Convivendo

Cozinhando em família

Márcia Leite
Escrito por Márcia Leite
Preparar refeições em família é um dos programas mais integradores que se pode ter na vida sem sair de casa. É um momento em que todos devem se ajudar, pois uma atividade depende da outra. Enquanto um descasca e fatia as batatas, o outro tempera a carne, pica as cebolas e os dentes de alho, um terceiro fica responsável por colher as ervas aromáticas para incrementar o sabor do prato.

Antes disso, acontece a escolha do menu, onde gostos e preferências precisam se harmonizar. Às vezes, ocorrem divergências, por exemplo: A não gosta de bananas, B nem experimenta um jilozinho, C detesta consistências pastosas, D foge de uvas passas e de cebolas. Pode até virar um grande debate quanto ao peso do alimento em relação ao horário que será servido, pelo excesso de gordura, pela qualidade nutritiva, pela variedade de cores dos alimentos, pela repetição de determinado alimento servido durante a semana.

Leva-se também em conta a bebida que será (ou não) ingerida. Discute-se qual vinho, qual suco, qual cerveja, se vai ser só água … Se a sobremesa será comprada pronta, porque já se cozinhou demais, ou se será fruta (com o calor, um abacaxi fatiado com raspas de limão cai bem, hummm), que é mais leve, se serve sorvete ou prepara um pavê, mousse, brownie ou petit gâteau com sorvete.

Cozinhando em família

No verão, a opção por alimentos mais leves é uma delícia: peixes e frutos do mar para os adeptos; carne branca como frango ou peito de peru assado também é uma boa escolha. A cozinha alternativa também é bem-vinda, sendo a inserção de grãos antes desconhecidos, tais como quinoa e chia, uma excelente seleção. No inverno, fondue ou caldo verde são muito bons para aquecer e unir os membros da família.

São pratos que têm a capacidade de mobilizar todos que estão ao redor, pela divisão das atividades de preparo. Assim ninguém se cansa, todos ficam envolvidos para o sucesso no desenvolvimento dos pratos, que o grupo vai degustar junto. Dado o andamento à preparação, alguém fica responsável pela arrumação da mesa, com a disposição dos pratos, talheres, copos e abridores, sem esquecer os guardanapos e descansos de panelas ou, melhor, vasilhas de servir à mesa… panelas na mesa eu particularmente não gosto.

Pode-se fazer um charme com flores em pequenos copos e velas, porém em ocasiões mais especiais. Chegada a hora da refeição, as conversas podem girar entre os acontecimentos do dia, conquistas no estudo e no trabalho, se o prato escolhido caiu bem com a bebida (alcoólica ou não), se o tempero está equilibrado (tipo programas culinários), e ainda outros assuntos que sacudiram ou não o cotidiano da família, e mais ideologicamente, a sociedade como um todo, as polêmicas do momento, os artistas mais famosos dos últimos tempos, o próximo passeio em família, as decisões mais importantes que realizaram, e por aí afora…

Até a recolha dos pratos para serem lavados, secos e guardados, faz parte do evento rsrsrsrs. Pode inclusive causar discussões que ajudam a todos no exercício da negociação. No final de tudo, o grande motivo deste ritual é a aproximação e a melhora da convivência de todos no meio familiar, o sentimento de total colaboração. Afinal, família é a base da sociedade.

Sobre o autor

Márcia Leite

Márcia Leite

Graduada em Farmácia e atualmente estudante da área de Humanas, mostro interesse em diversos temas. Incomodada com questões sociais e que mexem com a convivência e a saúde das pessoas.