Convivendo

O agravamento do Burnout durante a pandemia

Mulher branca com expressão cansada.
rido / 123rf

Muito se escuta falar sobre burnout. Pelo menos nesses dois últimos anos de pandemia da covid-19, é uma das doenças que mais afetam as pessoas. De acordo com uma pesquisa realizada pela USP, uma em cada cinco pessoas têm burnout, que geralmente afeta jovens por volta dos 30 anos.

Vivemos em um mundo onde as coisas precisam acontecer de forma rápida. Ficar até tarde no trabalho, trabalhar aos finais de semana e demonstrar que quanto mais horas trabalhadas é melhor para mostrar para a companhia seu nível de engajamento e dedicação têm-se tornado um tiro no pé.

Burnout significa algo que parou de funcionar por exaustão. Falando em pessoas, trata-se da exaustão e do esgotamento emocional por excesso de carga de trabalho e exigências profissionais.

Como mencionado anteriormente, o burnout se dá, em boa parte, em jovens por volta dos 30 anos.

Geralmente nessa idade há certa exigência da sociedade para ter um bom trabalho, bens materiais e até mesmo uma família bem estruturada. Há uma romantização de que quem trabalha mais horas e/ou faz mais atividades ao mesmo tempo consegue chegar a um bom patamar. Mas o que seria isso? Uma competição de quem consegue ter uma vida melhor?

Homem negro com expressão cansada.
fizkes / 123rf

O fato é que pessoas estão ficando cada vez mais doentes e se sentem culpadas por se ausentarem do trabalho para fazerem um exame ou irem a uma consulta médica, mesmo que esteja assegurado pelo atestado de horas ou dias. As companhias têm sua parcela de culpa nesse processo, pois geralmente ofertam folgas como prêmios, quando, na verdade, deveria ser um movimento necessário ao colaborador não cobrá-lo a ficar horas excedentes no trabalho e aos fins de semana.

Como reconhecer se tem burnout?

Os sintomas surgem gradativamente e são: esgotamento emocional, agressividade, ausência do trabalho e baixa autoestima, além de alguns sintomas físicos, como enxaqueca, palpitação, sudorese.

O burnout é um distúrbio psíquico descoberto em 1974 pelo médico americano Freudenberger. Mas por que falamos somente agora sobre essa síndrome?

Durante a pandemia, muitas pessoas tiveram que se reinventar e trabalhar em home office. A ideia de trabalhar em casa até parece boa e saudável. Você tem o conforto do seu lar, pode acordar mais tarde e evitar horas no trânsito e, quando der seu horário, desligar-se da empresa, certo? Errado. Muitas pessoas acabaram trabalhando mais horas por considerarem que estão em casa e, por isso, tudo bem ficar até mais tarde ou entrar mais cedo.

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O mercado tem avançado cada vez mais em tecnologia e desenvolvimento. Ao que parece, há maior exigência dos profissionais, e isso acarreta cobranças, que geram desgastes físicos e emocionais.

É muito importante observar como se sente durante e depois do trabalho. Algumas pessoas tendem a sonhar com o trabalho e se preocupar fora do expediente e de forma exacerbada. É de suma importância ter um acompanhamento de um profissional da área de psicologia e/ou de um psiquiatria. Não ignore nenhum sintoma que dure por muito tempo. Procure ajuda.

Sobre o autor

Beatriz de Andrade Silva

Psicóloga clínica, orientada pela psicanálise freudiana, especialista em diversidade nas organizações (PUC-SP), pós-graduada em direitos humanos, responsabilidade social e cidadania global (PUC-RS), pós-graduanda em psicologia e desenvolvimento infantil e pesquisadora das relações étnico-raciais. Atuou por oito anos no mercado financeiro, na área de recursos humanos, com foco em atração, seleção, treinamento e desenvolvimento. Na área social, é voluntária em um coletivo que busca colocar a diversidade e a inclusão em pauta e ação e, por fim, é mentora voluntária de jovens de 16 a 23 anos, auxiliando no propósito de carreira.

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