpar as estrebarias de Áugias e matar as aves mortíferas de Estínfale.

Além disso, Hércules deveria entregar o véu e o cinto de Hipólita para a filha de Euristeu, capturar os cavalos de Diomedes, roubar os bois de Gerião para Euristeu, domar o touro de Creta, roubar as maçãs de ouro do Jardim das Hespérides para Euristeu e, finalmente, roubar o cão de três cabeças do submundo, Cérbero, para Euristeu. Após concluir os trabalhos, Hércules voltou a ser um herói.

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Os principais mitos gregos são narrativas interessantes e cheias de reviravoltas, mas você consegue enxergar as lições por trás delas? Continue se aprofundando nessas histórias para entender como elas podem se refletir na sua vida até os dias de hoje.

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