Saúde Integral

Doenças mentais mais conhecidas

Eu Sem Fronteiras
Escrito por Eu Sem Fronteiras

Nesse artigo falaremos sobre as doenças mentais mais conhecidas e seus tratamentos. Porém, antes de entrarmos no assunto, é importante enfatizar que na psicologia e na psiquiatria, o termo doença não é muito usado. Psicólogos e psiquiatras preferem usar os termos transtornos, perturbações, disfunções ou distúrbios.

As doenças mentais são pouco compreendidas. Segundo definição da Organização Mundial de Saúde (OMS) caracterizam-se por uma combinação de fatores. Falhas no funcionamento do cérebro, predisposição genética, alterações clínicas, alterações químicas cerebrais e situações estressoras atuais ou antigas. Consumo de álcool e outras drogas têm substâncias que alteram o funcionamento do sistema nervoso central. Mas, essas alterações somente são consideradas doenças mentais se forem prolongadas e causarem complicações a vida do individuo.

Os distúrbios mentais afetam aproximadamente 700 milhões de pessoas no mundo. As mulheres são mais suscetíveis a sintomas ansiosos e transtornos mentais e do comportamento. Os hormônios femininos, principalmente o estrógeno regulam o humor, o que explicaria essa prevalência. Os homens, por sua vez estão mais propensos aos transtornos causados pelo uso de substâncias psicoativas como o álcool.

Exatamente por não serem entendidas, as doenças mentais são cercadas de mitos. Confiram quais são os mais frequentes erros de interpretação:

  • Sinal de fraqueza: Transtorno mental definitivamente não é sinal de fraqueza, falha de caráter ou coisa de gente desocupada. É uma pessoa com algum tipo de alteração genética, cerebral ou passa ou passou por situações estressantes;  
  • Loucura: Distúrbio psiquiátrico é uma doença que deve ser tratada, a fim de controlar os sintomas e devolver a qualidade de vida do paciente, esclarece a psicóloga Ana Cristina Fraia, coordenadora terapêutica da Clínica Maia Prime;
  • Depressão é genética: Fatores genéticos não podem ser ignorados.  Parentes de primeiro grau de pessoas com transtorno depressivo são três vezes mais propensos a desenvolverem depressão;
  • Preciso ir a um psiquiatra, então é grave: O psiquiatra diagnostica e trata as perturbações mentais. Procurar esse profissional é necessário para não agravar o problema;
  • Medicamentos viciam: Os medicamentos psiquiátricos evoluíram. Eles não deixam a pessoa dopada e possuem poucos efeitos colaterais. Marco Antônio Abud Torquato Junior, psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP e do Hospital Universitário da USP explica que o tratamento é por períodos determinados, a fim de manter o indivíduo bem a longo prazo. Abud esclarece ainda que às vezes a dose do medicamento é baixa.
Estresse x distúrbios mentais

shutterstock_102296959O estresse impacta negativamente o cérebro. A curto prazo afeta nossa capacidade de pensar de forma clara e tomar decisões. A longo prazo causa alterações cerebrais, relacionando-se aos distúrbios mentais. O estresse atinge o sistema límbico, responsável pelas emoções, aprendizagem e memória. O sistema dispara um alarme que ativa a resposta de “fuga” ou “luta”, elevando os níveis de adrenalina, cortisol, do metabolismo, a pressão arterial e diminuindo nossa sensibilidade à dor, o que é bom em situações onde precisamos brigar pela sobrevivência. Quando o estresse acaba, o copo volta ao normal. Entretanto, o organismo não consegue retomar as “configurações originais” quando está sob estresse constate. Os altos níveis de adrenalina e cortisol impedem o desenvolvimento de novas conexões no hipocampo, área responsável por reter novas memórias. Com as conexões bloqueadas, o hipocampo pode diminuir, piorando a memória.

São Paulo x perturbações mentais

Dados do relatório São Paulo Megacity Mental Health Surve produzido em 2013 revelou que a região metropolitana de São Paulo tem a maior incidência de perturbações mentais no mundo. A pesquisa realizada pela Organização Mundial de Saúde apontou que 29,6% dos paulistanos e habitantes da região metropolitana têm algum tipo de distúrbio. A ansiedade atingia 19% das 5037 pessoas entrevistadas. Outro problema citado foram as mudanças ocasionadas pelo abuso de drogas lícitas e ilícitas.

Alta urbanização e vulnerabilidade social estão relacionadas com o índice elevado de perturbações mentais, segundo os pesquisadores, que apontaram os migrantes do sexo masculino e as mulheres moradoras de regiões carentes como os grupos mais suscetíveis. São Paulo também lidera o ranking de casos graves, com 10% dos casos graves.

Transtornos mentais mais conhecidas

Estima-se que 20% dos adultos tendem a desenvolver algum transtorno mental. Confiram quais são os transtornos mentais mais conhecidos, diagnóstico e tratamentos:

Depressão

Distúrbio crônico e recorrente que causa uma tristeza profunda, intensa e persistente. Atinge aproximadamente 350 milhões de pessoas em todo o mundo.  A depressão não deve ser confundida com a tristeza transitória, que acontece por situações desagradáveis como a morte de um familiar, desencontros familiares e amorosos ou problemas econômicos.

Causas

Alterações químicas no cérebro, especialmente dos neurotransmissores serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina, substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células. Genética também é relevante, pois, parentes de primeiro grau de pessoas depressivas têm mais chances de desenvolver depressão.

Sintomas

  • Baixa estima;
  • Cansaço;
  • Alterações de peso e apetite;
  • Apatia;
  • Sentimentos de medo, insegurança, desesperança, desespero, desamparo e vazio;
  • Pensamentos suicidas;
  • Alterações do sono: Acordar várias vezes durante a noite e sensação de sono superficial. Acordar horas antes do habitual ou dormir demais;
  • Diminuição ou perda de interesse pelo ato sexual;
  • Sintomas físicos sem explicação: tensão na nuca e ombros, sensação de corpo pesado, pressão no peito, entre outros.
Diagnóstico e tratamento

Quadros mais brandos de depressão reagem satisfatoriamente ao tratamento psicoterápico. Já nos casos onde o distúrbio afeta com mais intensidade a vida familiar, profissional e afetiva, se faz necessário o uso de antidepressivos. Os medicamentos começam a fazer efeito por volta de duas a quatro semanas, de acordo com o Dr. Drauzio Varella. Mesmo com os efeitos colaterais, algumas vezes a prescrição não pode ser suspensa, para evitar recaídas.

Exercícios físicos são indicados para quem tem depressão. De acordo com estudo realizado por Chad Rethorst e Madhukar Trivedi, da Universidade do Texas, são indicadas atividades aeróbicos de 3 a 5 vezes por semana, com sessões de 45 a 60 minutos. Treinos de resistência também são recomendados. A intensidade deve ser de 50 a 85% da frequência cardíaca máxima do indivíduo. Em treinos de resistência, a recomendação é de exercícios variados para os membros superiores e inferiores – três vezes de oito repetições a 80% do peso máximo suportado.

Onde procurar ajuda

Nas unidades básicas de saúde com atendimento psiquiátrico, nos hospitais gerais ou nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps).

Esquizofrenia

Perturbação psiquiátrica que leva a perda do contato com a realidade. Esquizofrênicos fecham-se em si mesmos, ficam indiferentes ao que acontece ao redor, olham para o nada, tem delírios e alucinações. Ouvem vozes e acreditam serem vítimas de perseguição. Segundo o Dr. Wagner Gattaz médico psiquiatra e professor de psiquiatria no Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo, existem relatos milenares de psicose, que poderiam ser considerados esquizofrenia. Atinge pessoas jovens. No homem, surge por volta dos 25 anos, nas mulheres, entre 29 e 30 anos. A proporção é de um para um. Há muitos anos, os esquizofrênicos eram internados em sanatórios. Nas últimas décadas o diagnóstico e o tratamento evoluíram, entretanto, o diagnóstico precisa ser feito o mais precocemente possível.

Causas

A hereditariedade é relevante. Parentes de primeiro grau de um esquizofrênico têm mais chances de desenvolver a doença. Contudo, não se sabe o modo de transmissão genética. Tomografia computadorizada e ressonância magnética revelam que alguns esquizofrênicos têm uma diminuição discreta do tamanho de algumas áreas do cérebro.

Sintomas

  • Sintomas positivos: Respondem mais rapidamente ao tratamento. Os delírios têm como característica a visão distorcida da realidade. O delírio mais comum é o persecutório, onde o indivíduo acredita que está sendo perseguido. Ele acredita que câmeras foram instaladas para monitorar sua rotina. As alucinações são percepções que independem de estimulo externo. O esquizofrênico ouve vozes que levam a pessoa ao suicídio ou a cometer crimes.
  • Sintomas negativos: Mais resistentes ao tratamento e diminuem a capacidade de sentir alegria ou tristeza condizentes com a situação externa. O indivíduo escolhe atividades passivas e demonstram dificuldade em expressar seus sentimentos;
  • Alterações do pensamento: Ideias confusas, desorganizadas ou desconexas. O indivíduo crê que seus pensamentos podem ser lidos, que eles foram inseridos ou roubados da mente.
Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico é confirmado a partir dos sintomas. Não há nenhum exame que identifique a doença. Exames clínicos são pedidos para excluir doenças com sintomas semelhantes.

Onde procurar ajuda

Nos hospitais com atendimento psiquiátrico ou nos Centros de Atenção Psicossocial.

Transtorno Bipolar

shutterstock_228693202Distúrbio mental altamente complexo onde o indivíduo alterna muitas vezes subitamente períodos de depressão e euforia. Atinge igualmente homens e mulheres, entre os 15 e 25 anos, podendo afetar também crianças e pessoas idosas.

Causas

Embora a causa ainda não tenha sido determinada, sabe-se que estão envolvidos fatores genéticos, alterações genéticas em determinadas áreas do cérebro e níveis de vários neurotransmissores. Pessoas com episódios recorrentes de depressão, estresse prolongado, uso de drogas e remédios para emagrecer e disfunções na tireoide também estão relacionados ao transtorno bipolar.

Sintomas

  • Tristeza profunda;
  • Alterações do sono e apetite;
  • Dificuldade de concentração;
  • Cansaço;
  • Pensamentos suicidas
  • Mania: Euforia exuberante, autoestima, pouca necessidade de sono, aumento da libido, impaciência, fala acelerada, agitação psicomotora e comportamento agressivo. Nesse período a pessoa toma atitudes que atingirão a si próprios e as pessoas próximas, tais como demissão, gastar dinheiro à toa, relacionamentos fugazes, e em casos mais graves, delírios e alucinações.
  • Hipomania: Os sintomas são parecidos aos da mania, porém, menos intensos e com menor repercussão. A hipomania dura poucos dias.
Diagnóstico e tratamento

Não tem cura, entretanto, pode ser controlada com remédios, psicoterapia e a incorporação de novos hábitos, abolir ao fumo e a bebida, não ingerir cafeína, alimentar-se corretamente e dormir no mínimo 8 horas por dia.

Em quadros mais graves, são prescritos medicamentos neurolépticos, antipsicóticos, anticonvulsivantes, ansiolíticos e estabilizadores de humor, especialmente o carbonato de lítio, que combate os quadros agudos de euforia. As recaídas são evitadas graças a associação do lítio com antidepressivos e anticonvulsivantes. Os antidepressivos requerem cuidados, pois, podem causar uma rápida transição da depressão para a euforia, ou acelerar a incidência das crises. As sessões de terapia ajudam o indivíduo a superar as dificuldades, prevenir a recorrência das crises e mostram a importância do tratamento medicamentoso, que muitas vezes são mantidos por toda a vida.

Onde procurar ajuda

Nas unidades básicas de saúde com atendimento psiquiátrico, hospitais gerais ou nos Centros de Atenção Psicossocial.

Transtorno do pânico

A síndrome ou transtorno do pânico tem curta duração. São crises agudas de ansiedade onde a pessoa experimenta a sensação que vai morrer, ou que perder o controle sobre si mesma e vai enlouquecer.

A primeira crise manifesta-se na adolescência ou no início da fase adulta. Os episódios podem acontecer várias vezes no mesmo dia, demorar dias, semanas, meses ou até anos para se repetirem. As crises também ocorrem durante o sono.

A maior incidência é nas mulheres, devido a sensibilização das estruturas cerebrais causadas pelas variações hormonais, isso explica porque os casos de transtorno do pânico aumentam no período fértil.

Causas

As causas ainda não foram esclarecidas, contudo, fatores genéticos e ambientais, estresse, uso de anfetaminas, drogas e álcool podem estar relacionados.

Sintomas

  • Medo de morrer;
  • Medo de perder o controle e enlouquecer;
  • Despersonalização: sensação de desligamento do mundo, como estivesse vivendo um sono;
  • Desrealização: dificuldade em diferenciar realidade e fantasia;
  • Dor ou desconforto no peito que podem ser confundidos com sinais de um infarto;
  • Taquicardia;
  • Tontura ou vertigem;
  • Sensação de falta de ar e sufocamento;
  • Ondas de calor e calafrios;
  • Sudorese;
  • Tremores, abalos e estremecimentos.
Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico segue os critérios do Manual de Diagnóstico e Estatística das Perturbações Mentais. Um episódio isolado ou a reação de medo intenso devido a ameaças reais não podem ser considerados transtorno de pânico. As crises precisam ser recorrentes e interferir no cotidiano do indivíduo. Exames clínicos são pedidos para excluir doenças com sintomas parecidos, como epilepsia, hipoglicemia e o hipertireoidismo.

O tratamento inclui psicoterapia, com a exposição às situações que causam pânico, sistemática, gradual e progressiva, até que aconteça a dessensibilização. São prescritos antidepressivos tricíclicos ou de nova geração, que são mantidos por períodos longos, a fim de evitar recaídas.

Onde procurar ajuda

Nas unidades básicas de saúde com atendimento psiquiátrico, hospitais gerais ou nos Centros de Atenção Psicossocial.

Os portadores de distúrbios mentais podem trabalhar, estudar e ter vida social,  desde que o diagnóstico seja realizado precocemente e o tratamento seja seguido à risca. Familiares têm papel importante. É recomendável que eles mantenham contato com os médicos envolvidos, para entenderem os sintomas e aprenderem como lidar com eles.


 

  • Texto escrito por Sumaia Santana da Equipe Eu Sem Fronteiras.

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