Existe um momento da vida em que a rotina muda sem pedir licença. Os filhos crescem, a aposentadoria começa a se aproximar ou já aconteceu, algumas amizades ficam mais distantes, os pais envelhecem, o corpo passa por mudanças e aquilo que organizava os dias durante tantos anos deixa de ocupar o mesmo lugar. Para muitas mulheres, essa fase não chega com um grande acontecimento. Ela aparece aos poucos. Um dia a casa fica mais silenciosa. No outro, sobra um tempo que antes não existia. Em seguida, surge uma pergunta que parecia não ter importância durante décadas.
Quem sou eu agora? Essa pergunta costuma causar desconforto porque boa parte da vida foi dedicada aos outros. Ao trabalho, aos filhos, ao casamento, à família, às responsabilidades do dia a dia. Durante muito tempo, existia sempre alguém precisando de atenção, alguma decisão para tomar ou um problema para resolver. Quando esse ritmo muda, nem sempre a sensação é de liberdade.
Em muitos casos, aparece um vazio difícil de explicar. Não porque falte o que fazer. Falta aquilo que organizava a identidade. É comum ouvir mulheres dizendo que sentem culpa quando fazem algo apenas para elas. Outras contam que perderam o interesse por atividades de que antes gostavam. Algumas descobrem que já não sabem responder perguntas simples, como o que gostam de fazer, quais lugares têm vontade de conhecer ou como imaginam os próximos anos da própria vida.
Essas mudanças costumam ser tratadas como algo pequeno. Afinal, “faz parte da idade”. Mas essa resposta raramente ajuda. Cada fase da vida pede uma reorganização. E reorganizar a própria vida não acontece apenas mudando a agenda ou criando novos hábitos. Envolve compreender quem essa mulher se tornou após tantas experiências. A maturidade traz ganhos importantes. Existe mais experiência para lidar com problemas, menos necessidade de provar alguma coisa, maior capacidade de perceber o que faz sentido e o que deixou de fazer.
Ao mesmo tempo, também surgem desafios. Lidar com as mudanças do corpo, com o envelhecimento dos pais, com os filhos construindo a própria vida, com relações que mudaram ao longo dos anos e com a percepção de que o tempo passa mais rápido do que parecia na juventude. Tudo isso desperta perguntas que nem sempre encontram espaço nas conversas do dia a dia. Nem toda mulher quer falar sobre essas questões com a família. Nem sempre as amigas estão vivendo o mesmo momento. E, muitas vezes, existe receio de parecer ingrata por sentir tristeza justamente quando tantas coisas deram certo.
Por isso, compartilhar experiências com outras mulheres que atravessam fases parecidas costuma fazer diferença. Quando alguém fala sobre a dificuldade de aceitar as mudanças da menopausa, outra percebe que também vive isso. Quando uma mulher comenta sobre o vazio deixado pela saída dos filhos, outra entende exatamente do que ela está falando. Quando alguém admite que já não sabe como quer viver os próximos anos, encontra pessoas que também estão reconstruindo essa resposta.
Essa identificação diminui a sensação de isolamento. É justamente dessa necessidade que nasceu o “Mulherices”. O grupo foi criado para reunir mulheres que desejam conversar sobre os desafios da maturidade de forma respeitosa, sem julgamentos e sem a expectativa de que alguém tenha todas as respostas. Os encontros abordam temas que fazem parte dessa fase da vida, como relacionamentos, autoestima, mudanças do corpo, menopausa, identidade, envelhecimento, limites, família, propósito, saúde emocional e tantos outros assuntos que costumam surgir naturalmente durante as conversas.
Cada mulher chega com sua própria história. Algumas estão vivendo mudanças profissionais. Outras estão lidando com o ninho vazio. Há quem esteja enfrentando um divórcio após muitos anos de casamento. Outras querem simplesmente conhecer pessoas e voltar a ter um tempo dedicado a si mesmas. O grupo não existe para oferecer fórmulas prontas. Existe para criar um ambiente em que essas experiências possam ser compartilhadas e compreendidas.
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Ao perceber que outras mulheres vivem dúvidas parecidas, muitas participantes passam a olhar para a própria história de uma forma diferente. Aquilo que parecia um problema exclusivamente seu ganha outra dimensão. As conversas também mostram que essa fase da vida pode abrir possibilidades que antes pareciam distantes. Retomar um hobby, iniciar uma atividade física, aprender algo novo, viajar, construir novas amizades, reorganizar prioridades e experimentar formas diferentes de viver. Nada disso acontece da mesma maneira para todas as pessoas. Cada mulher encontra seu próprio ritmo.
O importante é lembrar que a maturidade não representa apenas encerramentos. Ela também marca o início de novas escolhas. Escolhas feitas com mais experiência, mais consciência e menos necessidade de corresponder às expectativas dos outros. Se você sente que está vivendo esse momento de transição e gostaria de compartilhar essa caminhada com outras mulheres, o “Mulherices” pode ser um lugar para começar. Às vezes, uma boa conversa abre caminhos que a gente ainda não tinha conseguido enxergar sozinha.
Sandra Lebrão
Psicóloga | Psicanalista | Professora de Yoga
📲 Informações sobre o Mulherices: (11) 99126-5740
