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Depressão tem cura?

Mulher de camiseta branca com um semblante indiferente, à frente do seu próprio reflexo que demonstra tristeza.
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Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Ela é conhecida como o mal do século e tem tirado a vida de muitas pessoas ao redor do mundo, além de causar diminuição severa na qualidade de vida de tantas outras. Sim, estamos falando da depressão, um transtorno psicológico que afeta relações familiares, vida profissional, acadêmica, pessoal e o bem-estar físico daqueles que são afetados por ela.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estimou, em 2013, que 235 milhões de pessoas em todo o mundo sofriam com depressão à época (números que correspondem a 3,6% da população mundial). Apesar de parecer uma doença “recente”, visto que se fala bastante sobre ela nos últimos tempos, a depressão já é a segunda maior causa do aumento de anos de vida com incapacidade (índice que indica o tempo em que uma pessoa vive de forma não saudável), perdendo apenas para a dor nas costas.

Outra preocupação causada pela depressão é o suicídio, que acomete até 7% daqueles que sofrem com a depressão. Entre os que se suicidaram, estima-se que 60% sofriam com essa doença, segundo estudo da OMS.

Esses números alarmantes demonstram que discutir e tratar depressão é essencial para que seja possível construir uma sociedade mais saudável e com mais qualidade de vida. Sim, a depressão tem cura e ela pode estar mais próxima do que você imagina, então entenda agora o que é essa doença e como é possível combatê-la.

O que é depressão?

Apesar de ser popularmente conhecida como depressão, essa doença tem o nome técnico de distúrbio depressivo maior (DDM), mas também é conhecida como transtorno depressivo maior. Cada caso de depressão tem suas características individuais, mas o transtorno é caracterizado, sobretudo, por um período prolongado do sentimento de depressão, que é composto, principalmente, por tristeza profunda, aversão a atividades e até mesmo à capacidade de raciocinar de maneira lógica e racional, o que afeta os pensamentos, os comportamentos, os sentimentos e o bem-estar da pessoa.

Mulher de costas com a cabeça inclinada para baixo remetendo à tristeza.
Free-Photos / Pixabay

É importante ressaltar essa característica porque a tristeza é parte da personalidade de qualquer ser humano, já que os acontecimentos, os pensamentos que temos e as emoções que sentimos podem fazer se abater sobre nós o sentimento de tristeza. Quando esse sentimento depressivo de tristeza se prolonga por mais de duas semanas, portanto, é bastante provável que a pessoa afetada por ele esteja enfrentando o distúrbio depressivo maior, então precisa buscar auxílio psicológico e/ou psiquiátrico para começar o tratamento.

Como “um sentimento depressivo” soa abstrato demais, confira abaixo alguns outros sintomas comuns a pessoas que passam por um quadro depressivo:

Sintomas

Além das individualidades de cada caso de depressão, a depressão é dividida em graus, segundo a Classificação Estatística de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID, em inglês), catálogo sobre doenças publicado pela OMS. Os graus de depressão variam de episódios depressivos leves, moderados, graves sem (e com) sintomas psicóticos, transtorno depressivo recorrente (caso não seja o primeiro episódio), entre outras variações. Somente uma consulta com um especialista é que poderá determinar qual é o seu grau nesta doença, mas alguns sintomas acendem um sinal de alerta, além da sensação de tristeza profunda e prolongada, também conhecida como depressão.

Segundo a CID, se o seu caso inclui pelo menos 5 destes sintomas listados a seguir por pelo menos duas semanas, a probabilidade de que você esteja com DDM é alta:

  • Falta de prazer nas atividades cotidianas e diárias;
  • Diminuição ou ausência de concentração;
  • Desânimo diário ou na maior parte dos dias;
  • Irritabilidade sem causas;
  • Insônia, sono excessivo ou outros distúrbios do sono;
  • Dificuldade para realizar atividades simples ou que não requerem muito esforço físico, como ler ou assistir televisão;
  • Fadiga constante;
  • Apetite insaciável ou perda de apetite;
  • Sentimento de culpa, independentemente de motivos;
  • Automutilação;
  • Ideias recorrentes de morte e suicídio.
Homem com as duas mãos no rosto remetendo tristeza em meio a um cenário escuro com luzes brancas e distantes.
Daniel Reche / Pexels

Se você analisar o seu comportamento nas últimas semanas (ou o de alguém que você ama), procure (ou recomende procurar) auxílio imediatamente. Como qualquer outra doença, quanto antes o tratamento começar, mais chances de a pessoa se ver livre do mal.

Causas

Diferentemente de uma fratura, por exemplo, que é causada por algum trauma físico quase sempre evidente, a depressão não é uma doença que tem sua origem identificada facilmente, em vários casos. As causas dela podem ser muitas, a começar de causas genéticas. Diferentemente do que se acredita, a depressão não é uma doença puramente psicológica e emocional, porque causa em nós efeitos químicos e físicos, então é, sim, uma doença física, que pode ser influenciada por fatores genéticos e hereditários.

Outras causas são estresse, mudanças no estilo de vida ou estilo de vida nocivo, rejeição, traumas emocionais e psicológicos, como términos, demissões no trabalho, perdas e luto, decepções etc. Como é uma doença muito individual, as causas dela também são e, às vezes, mesmo num tratamento psicológico, demora-se algum tempo para descobrir essas causas.

Depressão tem cura? – Tratamento

Sim, depressão tem cura, seja qual for o estágio e o grau da sua depressão, bem como o tempo em que você se encontra preso a essa doença, ela tem cura. O tratamento psicológico/psicoterapêutico é essencial para o combate à depressão, porque é nele que o paciente expõe tudo o que sente e tudo o que o incomoda; a partir disso, com a ajuda do terapeuta, o paciente vai entendendo melhor esses sentimentos, pensamentos, situações e problemas e aprendendo a lidar melhor com eles e como solucionar o que pode ser solucionado, aceitar o que não tem solução e encontrar mais paz em si mesmo, bem como sentimentos de autoestima, autoconfiança e por aí vai. Cada paciente responde de um jeito ao tratamento.

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É importante dizer que há muitas vertentes diferentes na psicologia, então se você começou uma psicoterapia e sentiu que ela não está surtindo efeito ou que o seu terapeuta não entende você, não te ajuda ou algo assim, sempre é tempo de pausar o tratamento e começá-lo com outro profissional. Converse com pessoas que fazem terapia há algum tempo e certamente encontrará algumas que precisaram começar o processo terapêutico mais de uma vez até encontrar o profissional ideal para a sua situação.

Por fim, o tratamento psiquiátrico é muito importante em alguns casos. Como já explicado, a depressão envolve alterações químicas no cérebro de alguns pacientes, além de outras alterações físicas, então a medicação antidepressiva que um psiquiatra pode receitar ajuda os pacientes com esses tipos de depressão a passarem pelos primeiros momentos de combate à doença ou até mesmo acompanham o paciente ao longo da vida, proporcionando a eles mais bem-estar e mais qualidade de vida.

Mulher de perfil olhando para o horizonte em frente a um rio.
Freestocks.org / Pexels

Enfim, depressão tem cura! Aquele que está passando por dificuldades com essa doença é uma vítima dela e não deve se sentir culpado por isso. Ninguém tem depressão porque quer, mas todos que a superam tiveram vontade de fazer isso. Então a sua vontade de sair dessa situação é o primeiro passo, talvez o mais importante de todos, para deixar esse transtorno para trás. Procure ajuda, converse com as pessoas que você ama e busque um tratamento, porque a depressão ficará lá no seu passado se você se dedicar a tratá-la!

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