Psicologia

Psiquiatra Juliano Moreira e a luta no combate ao racismo científico

Mãos negras fechadas e erguidas para cima, simbolizando luta
BAZA Production / Shutterstock

Juliano Moreira era médico psiquiatra e professor. Foi um percursor na área da saúde mental no Brasil. Nascido em Salvador, em 1872, era filho de uma empregada doméstica que trabalhava na casa do Barão de Itapuã, e seu pai era um funcionário público português. O psiquiatra teve sua filiação reconhecida pelo pai somente após o falecimento da mãe.

O Barão de Itapuã foi um médico baiano, que apadrinhou Juliano e o ajudou a ingressar na faculdade. Precocemente, Juliano ingressou na Faculdade de Medicina da Bahia aos 13 anos e, aos 18 anos, já estava formado, tornando-se um dos primeiros médicos brasileiros. Concluiu sua tese sobre a sífilis – “Sífilis Maligna Precoce” –, passando a ser referência nesse tema. Depois de formado, tornou-se professor na Faculdade de Medicina da Bahia.

Juliano teve a oportunidade de estudar sobre doenças mentais durante o intervalo das atividades de assistente na cátedra de Clínica Psiquiátrica e de Doenças Nervosas. Foi então que deu início aos estudos na área da Psiquiatria. O médico passou a estudar sobre transtornos mentais e a lutar e apontar em suas teses que esses distúrbios não estavam ligados à cor da pele, como diziam alguns colegas de profissão, que acreditavam que a miscigenação causava transtornos mentais.

De 1903 a 1930, ele dirigiu o Hospício Nacional de Alienados, localizado no Rio de Janeiro. Além de ser um grande percursor antirracista na área da saúde mental, Juliano Moreira ficou conhecido por atuar de forma humanizada dentro do hospital: ele aboliu camisas de força, separou os pacientes por faixa etária e retirou as grades das janelas.
Juliano, além de representar o Brasil em congressos no exterior, recebeu diversos médicos renomados do mundo inteiro, além de Albert Einstein, quando era vice-presidente da Academia Brasileira de Ciências.

Em 1933, faleceu de tuberculose na Serra de Petrópolis. Em sua homenagem, o Asylo São João de Deus, em Salvador (Bahia), ganhou seu nome, passando a se chamar Hospital Juliano Moreira.

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Durante sua carreira, Juliano, sempre muito educado e cordial, provou cientificamente que os transtornos mentais não estavam relacionados com a cor da pele. E, como psiquiatra negro, mostrou seu conhecimento e embasamento teórico, que se fazia presente em seus discursos e teses, atraindo a atenção de todas as pessoas para um processo mais humanizado nos hospitais psiquiátricos.

Sobre o autor

Beatriz de Andrade Silva

Psicóloga clínica, orientada pela psicanálise freudiana, especialista em diversidade nas organizações (PUC-SP), pós-graduada em direitos humanos, responsabilidade social e cidadania global (PUC-RS), pós-graduanda em psicologia e desenvolvimento infantil e pesquisadora das relações étnico-raciais. Atuou por oito anos no mercado financeiro, na área de recursos humanos, com foco em atração, seleção, treinamento e desenvolvimento. Na área social, é voluntária em um coletivo que busca colocar a diversidade e a inclusão em pauta e ação e, por fim, é mentora voluntária de jovens de 16 a 23 anos, auxiliando no propósito de carreira.

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