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Quarta-feira de cinzas e as energias pós-carnaval

Imagem de uma mesa coberta com um pano roxo de cetim. Sobre ele uma bíblia, um crucifixo e um pouco de cinza.
Udra / 123RF
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Mal começa um novo ciclo e ainda estamos com aquele gostinho das festas de fim de ano, da confraternização e das energias positivas carregadas de expectativas de um ano melhor, de novas realizações e de muitas promessas a serem cumpridas. Então vivemos um pequeno intervalo e, em poucos meses, já deparamos a chegada de mais uma festa bem expressiva: o Carnaval — muitos dias seguidos de bailes, comemorações, fantasias e uma alegria de viver como se não houvesse amanhã. Muita gente viaja para descansar, mas o clima festivo ainda está presente até mesmo nos roteiros mais serenos.

É muita intensidade durante esses dias que antecedem o feriado — sim, porque o dia de Carnaval, mesmo, é um, mas a folia já começa bem antes. Há até quem emende as festas de fim de ano, juntando as férias. Tudo parece se libertar dentro de algumas pessoas: a euforia, os desejos mais contidos, as famosas paixões de Carnaval, as loucuras impublicáveis… É o feriado dos excessos emocionais, quando muita gente coloca pra fora suas maiores fantasias e acha que pode ser o que quiser. Mas como tudo nesta vida, essa sensação é etérea. Ficam os registros na memória, mas é exatamente isto que o Carnaval se torna: lembrança.

Lidando com a ressaca emocional

Dizem que o ano aqui no Brasil só começa mesmo depois do Carnaval, e esse “início” de ano pode vir com um gostinho amargo de ressaca emocional. Então como lidar com isso?

Em primeiro lugar, é preciso ter em mente que aquela libertação ostensiva, aquela felicidade sem fim e a sensação de que tudo é festa… tudo isso é a exceção, não a regra. Não que a vida seja triste em sua essência, mas nada é tão bom ou tão ruim o tempo todo. Então é preciso ligar a chavinha do modo “realidade” e entender que tudo, absolutamente tudo, passa.

Imagem de uma mesa forrada com toalha roxa e sobre ela uma toalha pequena branca de renda, um pote de vidro com cinza, um crucifixo e uma flor amarela.
Gini George / Pixabay

Foi maravilhoso? Foi. Foi muito louco? Para alguns, sim. Tudo é permitido no Carnaval? Só se houver consentimento de ambas as partes. Mas aí a realidade bate à porta e você precisa voltar a trabalhar, a pensar nos boletos, a aturar aquele vizinho fazendo obra às 7h da manhã. E então se pega perguntando a si mesmo: “Mas por que essa alegria de Carnaval não pode ser pra sempre?”. Bom, em primeiro lugar, até aquilo que é bom demais a todo instante enjoa. Depois, você precisa saber que aquilo que passou, passou.

Repetindo: Carnaval não é a regra. Deixe acontecer, deixe ir. Siga em frente. Reviva as lembranças com um gosto bom daquilo que ficou no passado e que precisa ser somente memória. Aquela das boas, em que você vai pegar o celular e ver as fotos com a galera, as fantasias mais originais, a viagem para aquela praia paradisíaca, aquele amor de Carnaval, aquele beijo despretensioso. Ou aqueles beijos… não é?

Pense no aqui e no agora

Há um ditado do senso comum que afirma que a depressão é excesso de passado, ao passo que a ansiedade é o excesso de futuro. Bem, essa não é uma afirmação científica ou médica, mas faz bastante sentido. Se você ficar preso ao passado, você se esquece de viver o momento.

Sua vida é boa em qualquer momento. Não porque a felicidade é uma constante, mas porque você sabe valorizar todos os sentimentos que experimenta e entende que tudo faz parte do nosso amadurecimento e da conquista do autoconhecimento — a tristeza também é necessária. Mas, assim como essa sensação de Carnaval, ela não pode ser eterna. E foi essa coisa boa da sua vida que te levou a ter um Carnaval espetacular.

Não deixe de acreditar que só o Carnaval foi algo bom. E todo o resto? E o Natal que você passou alguns meses antes? E no Réveillon, quando você olhou para o céu e acreditou em dias melhores ou agradeceu por mais um ano cheio de bênçãos? E o agora? O momento em que você se encontra, podendo celebrar o que passou, tendo fé no que está por vir e agradecendo por estar aqui com a capacidade de realizar.

Imagem de um padre usando uma bata roxa. Ele segura em uma das mãos uma bacia de prata contendo cinzas.
Grzegorz Krupa / Pixabay

A vida vai voltar ao “normal”? Sim. Mas que mal há nisso? Nosso cérebro também precisa de rotina para poder entender que estamos em um “lugar seguro” e manter as nossas emoções em equilíbrio. E saiba de uma coisa: tudo que é demais enjoa. E aí qual seria a graça do Carnaval se ele fosse eterno?

Cada fase tem sua duração, seu “prazo de validade”. O estado das coisas é sempre mutável e a única certeza que temos é o momento em que estamos realizando algo. Não podemos voltar no tempo, muito menos podemos antecipar o futuro. Então viva o agora e compartilhe essas boas lembranças ao lado de quem está sempre perto de você, porque isso vai ser capaz de renovar suas energias.

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Lembranças são boas porque fazem parte da nossa história. O futuro deve ser visto como uma janela de possibilidades e planejamentos com muita fé de que você vai alcançar todas as suas metas. Mas é no agora que você sempre vai residir. É no agora que sua realidade se torna possível. Pense nisso!

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