Mitologia grega

Perséfone: a deusa grega do submundo

Frequentemente conhecida como rainha do submundo, a deusa grega Perséfone é, originalmente, a deusa da agricultura, das flores e dos frutos, tanto quanto sua mãe, a deusa da fertilidade, Deméter. Perséfone é também filha de Zeus e é casada com seu próprio tio, Hades, deus dos mortos e do submundo.

O nome Perséfone vem do grego “Περσεφόνη” e pode tanto significar “portadora da destruição”, quanto “donzela, jovem”, gerando inúmeros debates entre mitólogos e estudiosos que se debruçam sobre a sua etimologia. Os símbolos dessa deusa grega são a romã e os ramos de trigo, por isso é geralmente representada imageticamente pela figura de uma mulher jovem, muito bela, cercada de natureza e escuridão, que segura um desses alimentos que a simbolizam.

A vida de Perséfone enquanto rainha do submundo tem início num acontecimento bastante trágico, que rendeu muito sofrimento à sua mãe, Deméter. Logo que a deusa das flores nasceu, ela despertou o interesse de diversas divindades do Olimpo e, sendo a primogênita de Deméter (arquétipo dos instintos maternais), Perséfone sempre foi uma donzela superprotegida, o que gerava ainda mais cobiça nos deuses que tentavam conquistá-la. Dessa forma, um dia, enquanto Perséfone colhia narcisos, Hades aproveitou-se da distração de sua mãe e raptou a jovem, levando-a para o inferno.

Ilustração sobre um vaso antigo. À esquerda, Perséfone. À direita Hades.
Marie-Lan Nguyen / Wikimedia Commons

Para que a amada não fosse retirada de seu território, Hades arquitetou um plano. Ao chegar ao mundo dos mortos, o deus convenceu a jovem a comer uma romã, fruto que selaria o casamento entre eles e obrigaria Perséfone a permanecer eternamente no inferno ao lado do esposo. Algumas versões do mito apontam que a romã de Hades estaria envenenada, o que teria provocado a morte da alma da deusa, fazendo-a pertencer verdadeiramente ao mundo dos mortos, mas não é possível afirmar qual variação da história é a correta.

Com a permanência de Perséfone no submundo, Deméter teria entrado numa profunda tristeza, fazendo com que toda a terra do planeta se tornasse infértil e, portanto, imprópria para quaisquer plantações, provocando a morte de centenas de humanos por desnutrição. Esse período de sofrimento da deusa Deméter foi intitulado “inverno”, no qual o frio e a escuridão foram protagonistas.

Uma escultura retratando a cabeça de Perséfone.
Osama Shukir Muhammed Amin FRCP(Glasg) / Wikimedia Commons / Eu Sem Fronteiras

Para solucionar os problemas que vinham sendo causados pela deusa mãe, foi feito, então, pela diplomacia de Zeus, um acordo entre Hades e Deméter, de modo a não despertar a fúria de nenhuma das divindades envolvidas. Estabeleceu-se que a cobiçada Perséfone passaria duas partes do ano com a mãe, Deméter, e as outras duas partes do ano com Hades, seu novo esposo. Assim, fez-se na Terra a primavera e o verão, épocas em que a deusa da fertilidade se alegrava por estar ao lado da filha; e o inverno e o outono, estações nas quais Deméter voltava-se ao sofrimento e à saudade de Perséfone, que estaria no inferno com Hades.

Uma vez que vive em dois mundos diferentes, o da vida e o da morte, Perséfone é frequentemente representada com duas faces e sua personalidade é considerada dúbia. Quando está no submundo, a deusa é absorvida pelas sombras e pela escuridão, tendo vivenciado, nesse ambiente, dores profundas, como a de ser raptada e abusada por seu sequestrador. Dizem também que Perséfone é capaz de sentir as dores dos mortos do inferno de Hades. Sempre que volta à terra dos vivos, porém, ela traz amor, pureza, fertilidade e tudo floresce.

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Tanto quanto a de sua mãe, a figura da deusa Perséfone diz respeito à resiliência feminina. Enquanto Deméter exerce o perdão e se doa em prol do bem-estar alheio, Perséfone é aquela que pega a dor dos outros para si e ainda assim sempre nutre e representa calorosos e iluminados bons sentimentos para todos à sua volta.

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