Desde o início da vida, somos seres profundamente dependentes. Nascemos frágeis, sem qualquer condição de sobrevivência sozinhos. Precisamos de alguém – geralmente nossos pais ou cuidadores – para nos alimentar, acalmar, trocar, acolher.
E mesmo quando isso não acontece da melhor forma, nossa estrutura biológica e emocional já está moldada para esperar cuidado vindo de fora. Essa expectativa de ajuda, afeto e segurança nos acompanha ao longo da vida, mesmo que, por vezes, ela venha frustrada.
Por isso, quando começamos um processo de autoconhecimento mais profundo, é fundamental lembrar: fomos programados para buscar o alívio e a solução dos nossos desconfortos fora de nós.
Por mais que seja lógico pensar que podemos mudar pensamentos, trabalhar emoções e cuidar de nossas dores internas, na prática, isso pode parecer difícil. E a razão é simples: ir em direção ao autocuidado, ao acolhimento interno, é nadar contra uma corrente que existe há milênios.
Nosso corpo e nossa mente carregam registros profundos de que o alívio vem do outro. A criança chora esperando o colo, o consolo, o leite. Ao longo da vida, seguimos projetando isso em relacionamentos, amigos, trabalho, espiritualidade.
Então, quando alguém propõe que sejamos gentis conosco, parece quase impossível. Como assim, olhar para dentro e encontrar ali o que sempre buscamos fora?
Mas a verdade é que, quando tomamos consciência dessa tendência, algo começa a mudar. Não precisamos lutar contra ela, e sim entender que ela existe, aceitar esse percurso humano.
E, a partir daí, podemos fazer pequenos movimentos. Um gesto de carinho consigo mesmo, uma pausa para respirar, um pensamento mais gentil. São sementes.
Com o tempo, esses gestos se tornam abrigo. Vamos construindo, com delicadeza e constância, um espaço interno confiável, um lugar onde nos damos colo, perdão, pausa e recomeço.
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E isso não é algo que se conquista da noite para o dia. Assim como um alimento não sustenta por uma vida inteira, o autocuidado é uma nutrição diária – psicológica, emocional e espiritual.
É um trabalho de vida toda. Mas cada pequeno passo em direção à autocompaixão já é, por si só, uma enorme vitória.
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