Autoconhecimento • Comportamento • Convivendo • Filosofia • Psicologia • Psicoterapia • Relacionamentos • Saúde Mental

Jardins Internos

Pessoa plantando uma muda e manuseando a terra com as mãos.
Planet_fox / Pixabay / Canva

E se você passou tanto tempo admirando o jardim dos outros que esqueceu de cuidar do seu? Talvez seja hora de olhar para dentro e descobrir o que ainda floresce, o que precisa de cuidado e o que pode nascer de novo. Venha conhecer essa reflexão e continue a leitura!

Por quanto tempo passei analisando, desejando e julgando o jardim do próximo?

Foi tanto tempo que acabei me acostumando a essa rotina nas redes sociais e nas rodas de conversa. E, junto dela, vinha a tristeza e a ansiedade. Porque tudo aquilo que eu desejava parecia estar no jardim do outro.

Mas a verdade é que eu nunca havia parado para olhar o meu próprio jardim.

Não olhava para ele com o mesmo carinho e atenção que dedicava ao jardim do próximo. E, pouco a pouco, minhas flores, árvores e plantas foram murchando porque me esqueci de regá-las. E assim, algumas foram morrendo.

Passaram-se anos, fingi não olhar pois doía. Era mais fácil ver o outro. Mas chega uma hora que devemos retornar, foi só então que resolvi descer do muro e olhar para o meu próprio jardim.

Deparei-me com a vastidão que havia deixado de lado. Senti tristeza, ansiedade e até certa reflexão por perceber quanto tempo passei olhando para os outros sem olhar para mim — e o que isso havia feito comigo.

Fiquei algum tempo apenas observando. Foi só assim que entendi que não havia mais como voltar atrás. Aquele momento me pedia outra coisa: refazê-lo.

Banco de madeira verde coberto por vegetação em meio a uma área arborizada.
VirginaGus / Getty Images / Canva

Comecei retirando o que já havia morrido, adubando novamente o solo e plantando novas flores, plantas e árvores.

No começo, queria fazê-lo exatamente como era antes. Até perceber que não havia como reconstruí-lo da mesma maneira, não haveria como voltar ao que era antes, o que já foi não volta mais.

Mas havia uma oportunidade. Eu poderia fazê-lo diferente.

E isso não o tornaria pior ou melhor. Apenas… diferente.

Comecei a olhar novamente para o jardim do vizinho, tentando descobrir como poderia montar o meu. Mas logo entendi que, por mais que pudesse fazer algo parecido com o dele, nunca seria o jardim dele. Seria o meu.

Se cada jardim é único, talvez não exista uma forma certa ou errada de montá-lo. Então resolvi seguir aquilo que eu achava bonito, interessante e que combinava comigo.

Havia dias em que eu me sentia alegre por estar construindo aquele novo jardim.

Havia outros em que me sentia triste, sem saber como seria no futuro. Se as plantas cresceriam. Se se adaptariam ao solo.

E, claro, muitas vezes voltei a olhar para o jardim do próximo.

Pois bem. Passaram-se alguns anos. Algumas plantas cresceram. Deram frutos. Tornaram-se bonitas, vivas, esplêndidas.

Outras cresceram por algum tempo e depois murcharam. Algumas não se deram bem naquele solo e sequer chegaram a crescer.

Hoje entendo que cada planta, árvore ou flor tinha seu ciclo, seu momento, sua própria jornada dentro de mim.

Algumas trouxeram raios de luz apenas para aquele dia, para aquele momento. E eu pude aproveitá-las o máximo que consegui.

Outras demoraram para crescer. E quanto mais pressa eu tinha, mais pareciam demorar. Algumas coisas não dependem da minha pressa, mas da minha paciência. Da minha capacidade de esperar. Da gratidão por aquilo estar ali, aguardando o momento certo para nascer.

E aquelas que tentei cultivar e não cresceram?

Tudo bem. Também fazem parte do processo.

Eu tentei.

E agora havia espaço para tentar de outra forma.

Se irão crescer, eu não faço ideia. Mas eu tentei.

Cada um tem seu jardim. Suas plantas, suas árvores, suas flores e sua própria maneira de cultivá-las.

E talvez seja justamente isso que nos torne únicos nessa imensidão em que vivemos.

Hoje me orgulho do meu jardim e procuro nutrir cada planta com aquilo de que ela precisa.

Às vezes, amor.

Às vezes, gratidão.

E há dias em que acabo nutrindo algumas delas com ansiedade, tristeza, mágoa ou raiva.

E tudo bem.

O mais importante é que eu olhe para elas. Que eu as sinta e as veja, independentemente de quais sejam.

Porque todas, de alguma maneira, também são reflexos de quem eu sou.

No fim, posso retirar algumas dessas plantas e entregá-las a outras pessoas.

Alegria. Amor. Amizade. Respeito. E até mesmo tristeza ou medo.

Mas hoje estou mais consciente de cada uma delas.

E orgulhoso por poder olhar para dentro e perceber o quão incrível é este meu jardim.

E você, como tem olhado para o seu próprio jardim?

  • Dênis Marcelo Molina Costa

    Dênis Marcelo Molina Costa

    Autoconhecimento, bem-estar e equilíbrio energético
    [email protected][email protected]@seulugaraosol.pausaseulugaraosol.taplink.bioseulugaraosol.substack.com@seulugaraosol_pausa@seulugaraosol.pausalugaraosol.bemestar@seulugaraosol.pausaopen.spotify.com/show/3SOtb1ei6hYPk9L3AUhzgW?si=nQZU1D65TNi_0mWArZeySw

    Olá, tudo bem?
    Meu nome é Dênis Marcelo Molina Costa. Sou biomédico e, ao longo da minha trajetória, fui ampliando meu olhar sobre o ser humano, o bem-estar e as diferentes formas pelas quais nos relacionamos com nós mesmos, com o outro e com o mundo.
    Minha formação inicial em Biomedicina despertou meu interesse pela área da saúde. Posteriormente, meus estudos e experiências me levaram a conhecer diferentes perspectivas, entre elas a Medicina Tradicional Chinesa, Reiki, espiritualidade e estudos relacionados à Psicologia Positiva.
    Com o passar do tempo, percebi que meu interesse não estava apenas em compreender técnicas ou conceitos, mas em observar as experiências que atravessam a vida cotidiana: nossos pensamentos, emoções, escolhas, relações, expectativas, dúvidas e a maneira como percebemos aquilo que nos acontece.
    É desse movimento que nasce o Seu Lugar ao Sol, um projeto que busca criar espaços de pausa, presença, acolhimento e reflexão.
    Acredito que uma reflexão não precisa necessariamente entregar uma resposta. Às vezes, uma boa pergunta já é suficiente para nos fazer olhar novamente para algo que parecia conhecido.
    É nesse lugar que hoje encontro minha escrita: entre a curiosidade de compreender, a disposição para observar e a possibilidade de compartilhar aquilo que vou descobrindo pelo caminho.