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Presença Amorosa

Nisargan e Viviane Manso conversam sobre as ciladas do convívio amoroso e sobre o poder da Presença em manter esse convívio realmente amoroso.

Olá, eu sou Viviane Manso, sou companheira do Nisargan e, hoje, estamos aqui para falar um pouquinho sobre como a meditação pode trazer benefícios para o dia a dia de um casal, para as relações humanas e falar também como a incluímos em nosso dia a dia.

Nisargan, sabemos que, quando estamos namorando, quando estamos flertando, quando estamos tentando conquistar alguém, é tudo novo, é tudo inesperado, é aquele frio na barriga, é uma delícia, mas, quando conquistamos, voltamos à rotina, ao cotidiano, ao automatismo. Como é que podemos usar a meditação como uma ferramenta para deixar esse gostinho mais presente, a sensação de como se fosse a primeira vez? Não que ele vai estar todos os dias, não é. Podemos falar tendo como exemplo nossa relação, mas esse gostinho, de fato, existe? Como você acha que a meditação traz isso, qual é esse benefício?

Nisargan: Quando falamos de meditação, é importante que entendamos do que estamos falando. Nós não estamos falando de uma pessoa ficar sentada, de olhos fechados com o dedinho assim, só isso. Meditação é um treino para que nós tenhamos mais perceptividade do que está acontecendo no momento. Quando estamos praticando uma meditação, seja parada, seja em movimento, já que existem meditações em movimentos, em que eu treino esse estar consciente ao que está acontecendo, é o estar perceptível, é isso que deve ser transferido para o dia a dia, não é um padrão de conduta, mas é uma consciência que deve ser transferida ao dia a dia. Então, à medida que eu transfiro isso para o dia a dia, dou-me conta, por exemplo, de que, quando é no começo, como você estava falando, a consciência está mais desperta, eu estou com menos poeiras de lembranças, estou com uma coisa menos garantida, portanto eu tenho que ficar mais ligado e é esse estar ligado, é esse estar presente que dá o prazer. À medida que você conquista, você começa a ter aquilo como garantia e você começa a agir como normalmente nós fazemos, de uma maneira inconsciente. Então eu vou dar um beijo, é automático, eu não estou com o meu coração junto, eu vou dar um toque, eu vou fazer qualquer coisa, não estou com o meu coração junto. Agora, isso é reversível no sentido de que como a meditação faz e eu estou treinando a estar atento a isso.

Rosto de mulher visto de cima com cabelos no rosto ao vento
Foto de Rodolfo Sanches Carvalho no Unsplash

Viviane: A não criar esse vício não é, porque à medida que você conquista, você está viciada, já viciou. O vício faz você fazer o automático. Você faz cara, crachá. Cara, crachá. Assim, o vício leva a relação humana a esse descuidar da presença, da atenção, porque, na realidade, o elemento principal, se formos pensar, é a nossa presença, é a nossa percepção desse outro, de criar ambientes gostosos, de estar realmente atento ao que aquela pessoa vai falar com você. Quando estamos na conquista, estamos muito nesse estado de perceptividade, você se prepara, você se arruma, você está atento, você está atento até para abrir a porta de um carro, por exemplo. Você está muito mais disposto. Eu vejo que a meditação, pelo menos para a nossa vida, desde que eu me tornei uma meditadora diária, trouxe benefícios em minha relação com Nisargan, deixando-a extremamente rica. Por quê? Porque, primeiramente, eu pego em flagrante muito mais fácil os meus pensamentos perturbadores, eu crio uma expectativa em relação a ele e ele age de uma outra maneira. Ah, eu achei que ele fosse fazer tal coisa e ele faz totalmente diferente do que eu tive de expectativa e, hoje, eu consigo, em vez de ficar remoendo, remoendo, remoendo dias, remoer apenas algumas horas. Percebemos isso mais em flagrante e conseguimos nos aproximar com mais amorosidade.

Nisargan: Isso… porque limpamos o espaço ocupado por pensamentos desnecessários, ruidosos e destrutivos, o que é uma coisa inevitável, mas, como ela falou: antigamente, ela ficava dias remoendo, ela passou para horas… então, se ela conseguiu de dias para horas e se ela for se aprofundando, de horas ela poderá passar para minutos, até segundos. Então, a recuperação de não entrar em parafusos é muito maior.

Viviane: Então, podemos elencar isso como uma grande qualidade da presença da meditação no seu dia a dia, seja lá com quantos minutos forem, cinco, dez, vinte, uma vez que você encontra a linha de meditação que tem a ver com você, que se torna prazerosa para o seu dia, que você consegue fazer, podemos falar que esse benefício primeiro é entrar menos nas ciladas, digo em relação à nossa relação. Assim, eu entro muito menos nas ciladas e nas expectativas, então menos pensamentos perturbadores temos, mais facilmente a gente retoma. Queria que falássemos um pouquinho sobre a qualidade do toque, a qualidade do sentir, a qualidade do perceber, do aguçar, esse olhar, o cheiro. Em sua opinião, o que você constata em relação à qualidade da relação sexual, a qualidade dessa percepção física também do outro?

Nisargan: É a mesma coisa, mas, se eu não estou com pensamentos criando uma camada entre os meus olhos e o que eu sinto, se existe essa camada de pensamentos, se eu tiro essa camada, eu passo a sentir mais e é aí que está o gostoso da história, quando eu sinto mais, quando eu percebo mais, quando eu toco e realmente sinto, não é só pondo a mão, quando eu beijo e realmente estou atento ao momento, eu não estou pensando em nada nem pensando aonde eu vou chegar, onde vamos chegar, esse é o grande ponto. Eu beijo, mas eu estou pensando na “trepada final”, quer dizer, eu já não estou no beijo. Então o beijo não leva a um fluir harmonioso e natural que talvez leve a um envolvimento mais íntimo ainda, mas é uma antecipação, normalmente é isso que acontece. Nós antecipamos atitudes, gestos, antes que eles surjam naturalmente. A meditação faz com que, ao estar cada vez mais no momento, nós antecipemos menos e esse fluir natural acontece, aí que está o gostoso, a gente está colocando o relacionamento como um exemplo de gostosura. Claro que ele tem os seus desafios, mas isso pode ser aplicado em qualquer situação, em educação com o filho, no trabalho, no envolvimento com qualquer outra situação.

Viviane: Com a equipe, com o seu time na empresa, com o seu chefe, com o Uber que você usa de manhã e às vezes não sai de acordo com o que você queria… quer dizer, na realidade, a percepção, essa relação que o Nisargan sempre traz muito ricamente que quanto mais eu percebo, menos eu penso e quanto mais eu penso, menos eu percebo, mais pensamento perturbador, eu estou aqui, menor é a minha sabedoria não é…

Nisargan: Quando eu estou nesse remoer de pensamentos, eu vou agir em função dos meus condicionamentos, e não da criatividade. Já falei isso várias vezes, vamos reforçar aqui. Quando eu estou na percepção da realidade, o meu agir não é mais dos condicionamentos, o meu agir é da sabedoria e vamos, assim, reforçar algo que deve ser reforçado. A meditação como elemento de despertar a consciência ao momento é um portal para a sabedoria. Então, só de saber isso, eu não preciso fazer nenhuma pesquisa científica para provar a meditação é fantástica; eu constato isso em minha vida, isso não é teórico, é uma constatação diária.

Homem de olhos fechados refletindo
Foto de Mitchell Griest no Unsplash

Viviane: É, e, além dessa constatação diária de quem já medita há muitos anos como o Nisargan, existe sim a comprovação científica, olha que lindo. Temos também a comprovação e está tudo bem, não é…olha que rico… para quem precisa e hoje vivemos em um mundo extremamente… as pessoas querem as coisas assim… querem fórmulas, se não for por meio de fórmula, se não for pílula, se não tiver comprovação, existe todo um medo…

Nisargan: Mas isso é um passo, você precisa ultrapassar esse passo, porque quando você constata na sua própria realidade, você dispensa; aí você tem a coisa viva, a motivação viva. Quando você só leu que é bom, você: ah, então vamos ver…

Viviane: Por isso que é muito rico, porque, na realidade, temos o teórico, mas a gente é prova viva da constatação. Constatar que vale a pena essa pilulazinha, todo mundo quer uma pilulazinha para emagrecer, para se dar bem, para ter o orgasmo, para ter a ereção…

Nisarga: Para ser feliz….

Viviane: Para ser feliz… está todo mundo atrás dessa pilulazinha… Eu posso dizer que eu constato e a ciência também já constata que, quanto mais eu realmente eu diminuo esses pensamentos perturbadores, melhor é a minha qualidade de ação. Por quê? Porque é diretamente relacionada à sua sabedoria, é uma fluidez sábia, e isso para um relacionamento é de uma riqueza, é de uma riqueza incalculável em um momento em que estamos em relações que estão aí em função de celular, excesso de atividades, celular, que faz com que fiquemos muito ausente mesmo estando aqui nesse gostosinho presente. Muitas vezes, as pessoas estão assim, um do ladinho do outro e não estão juntas. Por isso é muito importante entender que a meditação é a grande aliada mesmo, ela pode ser assim para você desde que encontre isso. E isso é muito importante porque até eu entender qual técnica eu me identificava, até eu encontrar a meditação como hoje eu encontrei, dentro do Espaço Presença, o Nisargan que me apresentou o que ele faz aqui, eu achava a meditação um saco, achava difícil, me estressava ter que ficar em determinada postura ou focar só em uma coisa; portanto, é muito importante entendermos isso. As relações só dão certo quando nos identificamos, quando gostamos, quando sentimos prazer de estar junto. A meditação é idem. Você só vai realmente conseguir meditar a hora que você encontrar uma linha que seja prazerosa, que você goste e você constate, mas, para isso, existe sim uma dedicação sua do mesmo jeito que eu sei que beber muita água é bom. Todo mundo recomenda dois litros de água por dia e, mesmo assim, muita gente não bebe nem um litro, sabemos que em nós existe uma resistência a determinadas indicações de qualidade de vida e a meditação é uma até você criar o hábito de meditar. Por isso eu diria que o grande trunfo é você identificar a técnica de que mais gosta e que insista e busque alternativas de utilizá-la ao longo do seu dia.

Mãos em frente ao corpo segurando flor de lótus cor de rosa
Foto de Ester Marie Doysabas no Unsplash

Nisargan: Isso, utilizar a atitude que ela traz ao longo do seu dia. É importante quando falamos da importância de encontrar a sua técnica, nós estamos defendendo, defendendo não, mas relatando uma constatação que nós temos em relação ao valor da meditação frente a vida em vários aspectos e estamos focando aqui não só em relacionamento, mas da meditação como um elemento desenvolvedor da nossa consciência desperta ao momento, porque esse é o ponto, porque você pode ter uma outra linha de meditação em que não tenha isso como o essencial. Se for isso, então eu não tenho nada a dizer sobre essa técnica, eu não sei, eu desconheço, eu estou falando das abordagens da meditação que trazem a consciência desperta como o seu ponto central. É claro que mesmo em uma abordagem dessa eu tenho um leque de possibilidades e técnicas, mas a espinha dorsal é essa. Agora, é interessante falarmos em outros aspectos do valor dessa consciência desperta, por exemplo, eu posso ter um nível de exigência em relação ao outro. Penso que sempre o outro tem que estar legal, sempre estar bem, sempre nós temos que estar bem, sempre eu tenho que estar bem. É importante você saber que não é assim, que o fato de a realidade não ser essa faz parte de uma consciência desperta. O fato é esse, nós oscilamos, nossa presença oscila, a nossa ausência oscila, mas quando eu me dou conta disso eu percebo que faz parte da brincadeira, faz parte do jogo, faz parte da lição de casa eu saber manter essa presença em situações conturbadas, esse é o momento principal de eu colocar em prática o que a meditação trouxe… Então o que nós queremos aqui é introduzir essa consciência atentiva ao que, de fato, está acontecendo para a vida, e não só quando eu estou fazendo uma técnica. Então, quando eu coloco isso para a vida, algumas fichas vão caindo e é aí que está a riqueza. Eu descobri a variabilidade, os desafios, o relacionamento… que tudo passa. Porque, quando há uma ligação, quando há uma vontade de estar junto, existe uma motivação de superar obstáculos, existe um esforço, um desejo de superar o obstáculo… aprendemos, portanto, ao longo da vida de um meditador, que essa história de não alimentar os pensamentos desnecessários, de passar a observar mais a sua própria realidade interna e a realidade interna do outro é, pelo menos na minha perspectiva, a melhor forma de superar obstáculos. Os obstáculos não são superados com fórmulas premeditadas, eles são superados com a observação do que está acontecendo. Eu observo, mantenho-me silencioso em relação aquilo; a sabedoria, por sua vez, apresenta o canal se eu estiver aberto a isso.

Viviane: Porque no nosso dia a dia, com essa loucura que vivemos, com um monte de estímulo, com essa vida que está sempre cobrando o ter, ter e ter muito mais do que ser, as pessoas estão sempre com muitos ruídos. Vivemos uma vida cheia de ruído, por isso é muito comum você chegar à sua casa e estar na expectativa, talvez, de a louça estar lavada. Você chega e está uma bagunça, o maridão está lá na frente da tv, porque aquele dia era o dia que ele tinha, sei lá, duas horas mais cedo para chegar à casa e aí ele ficou lá… ele não lavou a louça… E aí, como vamos lidar com isso, como vamos atuar… Porque, na verdade, eu fico pensando nessa mulher, que vai chegar, ver essa cena e inconscientemente vai pensar que quer acabar com ele, pensando no fato de como ele deixa a casa, a louça desse jeito e simplesmente resolve assistir a filmes numa Netflix da vida…

Nisargan: E eu justifico a minha atitude explosiva.

Viviane: Exato. Então entramos nesse furacão pelo fato de eu esperar uma coisa que ele não fez. Ele também está no dia dele, nas duas horas que antecederam a ele e, enfim, acabamos agindo por impulso, no impulso; por que que eu não posso deixar a louça do jeito que está e nós dois irmos assistir à Netflix naquela hora, naquele dia, por que que eu não posso também posso fazer isso. Na realidade, agimos com menos impulsividade, eu acho que começamos a ter um pouquinho mais de bom humor até na desgraça sabe. Você olha para aquilo e vê que, nossa, é isso mesmo, é isso que tem para hoje, então vamos pegar esse limão e fazer uma limonada gostosa aqui porque é isso. Eu acho que a meditação traz mais clareza, realmente essa sabedoria de menos automatismo, não é que as coisas não vão acontecer, o importante é entender… vão ter situações em que olharemos e não acreditaremos que aquilo está acontecendo, mas a riqueza de você se permitir experimentar e constatar que você tem a meditação aflora esse seu sistema parassimpático e traz mais ternura, mais clareza de pensamentos e menos impulsividade.

Casal deitado na cama sorrindo
Foto de Toa Heftiba no Unsplash

Nisargan: Eu diria que quem procura forma de condutas não está procurando meditação, está procurando uma outra coisa. Meditação é algo muito sutil, muito diferente da corrente principal do que as pessoas procuram. Nós estamos propondo algo diferente. Se você propõe uma coisa, tem uma situação x, como você vai fazer? Como você vai atuar. Chegou a esposa, viu o marido sentado, então eu vou agir assim ou assado. Isso não tem nada a ver com meditação. Meditação é uma resposta àquela situação única que vem de uma dimensão diferente do condicionado se eu não antecipo decisões ou ações. Eu espero surgir, porque, no fundo, no fundo, eu vou me dar conta de algo da realidade que existe sempre, mas que normalmente na impulsividade eu nem me dou conta. Algo da realidade como eu quero algo construtivo, eu quero transformações positivas, eu não quero explodir simplesmente por explodir, eu quero construir, eu quero trazer consciência, eu quero trazer melhorias ou transformações para situações futuras. Obviamente, se eu tiver um impulso reativo, eu vou criar um ciclo vicioso, eu quero criar um ciclo virtuoso e ninguém vai dar a forma. Encontrou alguém dando formas de atitudes, beleza, você pode até seguir, mas isso não tem nada a ver com criatividade, isso não tem nada a ver com uma resposta adequada ao momento, isso não tem nada a ver com meditação.

Viviane: Isso que o Nisargan está falando é muito bonito, porque ele está falando da sua verdade interna, a melhor resposta é a sua fluidez daquele momento quando há consciência desperta, quando você está com esse observador, com essa consciência, com essa percepção, a melhor resposta é a sua daquele momento. Isso é riquíssimo porque nos mostra o que está dentro de nós mesmos… então, assim, não é coisa repetitiva que eu tenho que estar fazendo para ter aquele mesmo resultado. Na realidade, cada resposta à determinada situação vai ser única e isso é de uma riqueza tão grande, que é constatado com a meditação.

Nisargan: Temos que agregar porque isso é tão importante. Por exemplo, quando uma pessoa busca comportamentos de paz e de serenidade, novamente, por incrível que pareça, ela não está na proposta da meditação visto que ela está querendo colocar um padrão de sentimentos que não correspondem à realidade. Existe uma realidade, existe uma tentativa de abafar aquilo como uma coisa pré-programada, o que é o mais indicado. Então, eu vou dar um exemplo que talvez seja fácil de entendermos: nem todas as respostas sábias aparentam serenidade. Elas aparentam docilidade, podem ter situações em que para algo mais forte elas sejam mais adequadas. Agora, eu vou dar um exemplo de Jesus Cristo. É um exemplo importante de sabermos. Nós temos uma imagem de um ser sábio, de um ser divino, que, quando foi no templo de Jerusalém, “chutou o pau da barraca”, fez um escarcéu, então quem que é esse cara? Quer dizer, pode ser e deve ser, naquela situação, se ele fosse irmão, louvar ao senhor não ia dar em nada… ele precisava usar um chicote naquele momento. Então isso não é previsível. Eu não vou dizer nada, existe uma resposta certa com aquilo que nós falamos. Bom, então a vida é tão rica que resposta x pode ser aplicada à situação correspondente. Resposta y, às vezes, oposta com um elemento de diferença na situação já pode ter uma resposta mais adequada completamente diferente. Agora, vamos falar uma coisa: sim, a resposta mais adequada vem de uma consciência desperta ao momento em que eu observo o que está acontecendo de uma maneira silenciosa e permito, sem antecipar, que surja uma ação. Verdade. Mas nós estamos em um processo do despertar da presença, nós estamos em um processo. Então qual é a história? Nós percebemos que, quando existe um elemento de presença, mesmo que não for grande, nossa resposta é diferente, então eu tenho que aceitar as minhas respostas ainda não totalmente redondas, porque a minha presença ainda não é totalmente redonda. Nós estamos em um processo, porque, se eu for falar, se eu achar que eu vou fazer uma meditação, que eu treino estar presente, que eu vou transportar isso para o dia a dia 100% , primeiramente você bem ficou muito presente, você ficou um pouco, o que já é uma grande conquista, já é ótimo e você transportou não tudo, mas um pouquinho, então da validade dessas duas formas esse é um processo que requer alimentação, que requer nutrição mesmo, dedicação, que desenvolvamos essa consciência desperta o tempo todo. Nós estamos nesse momento treinando isso, nós estamos treinando estar com a consciência desperta agora. Então todo o momento pode ser um momento de meditação, o que não me exclui ter mediações formadas, mas tudo é um processo; se eu tiver um nível de exigência muito grande da rapidez em que esse processo vai andar, eu vou me frustrar. Então diminui o seu nível de exigência, perceba as conquistas pequenas, vai tomando consciência delas que isso vai crescendo. Uma árvore não cresce de uma hora para a outra. Uma criança não cresce, ela precisa de um tempo de maturidade.

Silhueta de casal com céu rosa ao fundo
Foto de Travis Grossen no Unsplash

Viviane: E, para a relação a dois, acho que a grande riqueza que a gente não pode esquecer de falar é: pegar em flagrante todas as expectativas e pensamentos que estão afastando você daquela realidade amorosa que você sempre teve. Então, aquela pessoa que você amou, que você desejou naquele primeiro encontro não morreu… Na realidade, ao longo do dia, ao longo do convívio, realmente quando não nos dedicamos a limpar esse tapetezinho que é o nosso corpo, ou seja, a gente não se dedica a trabalhar essa consciência desperta, ter essa percepção, vamos seguindo tampando ele com essa poeira porque são os meus pensamentos, as minhas expectativas e isso vai se tornando cada vez mais maior. Claro que é uma relação a dois, existe uma atitude, existe uma reação e, quanto mais os dois estão treinando essa percepção, menos pensamento, mais rica é a relação. Retomamos, não que deixemos de botar uma poeirinha aqui, vai… mas você retoma mais fácil para esse dia a dia e isso é de uma riqueza imensa para mantermos as relações sadias, para mantermos a amorosidade, para mantermos o fato de estarmos juntos. Realmente, com presença, o gozo da vida, o gozo do dia a dia, como o Nisargan falou, é iniciar um beijo e deixar as coisas fluírem. Não é iniciar já aquele beijo querendo já ter uma relação sexual. Isso é uma das grandes queixas que eu recebo das mulheres em meu consultório, os maridos só sabem se aproximar e isso vai gerando um distanciamento, não estou aqui só defendendo as mulheres, eu acho que é algo em conjunto, mas essa coisa de você só se aproximar já querendo chegar no ato sexual, isso acaba com uma relação. E isso é o que? É o automatismo. É a nossa inconsciência, é a nossa cultura errada pelo sexo, e realmente eu convido você a buscar mesmo sabe, tome essa atitude de buscar uma linha de meditação que você goste, que você sinta prazer, para que você melhore essa relação, relação a dois, a sua relação com os seus filhos, a sua relação com o seu trabalho, a sua relação consigo, de acolher, acolher as suas sombras, de olhar para ela, de ter entendimento, de ver sim que agregamos muita coisa que é desnecessária, que você busque. Convindo-o(a) a conhecer o Espaço Presença, venha fazer um retiro: www.espacopresenca.com.br Venha degustar. O Nisargan ensina várias técnicas, você vai sair com um menu de técnicas que são muito aplicáveis ao seu dia a dia e vai buscar, vai buscar pessoas que realmente vivam isso. Nisargan é um meditador há anos e realmente tem essa constatação na vida. Porque uma coisa é sermos teóricos, outra é constatarmos. Dá muita diferença em nosso aprendizado ao assistir a esse vídeo, esperamos que ele tenha contribuído no seu entendimento sobre a importância de estar na presença e perceber as ciladas que entramos no dia a dia com o automatismo.

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Nisargan: A última dica, é claro que tem muita coisa ainda a ser falada, é a seguinte: Quando encontramos alguém e, aqui, nós podemos dar o exemplo da pessoa amada, se eu trouxer a memória, a garantia do meu envolvimento, eu vou estar agindo com muito mais propensão ao automatismo. Se eu olho para a pessoa, essa é a primeira vez, eu vou fluir, é como se fosse a primeira vez, porque é, eu não estou falando para fazer de conta que é a primeira vez, mas é se dar conta de que eu agora sou eu, sou diferente, eu não sou o mesmo de ontem. Ela não é. Então o encaixe precisa ser atentivo em relação a esse momento. É se dar conta de que todos os encontros são os encontros pela primeira vez e isso, sim, é que vai gerar a sabedoria manifesta. É só esse último toque, ok! Até mais, pessoal.

Sobre o autor

Anand Nisargan

Anand Nisargan

Anand Nisargan é o criador do ESPAÇO PRESENÇA e focalizador de seus Retiros de Meditação.

Formado em Medicina na Unicamp, em 1994 abandonou seu trabalho como médico psiquiatra para tornar-se instrutor de meditação.

Bebeu da fonte do Mestre Osho em sua própria presença física e foi membro de suas comunas na Alemanha, Itália e Brasil, sendo tradutor de dezenas de seus livros e vídeos. Autor do livro “A Arte de Estar Presente”.

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