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Ahimsa além do tapete: coerência e prática na vida cotidiana

Pessoa pratica uma postura de yoga sobre um tapete, com o braço apoiado no chão e tatuagem “ahimsa” em destaque.
Luna Vandoorne / Canva
Escrito por Sandra Lebrão

E se a verdadeira prática espiritual começasse fora do tapete? Pequenas palavras, hábitos e reações revelam mais sobre nós do que imaginamos… Até onde suas atitudes estão alinhadas com aquilo que você busca? Continue lendo e reflita.

Praticar Yoga na maturidade tem um aspecto concreto: as posturas e a respiração aparecem como ferramentas para cuidar do corpo. Mas há também um aspecto ético, que pede acompanhamento fora da aula. Ahimsa, a orientação que nos lembra de não causar dano, pode parecer simples na teoria e difícil na vida social, onde comentários, julgamentos e pequenos ataques acontecem com frequência. Como conciliar o que se aprende no mat com as atitudes do dia a dia?

O primeiro movimento é reconhecer que muitos gestos que chamamos de “ciência social” não são neutros. Um comentário depreciativo sobre outra mulher, uma fofoca contada com riso, a indiferença diante do sofrimento animal, tudo isso desenha um padrão de comportamento que contraria a intenção de cuidado. Diante disso, a prática pede honestidade: é preciso olhar para os próprios hábitos sem teatralizar culpa, apenas para entender como as palavras e escolhas afetam quem está perto e quem não está.

Comunicação não-violenta oferece um caminho prático. Antes de falar, vale verificar o que você quer expressar: é raiva, medo, desejo de controle, ou uma necessidade legítima que precisa ser atendida? Nomear o que se sente reduz a probabilidade de atacar. Falar com intenção não anula o incômodo que o outro possa sentir, mas muda o tom da conversa. E quando a conversa fere, é possível reconhecer e reparar. Pedir desculpas com simplicidade é um gesto frequentemente esquecido, mas profundo na sua consequência.

Dois homens conversam sentados ao ar livre, em um momento de troca atenta e acolhedora diante de um prédio de tijolos.
Mizuno K / Pexels / Canva

Ahimsa envolve também escolhas concretas. Cuidar dos animais, por exemplo, passa por atitudes que não precisam ser grandiosas. Reduzir a indiferença diante de maus-tratos, apoiar iniciativas locais ou rever hábitos de consumo que contribuem para o sofrimento animal são meios de alinhar prática e vida. A coerência ética não exige perfeição, exige atenção contínua e pequenas correções de curso.

Outra dimensão importante é o autocuidado do olhar. Muitas vezes, a crítica aos outros esconde um mal-estar próprio. Antes de apontar, vale perguntar: qual desejo não atendido me faz reagir assim? A psicanálise traz ferramentas para investigar esses disparos emocionais. Conhecer as próprias fragilidades diminui a necessidade de depreciar o outro, porque a comparação perde a força como mecanismo de defesa.

A disciplina no mat ajuda nesse processo. Respirar profundamente antes de falar, estabelecer um intervalo menor entre emoção e ação, praticar posturas que desafiem a paciência e a tolerância — tudo isso transforma o reflexo automático em gesto intencional. A repetição de práticas simples cria um tipo de presença que permite escolher a palavra e a ação com mais consciência.

Por fim, vale cultivar círculos que provoquem crescimento e não apenas reafirmação. Reunir-se com mulheres que desejam alinhar fala e comportamento facilita o processo de autocrítica e mudança. Em encontros onde se fala sem humilhar, onde se ouve sem minimizar, a prática ética se torna mais palpável. Assim, o que se aprende no tapete deixa de ser teoria e passa a orientar decisões cotidianas.

Manter coerência entre o que se busca na prática e o que se faz fora dela é um exercício que pede atenção e gentileza consigo mesma. Não se trata de alcançar um ideal inatingível, mas de responder com responsabilidade às pequenas escolhas de cada dia. Quando isso acontece, a presença de uma mulher madura transforma não por aparência, mas pela consistência das suas atitudes.

Se quiser trocar sobre como integrar essas práticas no seu dia a dia, estou à disposição.

Com carinho,
Sandra Pintaudi Lebrão
Psicóloga | Psicanalista | Professora de Yoga

Sobre o autor

Sandra Lebrão

Desde cedo, me movi pela busca de sentido e pela vontade de compreender a alma humana. A maternidade me trouxe ainda mais sensibilidade, e os desafios da vida, incluindo separações e recomeços, ensinaram-me a força da escuta e da transformação interior.

Minha formação em Psicologia e minha prática no Yoga foram caminhos que se encontraram, dando forma ao meu trabalho: ajudar pessoas a reencontrarem o próprio centro, resgatarem sua força e viverem com mais clareza, leveza e presença.

Ao longo dos anos, construí uma trajetória que une ciência e espiritualidade, teoria e prática, sempre guiada pelo desejo de que cada pessoa possa se reconhecer em sua história e abrir espaço para novos capítulos. Hoje, meu trabalho é acompanhar quem deseja atravessar crises, acolher dores e redescobrir a alegria de viver, seja pelo consultório, pelo tapete de yoga ou pelas conexões que a vida nos oferece.

Acredito que cada encontro é uma oportunidade de transformação. É com essa convicção que sigo caminhando, pronta para acolher a sua história.

Meu propósito é estar ao lado de quem busca atravessar suas próprias crises, resgatar sua força e se abrir para novas possibilidades de viver. Sei, pela minha própria história, que sempre é tempo de recomeçar.

Se você chegou até aqui, saiba que este espaço é também para você. Para acolher sua história, sua dor, sua força e sua transformação.

FORMAÇÃO:

Professora de Ballet Clássico: Escola de Ballet “Manon Freire Giorgio”
Magistério: Instituto Coração de Jesus
Psicologia: UNIMESP – Universidade Metodista de São Paulo (SP)
Pós em Psicologia Clínica: Universidade São Marcos – SP
Especialização em Psicodrama: Potenciar – SP
Psicologia do Esporte: Instituto Ricardo Cozac – SP
Pós em Educação Infantil: USP – SP
Formação de professores em yoga: IEPY – SP
Yogaterapia: IEPY – SP
Yogaterapia Hormonal: Profa. Dinah Rodrigues – SP
Anatomia para o Yoga: UNIFESP – SP
Yoga, Educação e Saúde Integral: FAFE – SP
Curso de Especialização em Yoga Props: Profa. Samira Kohn

Ballet Clássico: Despertou a consciência corporal e a determinação em sempre buscar a melhor "forma". A estética que se constrói.

Magistério: A arte de transmitir conhecimento com método e planejamento.

Psicologia: O manejo do inconsciente que se manifesta no real. "Me fez livre para a escuta e compreensão"