Psicologia Setembro Amarelo

Previna-se: Setembro Amarelo

Fita amarela representando o Setembro Amarelo
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Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

As informações significativas sobre o suicídio fizeram com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) adotasse medidas para a prevenção desse problema global. Considerado de saúde pública, ele é especialmente tratado na campanha conhecida por Setembro Amarelo. Saiba da importância dela e perceba como a conscientização contribui para reduzir o índice de mortes.

O que é Setembro Amarelo?

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização da população sobre o suicídio e tudo o que se relaciona a ele, com o objetivo de prevenir as tentativas e de diminuir a mortalidade.

O suicídio é o ato de tirar a própria vida de forma intencional, e para sua prevenção são considerados os pensamentos suicidas, planos e tentativas de morte e os transtornos relacionados a ele. É complexo e afeta pessoas de diferentes idades, origens, classes sociais, orientações sexuais e identidades de gênero.

O que significa Setembro Amarelo?

O setembro amarelo significa empreender esforços de instituições públicas e privadas principalmente para divulgar informações e romper barreiras e preconceitos sobre o suicídio, desmistificando o problema e alertando a população e profissionais para a tomada de ações de redução e eliminação da mortalidade.

Mulher olhando para o céu
Lucas Pezeta/Pexels

A OMS considera o suicídio uma epidemia silenciosa e incentiva ações de combate como as da campanha Setembro Amarelo. A organização estima que nove em cada dez suicídios poderiam ser evitados. Na última pesquisa feita (2016), os resultados incluíam cerca de 800 mil mortes/ano em todo o mundo, e para cada morte há 26 tentativas, sem contar a extensão do problema entre familiares e amigos.

Segundo informações da Associação Brasileira de Psiquiatria, anualmente são registrados cerca de 12 mil suicídios no Brasil. Segundo a OMS, entre 2010 e 2016, o índice de suicídios aumentou 7% (a cada 100 mil habitantes) no Brasil, ao contrário da taxa mundial, que caiu 9,8%. O país representa o maior percentual populacional da América Latina, de 6% da população com depressão (doença que pode levar ao suicídio), taxa maior do que o valor global. Aponta ainda que os homens estão entre os que mais têm morte autoprovocada, numa proporção de aproximadamente 9 para cada 3 mulheres em 100 mil habitantes; entretanto elas representam a maioria em tentativas.

A OMS reconheceu o vínculo entre o suicídio e problemas de saúde mental, como a depressão, transtorno que se mostra com um sentimento de tristeza profunda e com perda da vitalidade, causando sofrimento e afetando a vida familiar, social e profissional de quem passa por ela.

A campanha Setembro Amarelo viabiliza o diálogo e as discussões sobre o tema, ainda tabu na sociedade. As pessoas que sofrem com pensamentos suicidas precisam saber que não estão sozinhas e podem receber acolhimento. Cerca de 60% das pessoas que cometeram suicídio não buscaram ajuda.

Como surgiu o Setembro Amarelo?

Girassol em um campo
Renda Eko Riyadi/Pexels

É comum perguntarmos por que Setembro Amarelo. A cor amarela, que representa a campanha, foi inspirada pelo casal Dale e Darlene Emme, cujo filho de 17 anos foi vítima de suicídio, em 1994, nos Estados Unidos, sem eles terem notado qualquer sinal sobre sua intenção. Em homenagem, eles disponibilizaram em seu velório uma cesta com cartões e laços de fita amarela como alerta às pessoas. Nos cartões havia a mensagem “Se você precisar, peça ajuda”. A cor foi uma homenagem ao Mustang amarelo que o filho restaurou com a habilidade mecânica que possuía e que o destacava além da personalidade carinhosa. Os cartões se espalharam pelo país, e jovens pediram ajuda, iniciando o programa de prevenção ao suicídio conhecido como “fita amarela”.

A Associação Internacional para a Prevenção do Suicídio e a Organização Mundial da Saúde criaram, em 2003, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, 10 de setembro, e adotaram a fita amarela como símbolo de alerta.

No Brasil, a campanha Setembro Amarelo teve início em 2015 por intermédio da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), do Conselho Federal de Medicina (CFM) e do Centro de Valorização da Vida (CVV), este último com um serviço de muitas décadas na prevenção ao suicídio. As primeiras atividades se concentraram em Brasília, mas já no ano seguinte atingiram todo o país, onde muitos monumentos são iluminados na cor amarela, entre ações de informação e caminhadas.

Como identificar um sinal para o suicídio?

Homem conversando com psicóloga em um consultório
cottonbro/Pexels

Explicar o que é Setembro Amarelo e sua origem e iluminar monumentos e prédios são ações que chegam à população como alerta sobre o problema do suicídio. Entretanto é fundamental que isso seja exposto abertamente, pois ele é resultante de vários fatores psicológicos, socioculturais, biológicos e genéticos.

O primeiro e talvez mais importante passo para ajudar pessoas e prevenir o suicídio é identificar os sinais que, por desconhecimento, não são percebidos ou não são entendidos como graves. Saiba quais podem ser:

  • comportamento retraído, com dificuldades de relacionamento com familiares e amigos;
  • transtornos mentais e de humor, como depressão e bipolaridade; de comportamento, decorrente do uso de substâncias químicas e álcool; e de personalidade, como a esquizofrenia;
  • ansiedade generalizada, irritabilidade, apatia ou pessimismo;
  • alterações de hábitos alimentares ou do sono;
  • baixa autoestima, sentimentos de culpa, vergonha, humilhação, medo ou menos-valia;
  • doação inexplicada de objetos valiosos e desejo de concluir afazeres pessoais;
  • cartas de despedida;
  • tristeza intensa e durante vários dias;
  • repetição de assuntos de morte e suicídio;
  • falta de interesse pelo futuro, com sentimentos de impotência, solidão e desesperança;
  • não aceitação de término de relacionamento afetivo;
  • desespero por desemprego ou problemas financeiros;
  • não aceitação da orientação sexual ou identidade de gênero;
  • não aceitação do envelhecimento;
  • baixa resiliência em relação a doenças físicas crônicas, limitantes ou incapacitantes;
  • tentativas prévias de suicídio;
  • luto por pessoas muito queridas ou muito próximas, com vínculo de dependência psicológica.

Como ajudar alguém que tem pensamentos suicidas?

Mulher olhando apra frente em um quarto escuro
Ken Ozuna/Pexels

Buscar ajuda médica, psiquiátrica ou psicológica o mais rápido possível é o primeiro passo para prevenir o suicídio, pois há tratamentos e acompanhamentos eficazes de profissionais especializados. Mais de 96% dos casos estão relacionados a transtornos mentais, sendo o primeiro a depressão, o segundo, a bipolaridade, e o terceiro, o abuso de substâncias químicas.

Se você, contudo, é alguém a quem foi solicitada ajuda, veja algumas formas de proceder, prezando sempre pelo apoio profissional:

  • ouça atentamente, mantenha a calma e demonstre empatia;
  • seja afetuoso e respeite o sofrimento da pessoa;
  • leve a sério a situação, não minimize a queixa ou o sentimento que estão sendo expostos;
  • explore com a pessoa outras possibilidades como formas de apoio emocional;
  • converse com a família e com os amigos, imediatamente;
  • permaneça ao lado da pessoa, em caso de crise ou transtorno, e remova os recursos para o suicídio se houver um alto risco.

Onde buscar ajuda, muito além da campanha Setembro Amarelo

É possível obter ajuda para alguém com pensamento suicida nas unidades de saúde: Centros de Atenção Psicossocial, Unidades de Saúde da Família, clínicas, consultórios psicológicos, Urgências Psiquiátricas Municipais, postos do CVV (Centro de Valorização da Vida), pessoalmente ou pelo telefone 188, e nos grupos de apoio desenvolvidos por ele em conjunto com o SUS e o Ministério da Saúde. É válido procurar profissionais como médicos, psicólogos, enfermeiros e agentes de saúde nos momentos de crise.

A campanha Setembro Amarelo e os sobreviventes

Girassol com gotas de chuva
eberhard grossgasteig/Pexels

A prevenção ao suicídio, foco da campanha Setembro Amarelo, abrange os sobreviventes, que são tanto as pessoas que tiveram tentativas não resultantes em morte como os familiares e amigos de pessoas que perderam a vida. O CVV desenvolve durante todo o ano trabalhos comunitários que atendem a esse grupo. Especificamente no Setembro Amarelo, as ações se destinam a levar informação e acolhimento, pois a sociedade ainda enxerga a questão de forma distorcida, muitas vezes penalizando as vítimas.

O Setembro Amarelo e o “efeito Werther”

O “efeito Werther” foi comprovado cientificamente. Chamado de “suicídio por imitação”, ele elucida que os suicídios se tornam mais comuns quando divulgados pela mídia, trazendo exemplos da morte de Marilyn Monroe (1962) e de Kurt Cobain (1994), os quais elevaram a taxa do problema naqueles períodos. Da mesma forma ocorreu uma onda entre jovens europeus após a publicação do livro de Goethe “Os sofrimentos do jovem Werther” (1774), no qual o personagem principal se suicida ao final da história.

A OMS desaconselha que a mídia exponha métodos ou processos de suicídio para evitar o incentivo a outras mortes. Contudo as pessoas que se suicidaram após uma notícia desse tipo já estavam no grupo de risco, com pensamentos suicidas, com depressão, esquizofrenia e outras doenças mentais não tratadas e, portanto, vulneráveis ao efeito Werther.

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Falar sobre o suicídio, ainda que não se fale de métodos ou processos nem se noticiem casos, é o que a campanha Setembro Amarelo entende como a melhor forma para reduzir o número de pessoas vulneráveis e prevenir o problema.

O conhecimento sobre o que é Setembro Amarelo, qual é a sua luta, quais são as formas de apoiar e que ações são permanentes na sociedade é fundamental para fomentar o diálogo, romper preconceitos e possibilitar que quem já precisa de apoio saiba que não está sozinho e que pode obter um tratamento muito eficaz. Fique alerta sobre quem convive com você! Se você precisar, peça ajuda!

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