Energia em Equilíbrio Mantras

Como fazer o mantra om?

Pedro Kupfer
Escrito por Pedro Kupfer

Na Índia, o mantra Om está em todas as partes: em casas, comércios, pintado nos muros e até nos carros, onipresente em toda e qualquer paisagem.

Para os Hindus, seja de qualquer etnia, casta ou idade, o mantra OM tem seu conhecimento perfeitamente entendido e, por isso, ecoa desde a noite, em todos os templos pelo subcontinente.

Entre todos os mantras, Om é o mais importante! Ele contém todo o conhecimento dos Vedas e é considerado o Corpo Sonoro do Ser Absoluto, Śabda Brahman. A Maṇḍūkya Upaniṣad diz que “o Oṁ é o mundo inteiro. O passado, o presente, o futuro: tudo é o mantra Oṁ”.

Diz essa mesma Upaniṣad sobre ele (II:12):

Segure o arco das escrituras, coloque nele a flecha da devoção.

Tensione a corda da meditação e alcance no alvo, que é o Ser.

O mantra é o arco, o aspirante a flecha, o Ser o objetivo.

Estique agora a corda da meditação e seja uno com o objetivo.

O questionamento sobre o efeito calmante dos mantras é grande. Na verdade, os mantras não são especificamente calmantes, eles trabalham na mente e influenciam diretamente no prana, a força vital.

Os efeitos de entoar um mantra variam de pessoa para pessoa: para alguns praticantes, pode ser extremamente estimulante. Para outros, muito relaxante.

Para não condicionar a mente em busca de resultados, é bom não dar receitas exatas de como os mantras agem. O que um lápis escreverá e como ele poderá ser usado, depende muito da mente que o comanda. O mesmo vale para os mantras.

O mantra Om é formado pelo ditongo das vogais a e u, com sua nasalização representada pela letra m. Por isso, não estranhe se Om vier escrito como Aum. Essas três letras ligam-se, segundo a Maitrī Upaniṣad (VIII), aos três estados de consciência: vigília, sono e sonho, que diz: este Átman é o mantra eterno Oṁ, os seus três sons, a, u e ṁ, são os três primeiros estados de consciência, e estes três estados são os três sons”.

Segundo as regras do sânscrito, Om não precisa ser curto, nem longo. Como possui três letras, sua pronúncia não deve se estender e, ao mesmo tempo, não deve ser muito mais breve do que três mantras, que são as unidades de tempo utilizadas para mensurar a duração das pronúncias em sânscrito. Um mantra equivale a um pouco menos que um segundo, ou seja, Om deve ter menos que três segundos.

No entanto, alguns músicos utilizam formas de verbalizar esse mantra com mais tempo, pois eles têm licença poética para isso. Já para efeitos de meditação, fazer o mantra como as regras propõem é mais eficiente.

É bom lembrar também que nenhuma forma de fazer o Om é errada, desde que seja feito com consciência e com intenção dirigida, além de claro, conhecer o seu significado.

Mas então, como fazer a vocalização corretamente sem nunca ter escutado o mantra da boca de alguém que sabe fazê-lo com perfeição?

O mantra é feito com um expiração curta, em ritmo regular e inspirando pelas narinas. A inspiração, sempre feita pelo nariz, e não pela boca, pode ser feita ao fim de cada repetição, ou então, depois de uma série delas, dependendo da sua capacidade pulmonar, ou seja, conheça os seus limites.

Comece com a boca entreaberta e mantenha a língua presa ao fundo da boca, além da garganta estar relaxada. O som irá vibrar na garganta e no peito, se propagando para cima.

A vibração do som se expandirá pelo crânio quando o ar fluir pelo nariz, o que estimulará as glândulas pineal e hipófise, relacionadas diretamente com os centros energéticos do corpo, os chakras da cabeça, além disso, a endorfina, a chamada droga da felicidade, é estimulada, produzindo paz, alegria e extremo bem-estar.

Nosso conselho é que você pratique colocando um mão sobre seu peito e a outra em sua testa, para assim perceber como a vibração vai se elevando conforme o mantra Om evolui.

shutterstock_134607152 (1)

Quando você perseverar no processo da vocalização, irá sentir com nitidez como a vibração se origina no centro da cabeça e se expande pelo corpo, até atingir e tomar o tórax e o resto do corpo. Deixe-se ser respirado pelo mantra, ao invés de apenas puxar o ar. Busque se concentrar no silêncio e em como o mantra continua nesse silêncio.

O som que vem do mantra é muito mais que apenas um eco mental que surge quando repete-se uma palavra por diversas vezes. O som do mantra é uma ferramente que transforma. Quando você fizer a vocalização, procure localizar um ponto de início e fim para o mantra.

É ideal que não exista tremor, nem oscilação na voz. Outra questão a se notar é que não importa a nota musical em que se entoa o mantra, pois serve aquela que for a mais natural para você. Porém, quando pratica-se em grupo, é importante que se busque manter um som intermediário, que seja confortável para todos os tipos de gargantas.

Neste caso, a nota utilizada costuma ser a Dó, que, geralmente, não é nem muito grave para as mulheres, nem muito aguda para o homens.

Boas práticas!

Namaste!

Sobre o autor

Pedro Kupfer

Pedro Kupfer

Pedro vive de vegetais, praia e surf. É casado com Ângela Sundari, com quem viaja com frequência para surfar, estudar, ensinar e compartilhar momentos bons com os seres humanos, plantas e animais deste belo planeta. Ensina Yoga há 30 anos. Move-se entre Portugal, Brasil, Índia, Indonésia e Chile, lugares que ama por diferentes motivos, sendo o mais importante de todos, as pessoas que conhece neles.

Oṁ Gaṁ Gaṇapataye namaḥ!

Site: www.yoga.pro.br
Facebook: http://www.facebook.com/pedrokupfer
SoundCloud: http://www.soundcloud.com/pedrokupfer