Reiki Reiki Celta

Reiki Celta e Druidas

Uma xamã segurando um corvo.
Kiselev Andrey Valerevich / Shutterstock
Escrito por Tereza Gurgel

O Reiki Celta é uma modalidade de Reiki que usa muitos conceitos da espiritualidade dos antigos povos celtas em sua prática. Desse modo, é interessante procurar refletir sobre em que poderia consistir essa espiritualidade e como esse entendimento pode auxiliar nas práticas dessa modalidade de reequilíbrio energético. A antiga religião druídica é um ramo dessa espiritualidade.

Muitas polêmicas são levantadas quando o assunto é o druidismo. Alguns alegam que é impossível distinguir, entre tantas ramificações, aquilo que realmente remonta às autênticas origens célticas.

Existem organizações sérias que buscam, por meio de intensos estudos históricos e arqueológicos, resgatar a antiga religião e adaptá-la aos tempos atuais.

Em termos históricos, sabemos que as tradições eram passadas de geração em geração, de modo oral. Os povos celtas não possuíam escrita, e consideravam que, tão logo algo estivesse escrito, deixaria de ter vida. Os documentos que encontramos são relatos dos romanos, que, como conquistadores desses povos, passam uma visão bastante deturpada – muitas vezes difamatória – da cultura céltica.

Uma cruz celta de concreto situada numa planície.
Gargaphoto de Getty Images / Canva

Com a chegada dos missionários cristãos à Irlanda (onde a cultura celta foi mais preservada), é que começam a aparecer as inscrições em caracteres Ogham, por volta do ano 600 d.C. Elas serviam para monumentos funerários e posteriormente foram usadas nas primeiras comunidades cristãs para escrever mensagens – uma explicação para a origem desse alfabeto é que os sons do irlandês primitivo eram consideradas difíceis de transcrever para o alfabeto latino, então o uso de um alfabeto separado foi considerado apropriado. Na mitologia, o deus Lugh trouxe sete bétulas para a Irlanda, e as primeiras inscrições Ogham foram feitas sobre cascas de bétula; daí ser esta a primeira letra do alfabeto: a letra Beith.

Não há evidências arqueológicas que apoiem sem sombra de dúvidas a ideia de que os celtas praticavam sacrifícios humanos, segundo os especialistas. Porém, mesmo entre eles, há muita discussão, porque ainda não se pode descartar completamente que essa prática esteve presente em algumas tribos e em algumas épocas e situações específicas.

Os neodruidas

Os antigos costumes e cultos foram perseguidos pela nova religião cristã, que se impunha como “oficial”. Após um período em que parecem ter desaparecido – talvez se refugiassem no silêncio, a fim de evitarem perseguições –, o druidismo ressurgiu no período medieval.

Ao que parece, as práticas ancestrais continuaram a viver nas comunidades mais afastadas. No final do século XVIII e durante o século XIX na Europa, houve um reavivamento da cultura e da identidade nacional, ligada principalmente às tradições pagãs.

Os druidas eram não apenas os sacerdotes, mas também sábios, historiadores, astrônomos, adivinhos, profetas, mágicos, curadores e poetas. Ainda atuavam como juízes e legisladores nas comunidades, dominavam as artes sagradas e as ciências e eram muito respeitados por todos. Também havia druidesas.

Os conhecimentos não podiam ser revelados àqueles que não seguissem uma severa disciplina: os alunos dos druidas deveriam passar 20 anos estudando a natureza, antes de serem considerados dignos de pertencer ao colégio sacerdotal, formado por três graus: bardos, ovates e druidas. O bardo representava a Inteligência formal; o ovate representava o Amor e a Sabedoria; e o druida representava a Vontade e a Lei. O legado dos antepassados era venerado, e qualquer aluno teria que memorizar as antigas histórias, poemas épicos e lendas, reproduzindo-as sem nenhum tipo de omissão.

O que restou do druidismo na Alta Idade Média cristianizada foram os bardos, considerados os poetas das cortes e detentores de uma memória arcaica. Em 1176, no Castelo de Cardigan (Gales), reuniram-se bardos, poetas, harpistas e outros músicos, em um festival com distribuição de prêmios entre os participantes.

Em 1717, John Toland lançou as bases de uma ordem druida, com o intuito de reunir os bardos. Em 1792, voltou a acontecer um festival cuja principal atividade foi o concurso de Poemas e Canções. Em 1964, houve uma dissidência da ordem de Toland, dando origem à Druid Order e à Order of Bards, Ovates and Druids (fundada por Ross Nichols).

Pessoas de branco reunidas em frente a um stonenge.
sandyraidy, CC BY-SA 2.0 / Wikimedia Commons / Eu Sem Fronteiras

Hoje, o neodruidismo é uma religião pagã – e, como tal, deve ser respeitada; acredita na sacralidade da natureza, é animista (acredita na essência espiritual de entidades não humanas, como animais, plantas, objetos inanimados, fenômenos naturais) e politeísta (reconhecem a existência de múltiplas divindades).

Na Europa, encontramos muitos grupos druídicos, em particular no Reino Unido, França, Portugal e Irlanda, entre outros. Mundialmente, temos outros grupos nos Estados Unidos, Austrália e também no Brasil.

Meditação

Os druidas tinham uma profunda conexão com a natureza. Quando puder encontrar um local tranquilo, como um jardim ou parque, procure abrir-se para a natureza que te cerca. Respire profundamente: na primeira inspiração, conecte-se com o elemento Fogo, representado pelo Sol. Expire, procurando imaginar que a luz divina solar te envolve, e o calor do Sol, que favorece a vida, te inspira.

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Na segunda respiração, conecte-se com o elemento Água, tão presente no seu corpo, na própria atmosfera, nos rios, lagos e mares. Na próxima respiração, conecte-se à Terra que te ampara e dá sustento. Na próxima respiração, é hora de conectar-se ao elemento Ar, presente na sua própria respiração e no vento que te envolve, trazendo ideias e projetos novos. Termine a meditação agradecendo aos quatro elementos e reconheça que você faz parte deste todo, que tão generosamente te considera como filho(a).

Sobre o autor

Tereza Gurgel

Formada em Psicologia (F.F.C.L. São Marcos - SP). Filiada à ABRATH (Associação Brasileira dos Terapeutas Holísticos) sob o número CRTH-BR 0271. Atua na área Holística com Reiki, Terapia de Regressão e Florais de Bach. Mestrado em Reiki Essencial Metafísico e Bioenergético Usui Reiki Ryoho, Shiki, Tibetano e Celtic Reiki. Ministra cursos de Reiki e atende em São Paulo (SP).

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