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Por que nos apaixonamos?

por que nos apaixonamos
Silvia Malamud
Escrito por Silvia Malamud

Sempre que nos apaixonamos, a sensação é de como se tivéssemos feito um mergulho de cabeça no caldeirão de alguma bruxa, no ponto máximo da ebulição. Sentimos algo como se fosse um rebuliço prazeroso, ao mesmo tempo explosivo, e que vem com tanta força que o mundo lá fora fica parecendo lento e distante. Isso acontece dentro de nós e simultaneamente dentro da pessoa da nossa relação! 

Outro fator interessante a saber, é que a energia que rola para o apaixonado, via de regra, sempre ocorre na reciprocidade e nunca de modo unilateral. 

Quando nos sentimos apaixonados, somos acometidos pela forte sensação de que nossas necessidades mais profundas, nossas fantasias e os nossos desejos secretos, finalmente terão espaço para acontecer. Essas possibilidades são tão fortemente ativadas, que tudo à nossa volta fica parecendo como se fosse um flash de uma foto, tirada num precioso e mágico momento de êxtase. É promessa de materialização de toda a nossa plenitude existencial. 

Por conta da magnitude desse tipo de experiência, nossa percepção para tudo que está além do estado de apaixonamento fica alterada. Por algum tempo costumamos perder o apetite e todo o resto, as coisas em geral incluindo o planeta parecem rodar em câmera lenta. Sensações e sentimentos inexplicáveis que apenas quem já passou por essa maravilhosa experiência entende como que é.

Destrinchando e indo um pouco mais a fundo, nos subterrâneos deste cenário portanto, podemos observar que na situação de apaixonados, invariavelmente, projetamos todas as nossas necessidades na pessoa da nossa escolha, assim como a recíproca do outro vem exatamente na mesma ordem de funcionamento.

por que nos apaixonamos

Como decorrência deste fenômeno, é fato que em algum momento iremos despertar e quando acordarmos, certamente, perceberemos que o outro é um ser independente e que por vezes, em muitos aspectos, bastante diferente daquilo que imaginamos ou idealizamos. Se conseguirmos sustentar as diferenças e mesmo assim continuarmos a admirar os nossos parceiros, o amor em sua expressão maior terá espaço para o cumprir um verdadeiro florescimento. Mas, se em vez disso, ficarmos negativamente impactados ao vermos a realidade dos nossos investimentos afetivos bem diferente daquilo que concebemos no período do apaixonamento, fatalmente ocorrerão as dores dos desencontros, rupturas, e por fim, as desilusões. 

Um aprendizado da experiência humana como se fosse a repetição da saída da barriga da mãe, ou seja, o nascimento. A repetição do ciclo (trauma?) de quando temos o suprimento de tudo que necessitamos para a nossa sobrevivência e abruptamente sofremos uma ruptura, em que somos “obrigados” ou nos sentimos jogados no mundo só e independente, sem a simbiose e tendo que lidar sozinhos com tudo o que vem pela frente. Muitas pessoas não lidam bem com esse ciclo e como se estivessem revivendo uma situação traumática, acabam doentiamente se repetindo de modo indefinido. Nesses casos, é fundamental o auxílio terapêutico para que possam seguir em frente com as suas vidas sem o vício do apaixonamento, sem as dificuldades depressivas e sem a sensação de vazio e de solidão de quando estão sem ninguém, à mercê de si mesmas.

Por toda vida, de algum modo estaremos sempre repetindo este padrão inicial de vida, onde ora estaremos juntos, ora não. Isso ocorre no apaixonamento pelo outros, na união sexual e em muitas outras situações pelas quais em alguns momentos ficamos com um, com o outro e depois voltamos ao um. Outro exemplo é na experiência criativa, na qual a princípio existe uma união com o que se cria e na sequência passa a se observar a criação fora de si mesmo. 

O grande aprendizado é aprender a lidar com os momentos de união e de ruptura. 

Infindáveis vezes ocupamos a mesma cama de algum projeto que estamos vivendo e ficamos nessa situação até o momento da separação, faz parte da experiência humana. 

A fim de termos a reflexão sobre o aprendizado da experiência pela qual estamos passando, funcionamos como um ímã que atrai e repele. Agiremos desta forma até aprendermos a lidar com o outro, que pode ser uma pessoa ou qualquer outra coisa que seja, sem sermos simbióticos, e o principal, sem perdermos as nossas identidades. 

Apaixonar-se é saudável, mas apenas até certo ponto. Por ser extremamente prazerosa essa sensação, até podemos perder a identidade por alguns momentos. Por isso, devemos sempre ficar atentos para jamais ultrapassarmos a tênue linha do risco de nos esvairmos completamente de nós mesmos. Atenção redobrada para não chegar ao ponto de esquecer de se alimentar e de se engajar em outras atividades. Uma versão adoecida disso é o que hoje em dia costumamos chamar de estresse. Por isso a importância de poder e de saber se cuidar na medida certa, sempre atentos aos nossos limites pessoais.

“Simbiose além da medida não é existir, é esquecimento de si mesmo”.

Quanto mais despertos, melhor!

Sobre o autor

Silvia Malamud

Silvia Malamud

- Psicologa
- Especialista em temas relacionados ao Abuso Emociona com narcisistas perversos em relacionamentos afetivos, familiares, mãe/pai filhos, escolares, sociais e de trabalho.
– Especialista em Terapia Individual, Casal e Família /Sedes
- Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
- Terapeuta Certificada em Brainspotting - David Grand/ EUA
- Terapia de Abordagem Direta a Memórias do Inconsciente.

EMDR e Brainspotting são terapias de reprocessamento cerebral que visam libertar a pessoa do mal estar causado devido à experiências difíceis de vida, vícios, traumas, depressões, lutos e tudo o mais que é perturbador e que seja uma questão para que a pessoa queria mudar. Este processo terapêutico, por alterar ondas cerebrais viciadas num mesmo tipo de funcionamento, abre espaço para que a vida mude como um todo, de modo muito melhor, surpreendente e inimaginável anteriormente.

Mais sobre Silvia Malamud: Além de psicóloga Clínica, é também formada em Artes plásticas- Terapia Breve - Terapia de Casais e Família pelo Sedes Sapientiai. Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA e em Brainspotting David Grand/EUA. Desenvolveu-se em estudos e práticas em Xamanismo, Física Quântica, Bodymirror. Participou e se desenvolveu em metodologias de acesso direto ao inconsciente, Hipnose, Mindskape, Breakthrough e outras. Desenvolveu trabalho como psicóloga Assistente no Iasmpe, Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual, com pesquisa sobre o ambiente emocional de residentes durante o período de suas residências, de 2009 até 2013. Participou do grupo de atendimentos de casais do NAPC de 2007 à 2008. Autora dos Livros "Projeto Secreto Universos", uma visão que vai além da realidade comum e Sequestradores de Almas, sobre abuso emocional que podemos estar vivendo, sem ao menos saber, sobre como despertar e como se proteger.

· Conhecimento terapêutico: Cenários e imagens: Já presenciei diversos pacientes fazerem "viagens" às vidas anteriores, paralelas, sonhos e mesmo se reinventarem em cenas reais ocorridas ou não. Vi-os saindo do túnel do reprocessamento, totalmente mudados e transformados, inclusive em suas linhas de tempo. Para mim, fica uma pergunta de física quântica... O que acontece com a rede de memória da pessoa se a matriz do acontecimento muda totalmente não o afetando mais? A linha do tempo e todos os significados emocionais transformam-se simultaneamente. Todos os eventos difíceis que a pessoa teve em relação ao tema ao longo da vida perdem o sentido e até parece que nem existiram, embora se saiba. A pergunta que fica é: O que é o tempo quando podemos nos transformar e nos auto-superarmos nesta amplitude?

· Coexistimos em inúmeras camadas de realidades que são atemporais. Por exemplo, o seu “eu” criança pode estar existindo e atuando em você até hoje... Outros aspectos desconhecidos também podem estar, sem que você suspeite.

Silvia Malamud
Psicóloga clinica Especialista em Terapias Breves individual, casal e
família/Sedes - CRP: 06-66624
Terapeuta Certificada em EMDR pelo EMDR Institute/EUA
Terapeuta Certificada em Brainspotting – David Grand PhD/EUA.
Terapia de Abordagem Direta a Memórias do Inconsciente.
email.: [email protected]