Convivendo

Pisca-pisca

Mulher segurando fio de luz pisca pisca branco aceso.
Luísa Pretti
Escrito por Luísa Pretti
Todo dezembro minha mãe compra um novo jogo de luzes pisca-pisca. Esse ano, a caixa de “coisas de Natal” já deve somar umas 1000 lampadinhas. São inúmeras! Tem anos, é verdade, algumas sobram. Mas ela sempre arranja um lugar diferente para iluminar.

Eu acho que, no fundo, minha mãe busca simplesmente luz! Do tipo que não se liga na tomada. Ela busca energia. De forma ainda mais intensa que a do pisca-pisca.

Renovação.

Céu noturno iluminado com pequenos balões brancos, cada um com uma vela acesa dentro.

Os reflexos já não brilham tanto e o mundo parece se contentar com dias de pouca luz, que escurecem cedo. Faltam lados para um perfeito prisma.

Nos falta energia.

O amigo secreto de hoje tem lista dos presentes desejados e o valor mínimo/máximo estipulado para gastar.

A agenda de dezembro, agora, tem que ter uns dias livres para encontrar aqueles amigos que não foram priorizados para encontrar ao longo do ano. Tem que ter mais um dia livre aliás, para confraternizar com os colegas de trabalho que, apesar de normalmente, serem as pessoas com as quais mais convivemos, não tivemos tempo de comemorar juntos as conquistas do dia a dia.

Tem que ir para o shopping e aproveitar as promoções que nessa época do ano, “Nossa! São imperdíveis!”.

No fim do ano, é hora do “projeto verão”. Tem que correr, atrás do prejuízo. Porque mais uma vez, faltou tempo para cuidar melhor da saúde. Durante o ano todo.

Que tanto tempo é esse que a gente vem perdendo e achando que se recupera em um mês ou menos?

Que tempo é esse em que as pessoas parecem voar contra o tempo, como se o fim se aproximasse e tudo fosse começar do zero? Ou acabar!

Desenho de árvore de natal feito com estrelas iluminadas.

Todo dezembro minha mãe compra um novo pisca-pisca.

Então, eu lembro que é tempo de paz. É tempo de amor e união.

É tempo de troca, e se for de presentes, que seja do fundo do coração. É tempo de juntar a família e rever alguns que moram longe. É tempo de fazer aquela receita que traz lembrança boa de quem já não está por perto. É tempo de ouvir piadas e histórias repetidas e ficar feliz, por certas coisas não mudarem. É tempo de agradecer e esperar apenas por uma “Noite Feliz”, independente de religião. É tempo de lembrar que o ano que vem está logo aí, no dia de amanhã. Não é o fim do mundo. É a continuidade do que não deveria ter a contagem zerada, e sim, somada.

É… minha mãe deve estar certa: precisamos sempre de mais luz.

Silhueta de menino segurando um fogo de artifício aceso, a noite, com vários balões no céu ao fundo.

É tempo de Natal.

O meu, com uva passa, por favor.

Sobre o autor

Luísa Pretti

Luísa Pretti

Sou formada em gastronomia e administração de empresas. Há alguns anos, atuo na área comercial e isso me fez entender ainda melhor as diferenças entre as pessoas. Lidar com pessoas nunca é fácil, mas é enriquecedor!

Apaixonada por comida, leitura, noites bem dormidas e dias de sol. E por escrever.

Escrevo os meus sentimentos a quem amo.

Transformo em texto os pensamentos sobre tudo.

Busco palavras para tentar expressar melhor o que os lábios por vezes não conseguem pronunciar.

Coloco em linhas, parágrafos e páginas tudo o que diz o coração.

Tem me feito bem.

Tem me rendido incentivo para estar por aqui e dividir um pouco disso tudo.

Se qualquer palavra minha tocar um único coração que seja, a paixão pela escrita terá feito ainda mais sentido para mim.

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