Saúde Integral

Outubro Rosa – Romã: a fruta que é anticancerígena

Romãs em mesa de madeira
123RF | Oxana Zaytseva
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Com o objetivo de conscientizar a população sobre a detecção precoce do câncer de mama e do câncer de colo do útero, no mundo todo são desenvolvidas ações para a campanha Outubro Rosa.

Consumir alimentos, principalmente frutas, legumes e verduras, com propriedades que ajudam na prevenção ao câncer é uma das formas de evitar a doença. Uma fruta que pode apoiar nesse sentido é a romã.

Conheça a relação entre o Outubro Rosa e essa importante fruta milenar.

A Romã

A romã (Punica granatum) é o fruto da romãzeira, cuja origem remonta a 2.000 a.C. na Pérsia e foi trazida ao Brasil pelos portugueses. Aqui ela tem plantio mais comum nos estados da região Sul, ocorrendo em boa parte do país. As variedades mais comuns da fruta no país são a amarela e a vermelha.

Forma de coração com grãos de romã vista de perto
Jessica Lewis / Pexels

A romãzeira é um arbusto de cinco metros de altura, em média, se adapta bem aos climas tropicais, subtropicais e semiáridos. As folhas são inteiras, alongadas, lisas, brilhantes e de cor verde-clara. Possui flores alaranjadas que podem ser hermafroditas. Produz melhor em solos com boa drenagem e ricos em matéria orgânica. É uma planta de grande beleza usada no paisagismo e na ornamentação. Por volta de três anos do plantio, já se pode colher as frutas.

A romã é uma baga esférica, de casca grossa na cor amarelo-esverdeada ou rosada. No interior estão muitas sementes, cobertas por uma polpa aquosa, de cor carmesim, de sabor adocicado e adstringente, muito refrescante, envoltas numa fina película amarelada. Ela se abre espontaneamente quando atinge a maturação.

A fruta, muito simbólica, está descrita no Talmud, na Bíblia, era usada em rituais funerários pelos egípcios antigos entre outras passagens históricas. No Brasil, o consumo é mais comum nas festividades do Réveillon, pois se acredita que ela traga prosperidade para o novo ano. Nos países árabes ela faz parte da culinária diária.

As cascas da romã, os frutos, as folhas e a raiz são as partes da romãzeira que podem ser aproveitadas tanto na alimentação quanto para aplicações medicinais domésticas.

Romã cortada ao meio vista de perto
Jessica Lewis / Pexels

As cascas, a polpa e as sementes de romã são usadas como remédio contra diarreias, doenças respiratórias, infecções microbianas e parasitárias, disenterias, cólicas, dores de cabeça, dermatites alérgicas e no tratamento de doenças da cavidade bucal.

Considerada uma superfruta, a romã possui mais de oitenta compostos fitoquímicos e micronutrientes. Nela são encontrados carboidratos complexos, sais minerais como ferro, manganês, potássio, fósforo, cálcio e sódio. É uma fonte de dois tipos de polifenólicos com alto teor antioxidante como as antocianinas e os taninos, como o importante elagitanino. Possui função antioxidante mais potente do que o vinho tinto e três vezes mais eficaz do que o extrato de chá verde.

A romã é rica em vitaminas B1, B2, C, E e a coenzima Q10, antioxidante que combate os radicais livres, essencial para o funcionamento do coração, regulação da pressão arterial, proteção ao cérebro e à pele e regeneração muscular.

A Espanha é o maior exportador da fruta, seguida da Turquia e da Tunísia, enquanto a Inglaterra é o maior consumidor, principalmente nas zonas de mineração, pelo fato de a romã ser rica em manganês, benéfico contra a contaminação por metais pesados.

O Outubro Rosa

O mês de outubro foi escolhido internacionalmente para a campanha Outubro Rosa e associado à cor rosa, símbolo do universo feminino, para conscientizar as mulheres sobre a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama, de forma a minimizar a letalidade da doença.

Segundo o relatório do INCA (Instituto Nacional de Câncer José de Alencar Gomes da Silva), do Ministério da Saúde, “Estimativa 2020 — Incidência de Câncer no Brasil”, a estimativa para o triênio 2020–2022 no Brasil é de mais de 66 mil novos casos de câncer de mama, sendo o mais frequente em todas as regiões brasileiras.

Em relação ao câncer de colo do útero, incluído como foco de combate na campanha Outubro Rosa, a partir de 2011, a estimativa no mesmo triênio é de aproximadamente 16.500 novos casos. É o terceiro tipo da doença que mais acomete mulheres no Brasil, depois dos cânceres de mama e de colorretal.

Uma alimentação mais saudável, aliada a outras formas de prevenção, contribui para diminuir a probabilidade de ter o câncer de mama, de colo do útero e outros.

A relação entre a romã e Outubro Rosa

Cada vez mais se intensificam pesquisas sobre as propriedades das plantas para o combate e a cura de diversas doenças preocupantes no mundo todo, como é o caso do câncer, conduzidas por grandes laboratórios, por institutos de pesquisa e por universidades.

A romã, há milhares de anos tida como fruta com propriedades medicinais também vem sendo estudada, já havendo a comprovação dos resultados relacionados ao combate de doenças cardiovasculares e antienvelhecimento.

Romã aberta vista de perto
Pixabay / Pexels

De acordo com a pesquisa “Compostos elagitaninos derivados de romã exibem atividade antiproliferativa e anti-aromatase em células de câncer de mama in vitro), publicada em janeiro de 2010 pela revista científica “Cancer Prevention Research”, a romã contém fitoquímicos, entre eles o mais significativo, o elagitanino, que pode inibir a ação do estrogênio, principal combustível para o câncer de mama, porque age como um bloqueador da enzima aromatase, utilizada pelo corpo para produzir o hormônio. Apesar dos resultados promissores da pesquisa, ainda há a necessidade de validação para seres humanos.

Um estudo “Pomegranate Fruit Juice for Chemoprevention and Chemotherapy of Prostate Cancer”, da Universidade de Wisconsin — Madison, publicado na revista acadêmica “Proceedings of National Academy of Science”, em outubro de 2005, revelou que testes feitos com ratos mostraram uma redução no ritmo de multiplicação de células cancerígenas, quando administrado o extrato de romã, que pode ser um auxiliar para retardar o progresso do câncer de próstata, alvo da campanha Novembro Azul, sendo uma esperança para promover a qualidade de vida dos pacientes.

Algumas propriedades da fruta influenciam nos processos bioquímicos envolvidos no crescimento dos tumores, a angiogênese e a metástase. O óleo das sementes e os polifenóis do sumo retardam a oxidação e a síntese da prostaglandina, que inibem a proliferação e a invasão das células cancerígenas, podendo ser aliado no combate ao câncer de mama.

Prevenção do câncer de mama e do câncer de colo do útero

Incluir a romã na dieta, contribui para que a pessoa se mantenha saudável contra os principais tipos de câncer feminino e outras doenças, comportamento que deve ser associado aos exames regulares de diagnóstico e consultas periódicas ao médico especialista.

A melhor forma de consumo da fruta é “in natura”, na qual todas as propriedades são mantidas e facilmente aproveitadas pelo organismo.

Mão segurando romã com esmalte escuro nas unhas
Kristina Paukshtite / Pexels

Há várias preparações de saladas, vinagretes e sobremesas que incorporam muito bem a romã, cuja casca e folhas podem ser usadas em infusão para fazer chás. A polpa pode ser utilizada em sucos, sendo bastante refrescante e as sementes podem ser consumidas envoltas na polpa em saladas.

As ações para a prevenção e o combate aos principais tipos de câncer feminino, focos da campanha do Outubro Rosa, incluem levar a público as informações que possam contribuir para a conscientização de todos, inclusive homens e para que se adote um comportamento que preze a vida.

Adotar uma alimentação equilibrada, saudável e rica em nutrientes faz parte do comportamento de manutenção da vida. Inserir a romã, fruta simbólica e histórica, motivo de estudos para o combate a doenças variadas é um bom recurso para essa finalidade.

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Concluindo, a romã é uma fruta saborosa, que não exige grandes preparações e pode ser uma grande aliada no combate ao câncer, mas ela não pode ser substitutiva do comportamento de consultar um médico, realizar exames preventivos aos cânceres de mama e de colo do útero, nem tampouco substituir qualquer tratamento.

Se você que está lendo esse artigo é mulher, faça a sua parte na preservação da sua saúde e da sua vida. Se você é homem, apoie as mulheres que você ama a se prevenirem contra o câncer de mama e o de colo do útero. Nessa luta, todos os esforços são válidos.

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