Espiritualidade

Qual é o verdadeiro significado da Páscoa e como ela deve ser comemorada?

Mulher segurando cestas com ovos coloridos
Polina Zimmerman/Pexels
Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Estamos chegando à Páscoa. Feriadão chegando aí, todo mundo animado, alguns esperando pra viajar e descansar, não é mesmo? Outros esperando pra ganhar aquele Ovo de Páscoa maravilhoso de chocolate belga, recheado de trufa. É uma semana doce, isso ninguém pode negar.

Agora, qual é o significado de tudo isso? Se a gente perguntar pra uma criança ela vai dizer: É quando o coelhinho vem! Traz ovos de chocolate, deixa suas patinhas por toda a casa! Marmanjos também adoram ganhar ovos de Páscoa.

Mas, será que ainda nos lembramos do verdadeiro sentido da Páscoa? O que ela representa? Qual a mensagem que este período deveria nos passar? Como deveríamos comemorar a Páscoa de verdade?

Vamos entender um pouco desta história

A palavra Páscoa vem do hebraico Pessach e quer dizer: passar além ou passagem e é uma festa comemorada pelos Judeus e Católicos da Igreja Romana e Ortodoxa, mas de formas diferentes.

Para os judeus, a Páscoa é a comemoração da libertação dos judeus que eram escravos no Egito. Lembram-se da passagem da Bíblia que conta como Moisés libertou os escravos atravessando o Mar Vermelho? Essa fuga do Egito conhecemos como Êxodo e a Páscoa está relacionada à comemoração desse momento, ou seja, da passagem pelo Mar e o retorno para sua terra.

Pessoa lendo livro
Maksym Chornii/123RF

Ainda dentro da concepção judaica, a Páscoa também é a comemoração da vida do povo em liberdade, da formação da nação judaica e o advento dos Dez Mandamentos. As comemorações duram 7 dias e neste período, é proibido que se coma alimentos ou bebidas fermentadas. É quando preparam o famoso pão de asmo ou ázimo, que é um tipo de pão assado que não tem fermento em seu preparo. Existem duas interpretações comuns para isso: uma que diz respeito ao significado negativo da palavra fermento relacionada ao mal e ao pecado e outra que está relacionada à fuga do Egito. Com pressa para fugir, os judeus cozinharam o pão rapidamente, sem fermento ou sem aguardar a fermentação. Isso deu origem à tradição do pão sem fermento.

Catolicismo

Para os católicos, a Páscoa é a comemoração da ressurreição de Cristo após sua morte na cruz. Simbolicamente, é a passagem da morte para a vida eterna, quando o espírito vence a matéria. A Páscoa cristã começou a ser comemorada no século II d.C, mas em 325 d.C., no Concílio de Nicéia, foi decidido que as Páscoas Judaica e Cristã não poderiam ser comemoradas na mesma data.

Paulo faz um paralelo do fermento como sendo os defeitos humanos que deveriam ser banidos da vida, deixando no lugar asmo, simbolismo da pureza.

E os símbolos que conhecemos, o que eles significam?

O OVO e o COELHO VÊM LÁ DAS CULTURAS PAGÃS DO MEDITERRÂNEO

Os povos desta região tinham uma festa pagã para se comemorar a chegada da primavera, um período em que o sol nascia e trazia a fertilidade para as novas plantações. Para comemorar, eles pintavam ovos e davam de presente entre si. Os ovos de chocolate vieram substituir os ovos pintados.

Coelho em um jardim ao lado de flores
Pixabay/Pexels

Cultuavam a deusa Ostera, deusa da primavera e da fertilidade. A figura desta deusa era representada por uma mulher que observava um coelho saltitante com ovos nas mãos. Quer dizer, símbolos que representam a fertilidade: ovo, coelho e a mulher.

Chamavam esse período e essa festa de Páscoa (do inglês Easter que vem da deusa Ostera), ou seja, um período de renascimento das plantações e de fertilidade da terra. Para esses povos, a Páscoa era a comemoração do ciclo da vida: nascimento, morte e renascimento.

Se pensarmos no significado da Páscoa para os povos pagãos, para os judeus e para a igreja católica, romana ou ortodoxa, vamos entender que existe um fio condutor, uma linha mestra em todos. Em todos os casos, Páscoa é a renovação da vida.

É a festa da libertação que traz um novo tempo, tempo de renovação e esperanças: O ovo então seria a fonte da vida, o coelho representa a capacidade de se renovar, de reproduzir a espécie, reinventar. Isso nada mais é o que Jesus nos revelou: que a morte não tem poder sobre a vida e que a alma, sendo imortal, viverá para sempre.

Os espíritas não comemoram a Páscoa como as demais religiões. No entanto, respeitam, compreendem e aceitam todo o simbolismo e a importância que eles carregam:

  • A LIBERDADE conquistada pelos JUDEUS no EGITO deve ser comemorada, assim como toda a LIBERDADE, de qualquer povo.
  • Os DEZ MANDAMENTOS, também devem ser lembrados porque foi o primeiro código que deu significado moral à nossa existência, colocando limites nas atitudes e mostrando que é preciso respeitar e amar a Deus e a todos os nossos irmãos.
  • A RESSURREIÇÃO DO CRISTO representa a VITÓRIA SOBRE A MORTE DO CORPO FÍSICO e a IMORTALIDADE DO ESPÍRITO.

Espiritismo

O Espiritismo entende a Páscoa como um momento de REFLEXÃO, uma OPORTUNIDADE de rever nossos atos, nossa maneira de pensar sobre a vida. Uma RENOVAÇÃO INTERIOR, uma passagem:

Do nosso jeito imperfeito de agir para uma forma mais caridosa e mais pura.
Do abandono dos nossos erros na busca pela REFORMA ÍNTIMA para nos tornarmos cada vez mais próximos da perfeição de Jesus.

Para os espíritas, a Semana Santa deve ser um momento de REFLETIR, de MEDITAR, de se AUTOCONHECER, de TOMAR CONSCIÊNCIA de nossos próprios defeitos e vícios buscando o RENASCIMENTO INTERIOR, uma RENOVAÇÃO de nossos SENTIMENTOS E ATITUDES.

Homem sentado no chão meditando
cottonbro/Pexels

Devemos fazer RESSURGIR, RESSUSCITAR, DESPERTAR o que EXISTE DE MELHOR dentro de nós: nossa ESSÊNCIA DIVINA. A Páscoa é, então, a capacidade de processar nossa REFORMA ÍNTIMA. É o esforço que precisamos fazer para sermos moralmente melhores, renovar nossas esperanças no bem, fortalecer nossa fé, solidificar o amor dentro de nós. Tornar o amor nossa bandeira, nossa cartilha para todas as ações. Precisamos buscar o perdão, sempre. Cultivar pensamentos e sentimentos positivos para nós e para os outros.

Caibar Schutel diz que essa transformação não é uma tarefa fácil, mas não é impossível se seguirmos um simples exemplo de JESUS: “Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a ti mesmo.” Este mandamento resume toda a doutrina cristã.

Quem é capaz de amar ao próximo como ama a si mesmo, já vendeu o pior defeito humano: o egoísmo. O egoísmo é a base de toda doença sentimental, emocional e psicológica. É a fonte dos males que abraçam a humanidade. Dele todo o mal deriva.

Segundo Caibar Schutel, vencendo o egoísmo nas pequenas ações e atitudes, observando nossas reações egoístas, já demos início à nossa reforma, à nossa ressurreição, à nossa Páscoa. Ele ainda nos propõe que para vencer o egoísmo, assim como tudo o que fazemos na vida, precisamos traçar metas. É um trabalho de formiguinha, longo, mas é possível e ele nos dá algumas dicas.

No que se refere ao nosso lado material, podemos, por exemplo, deixar de ser egoístas quando não nos deixamos levar pelo consumismo exagerado:

  • Se toda vez que formos consumir algo, nos perguntarmos: EU PRECISO? EU QUERO? EU DESEJO? Pense naqueles que não tem o básico: o alimento, a roupa, a moradia, o estudo. Se o que desejava não é necessário, ajude aquele que precisa de algo mais básico para a sobrevivência
  • DOE ALGO PARA ESSAS PESSOAS. SE O QUE TE SOBRA É TEMPO, use uma parte dele pra ajudar alguém, participe de alguma atividade que possa ajudar com sua energia pessoal.
  • Coloque em todos seus atos um pouco de caridade e um tanto de amor desinteressado. É dando que se recebe. O maior beneficiário seremos nós mesmos

Para os espíritas, a Páscoa deve acontecer todos os dias de nossas vidas.

Todos os dias, precisamos acordar e nos predispor a sermos melhores do que ontem. Todos os dias devemos lembrar de Jesus e vivenciar o AMOR e CARIDADE que Ele nos ensinou.

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Todos os dias, devemos parar por alguns instantes e nos perguntar, o que preciso mudar em mim? Onde estou errando? Sem culpa, sem cobranças, mas com o verdadeiro propósito de mudar.

Procure todas as noites antes de dormir

  • Fechar seus olhos e se imaginar num lugar bem calmo, perto da natureza e com seu anjo da guarda ao seu lado.
  • Reveja todas suas atitudes do dia e observe aquelas que te deixou feliz e reflita o porquê isso te deixou assim.
  • Pense agora nas atitudes ou acontecimentos que te deixaram num estado de espírito negativo, em que seu peito ficou pressionado ou você se sentiu nervoso. Pense no porquê isso aconteceu e reflita qual foi o seu papel para que isso acontecesse.

Este é um exercício que podemos fazer para nossa Páscoa acontecer todos os dias, para darmos início à nossa reforma, ao nosso renascimento.

Neste fim de semana, quando estivermos celebrando a Páscoa, vamos entregar junto com o ovo da Páscoa, amor, dedicação e, principalmente, nossa vontade sincera de ser diferente, de ser melhor, ensinando aos nossos filhos o verdadeiro sentido da Páscoa e do quanto é importante agir sempre pelo bem de todos.

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