Autoconhecimento

Autossuficiência X independência

Mulher sorrindo com os braços para cima mostrando os bíceps
Anne Moon
Escrito por Anne Moon

Por Anne Moon. São Paulo, 18 de novembro de 2019. Hoje se fala tanto sobre independência, principalmente quando se fala de mulheres, de fazerem suas próprias vidas, de não serem mais passivas e sim autoras, ativas, protagonistas de suas próprias histórias, acho isso incrível e óbvio, todos sabem que eu sou a favor disso, mas preciso deixar uma ressalva: vejo que estamos nos distanciando muito do que era o objetivo inicial, mas não é sobre isso que se trata esse artigo. Esse artigo é para abrir uma discussão sobre autossuficiência e independência, para desfazer a confusão.

No mundo existem três tipos de pessoas.

O primeiro tipo: as autossuficientes, que se comportam como se fossem uma ilha, como se não precisassem de ninguém, NINGUÉM mesmo. Elas se fecham completamente na vida, que são “osso duro” e inalcançáveis, é como se houvesse um muro em volta dela que ninguém pode atravessar. Falo em “muro” como um bloqueio emocional e psicológico, que não permite que a pessoa se conecte com outras pessoas.

Mas calma, ela não faz isso propositalmente, é algo inconsciente, uma programação mental que a pessoa tem, é um mecanismo de defesa que foi criado por algum acontecimento na vida, ou ancestralidade, hereditariedade. Tem incutido na mente “não dependa de ninguém”, “não dependa de nada, nem ninguém para fazer a sua vida acontecer”. Uma frase com uma intenção maravilhosa, uma frase boa, nos incentivando a ir atrás dos nossos objetivos, sem esperar que alguém faça nossos sonhos se realizarem e nem esperar que oportunidades batam em nossas portas, nós corremos atrás de fazer as coisas acontecerem.

Silhueta de uma mulher em uma montanha

Acho maravilhoso isso, todos que me seguem sabem disso. Tem aquela frase na minha bio do Instagram :“O segredo para dominar o trono é construir o seu império”, eu sempre bato nessa tecla, eu falo bastante sobre não sermos as princesas de contos de fadas, as donzelas em perigo, que precisam de algum acontecimento, de determinadas pessoas para que a vida delas aconteça, no sentido de que elas agem passivamente, colocando o controle total da vida nas mãos dos outros, o que seria muito perigoso, sabe? Essa dependência, de sempre precisar de alguém para fazer as coisas, a necessidade de estar 24h por dia com alguém, seja para ir para a faculdade, escola ou trabalho, ou até mesmo para sair e se divertir. Tem gente que nem vai em shopping por estar sozinho! Há uns tempos, postei em meus stories do Instagram uns vídeos meus em uma piscina e ouvi a pergunta: “Nossa, mas você vai sozinha na piscina? Como consegue? Corajosa você hein?”. Fui pega de surpresa, pois tenho em minha mente que é algo normal, não é “grande coisa”, todo mundo faz isso e tenho em minha mente que se quero ir em determinado lugar, eu vou, simplesmente é isso. Quero fazer tal coisa e se alguém do meu convívio não quer, eu faço, não fico na vontade.

Mulher deitada em um piso de madeira segurando um óculos de sol

Eu até já ouvi em algum lugar que é muito bom quando fazemos algo especial para nós mesmos. Ter um momento no dia para nós mesmos, conviver com quem somos. Eu sempre falo: antes de tudo, temos que aprender a apreciar nossa própria companhia, pois sem isso será difícil a convivência com outras pessoas. Então é maravilhoso nos darmos esse tratamento especial. Seja preparando para o jantar ou almoço aquele nosso prato preferido, cuidar da nossa saúde em geral, cuidar do nosso corpo, comprar aquela roupa e nos dar de presente, sabe, nos dar reforço positivo.

Por exemplo: você voltou a fazer algo que há muito tempo você não fazia? Uau! Parabéns! Começou um novo projeto? Se parabenize. Voltou a se exercitar? Reencontrou alguém que há muito não via? Superou ou está superando algum medo? Uau, parabéns! Descobriu uma nova habilidade? Ganhou algum prêmio, promoção, oportunidade? Se parabenize, reconheça seu merecimento.

Homem olhando para o relexo do vidro pensativo

Independência é isso, isso é desapego e compreender o conceito de impermanência no universo. É estar de bem consigo mesmo, com a própria companhia e assim estar bem com a companhia de outras pessoas. É ter em mente que só você tem o controle sobre a própria vida e mais ninguém, que a mudança na sua vida está nas suas mãos, mas não recusar ajuda, apoio ou conselho de alguém, aprender com esse alguém, e enquanto estiver na sua vida, é para que você aprenda algo, trabalhe algo em si. Aí que está a impermanência. As pessoas do nosso convívio não podem estar conosco o tempo todo e nem todos os que já convivemos vão permanecer em nossas vidas para sempre. Nós vamos mudando, evoluindo… Algumas coisas e pessoas ficam para trás, ou seja, PARE, PARE com esse conto de fadas. Como dizem por aí “Acorda Alice, saia do país das maravilhas e volte para a realidade!”, tire esses óculos cor-de-rosa que não te permite ver o que está a tua frente.

Quando crianças, temos essa ideia de permanência. Não existe morte, não existe ex-amigos, ex-amores, mudanças, somos resistentes quanto a isso, ficamos mais dependentes de nossos cuidadores e eles vão se afastando aos poucos para que ganhemos autonomia, certo? No início de nossas vidas, dependemos de alguém para tudo, desde as nossas necessidades mais básicas. Ainda não existe comunicação verbal propriamente dita, nossa comunicação é toda pelo choro e o grito, até que vamos criando uma autonomia, aprendemos que podemos fazer as coisas por conta própria. Olha o desapego aí de novo.

Criança andando em um campo de trigo

Quando Buda falava sobre o desapego, que a raiz do sofrimento era o apego, sendo o apego, a resistência à mudanças, ele queria dizer que devemos estar presentes no momento aqui e agora, com os pés no chão, agindo para manter o equilíbrio, se percebendo um ser completo, que faz parte de um todo.

Como eu já havia falado, o desapego é você amar no presente, de não jogar a responsabilidade da sua vida nas mãos de outra pessoa, não colocar nela o peso de “te fazer feliz”, “te fazer completo”, centralizar sua vida naquela pessoa. E, na verdade, ter em mente que a sua vida, felicidade, completude estão em suas mãos.

Coloque em sua mente: “Só eu posso me fazer feliz e completo(a). Eu sou o poder sobre a minha vida”.

Mulher com os olhos fechados e com a mão a cima do peito

Isso é tão libertador, me senti assim quando trouxe essa frase para a minha vida como um mantra. Sentir que você é autor da sua própria vida, se sentir completo e bem consigo mesmo, isso é ser pleno(a), viver plenamente. Eu ouvi uma vez que autoconhecimento é poder. Quando você se conhece, tira o poder da sua vida da mão dos outros, é desautorizar que alguém, seja quem for, de querer controlar suas escolhas, sua vida, seus gostos, você mesmo.

Temos essa mania de superproteção, as vezes de si mesmo ou dos outros, “não posso permitir que sofra, que se frustre ou se arrependa, eu tenho medo”, por isso que há pessoas adultas que não sabem lidar com sofrimento, frustração e arrependimentos. Como eu falo, a vida não é cor-de-rosa, temos que viver a vida com consciência e responsabilidade, sabendo onde está pisando para não entrar em “uma roubada”, certo? Mas não podemos ficar dentro de uma bolha, sempre com medo, pois como já havia dito, o medo nos paralisa, não nos permite movimentar na vida, e o universo flui como? Progressivo e ascendente. Ou seja, tem que haver um equilíbrio. Não ser aquela pessoa que precisa 24h por dia de atenção e nem uma ilha que não precisa de ninguém na vida. A palavra certa é autonomia, é estar bem consigo mesmo e bem com os outros.

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Sobre o autor

Anne Moon

Anne Moon

Anne Moon é uma escritora graduada em letras que nasceu e mora em São Paulo com seus pais e com o irmão mais velho. Desde criança adora escrever e contar histórias. Antes dos 10 anos já havia escrito duas histórias de ficção e uma biografia, e aos 14 anos começou a escrever o primeiro volume, “The Rise of the Fallen”, da série de livros “Dark Wings”

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